nada será como antes
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O início da TV, o fim de um amor


Depois de Justiça, a Globo resolveu colocar o pé no acelerador com as estreias de Supermax e Nada Será como Antes, uma série de Guel Arraes (O Auto da Compadecida) e Jorge Furtado (Os Normais – O Filme) roteirizada pelos dois em parceria com João Falcão (A Máquina) e dirigida por José Luiz Villamarim (Justiça). União realizada como objetivo de contar a história da ascensão da TV brasileira desde seu início.

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A história começa em 1946, o auge do rádio, de onde o jovem Saulo Ribeiro (Murilo Benício), um vendedor de rádios, conhece a bela voz de Verônica Maia (Débora Falabella) e se apaixona pela persona quando a conhece pessoalmente. Pulamos 10 anos, e estamos nos anos dourados, o rádio já está mais do que consolidado, Saulo se torna um produtor de sucesso e Verônica sua mulher, a estrela de uma radionovela da Rádio Copacabana. Saulo planeja a todo custo vender a ideia de que a televisão é o futuro, e quer montar sua própria emissora, para isso precisa da ajuda de Otaviano Azevedo (Daniel de Oliveira) um poderoso herdeiro, ao mesmo tempo em que passar por problemas conjugais.

Apesar do romance entre Saulo e Verônica não ter desenvolvimento e se conceber rápido demais, ele ocupa boa parte da trama, e vemos que o foco no início da TV brasileira não será apenas o assunto na nova minissérie. Com uma belíssima fotografia (mais uma pra conta de Villamirim) que nos situa nos anos 50 e seu auge, além da direção de arte e figurinos fantásticos. O uso da câmera no tripé seguidos de panorâmicas, os planos sequências nos estúdios de rádio e TV com a câmera nos ombros dos personagens, o afastamento dos mesmos para depois ofuscá-los, as atuações acima da média são os grandes destaques desse primeiro episódio, e por conta delas, estamos cientes de que não acompanhamos um novela qualquer.

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A Beatriz de Bruna Marquezine, primeiro papel sensual de sua carreira, se mostra uma mulher poderosa e que sabe seduzi com Bruna mostrando segurança em sua atuação, entrando na vida de Saulo quando esse está se separando de Verônica e o ajudando no início da TV Guanabara. A tímida aparição de Cassia Kiss como mãe de Beatriz, revela o talento da atriz já veterana, e serve pra mostrar que a moça tem sentimentos, além do trabalho mais contido de Bruno Garcia vivendo Aristides, amigo conselheiro e parceiro de trabalho de Saulo.

Outro ponto a favor é a trilha sonora, começando pela abertura ao som de Try a Little Tenderness, na voz de Cassia Eller, o primeiro episódio traz também Só Louco de Dorival Caymmi, além de músicas internacionais como Little Girl Blue por Diana Krall. Tudo isso se unindo ao belo texto, coeso, coerente e cheio de poesia. À primeira vista, Nada Será Como Antes tem um primeiro capítulo poderoso, e pode agradar tanto os fãs de novelas quanto os de séries. Assim como o personagem de Murilo Benício afirma: “A TV não vai acabar com o rádio, assim como o cinema não acabou com o teatro e os discos não acabaram com os shows.”

Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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