wasp network
0

Diferente do filme, o simpático e latino elenco de Wasp Network deu as caras numa coletiva de imprensa divertida, regada a mate e sorrisos


Na última quarta (16), assistimos a “Wasp Network”, novo filme de Olivier Assayas, diretor francês responsável por “Acima das Nuvens” (indicado a Palma de Ouro em Cannes) e “Personal Shooper”, pelo qual levou a Palma de Ouro de direção. Ele, o produtor brasileiro da RT Features, Rodrigo Teixeira, e os atores Edgar Ramirez e Leonardo Sbaraglia estiveram presentes numa coletiva super divertida, que, infelizmente, não fez jus ao filme (que você pode conferir a crítica aqui).

Wagner Moura também esteve na lista de possíveis presenças, mas não pode comparecer. O fato é que Rodrigo Teixeira já inicia o papo falando que Wasp Network já tem distribuidora, título em português e data de estreia, ainda não revelados. Leonardo falou sobre as dificuldades das filmagens em Cuba, aprender o sotaque, mas que tudo foi recompensado pelo carinho do povo cubano, que os abraçou.

Além disso, o ator relatou os momentos difíceis que Brasil e Argentina enfrentam politicamente. Edgar (que está pela primeira vez em São Paulo), diz que trabalhar com Assayas foi uma das decisões mais importantes de sua vida.

Momento Impactante

Perguntados sobre o momento mais impactante da produção, Edgar afirma que era emocionante estar em um aeroporto cubano (ele faz um piloto). Era libertador e emocionante, já que tudo mudava a cada dia, devido as leis. Já Leonardo ressalta o trabalho em equipe, a tensão e a relação de companheirismo com Ramirez.

 

Como foi fazer Wasp Network? Um filme sobre exilados?

A pergunta foi diretamente para Edgar, pois o ator sendo venezuelano, entende bem do que se trata. Ele afirma que como artistas, a classe deve se posicionar e ser ativa politicamente.

 

Porque voltar ao filme após Veneza?

Wasp Network visto na 43ª Mostra de São Paulo não foi o mesmo apresentado no Festival de Veneza deste ano. Olivier Assayas decidiu voltar a mesa de montagem para fazer ajustes e aumentar a produção. Ele diz que a equipe teve pouco tempo para finalizar o filme e verificar os detalhes. Mas foram pequenos ajustes para deixar o filme mais fácil e leve, inserindo mais questões políticas e dinamismo.

 

Tiveram contato com Fernando Morais (autor da obra original)?

Assayas diz que não, mas conhece a obra e focou bastante na parte humana e menos nos dados e pesquisas. Rodrigo relembra que, quando o livro saiu em 2012, se encontrou com vários diretores brasileiros que queriam adaptar a obra. Mas os brazucas queriam nomes grandes demais, que na época não topariam o desafio. Ao apresentar o projeto para um produtor de Assayas, obteve resposta 3 semanas depois e ouviu um pitch do próprio diretor, que não citou nenhum nome para o elenco.

Rodrigo diz que se surpreendeu com a humildade do cineasta, algo raro na profissão. As agências ofereceram atores americanos, mas Assayas queria o máximo de autenticidade convocando atores latinos, o que deixou Fernando orgulhoso.

 

Como as cenas documentais foram inseridas em Wasp Network (cena de Fidel Castro)?

O diretor diz que fez a lição de casa, apoiado em fatos sólidos e em outras narrativas. Disse que não podia agradar ambos os lados, apesar de não gostar de nenhum regime totalitário, mas apenas contar os fatos. Edgar complementa dizendo que estamos vendo Wasp Network da perspectiva dos personagens e que eles (os atores) não devem se posicionar.

 

Qual a preferência da atuação (Edgar e Leonardo)?

Edgar diz que o personagem deve ser interessante e ter personalidade para que ele o aceite. Por conta da Venezuela estar passando por um momento parecido, seu René Gonzalez foi de fácil identificação. Ao mesmo tempo, não deixar a opinião pessoal o atrapalhar. Afirma que a atuação não é uma fotografia, mas sim uma pintura, uma construção criativa, até encontrar o ponto certo.

Já Leonardo diz que o ator precisa lembrar o personagem e ao mesmo tempo transcendê-lo. As pessoas precisam olhar para o ator e ver o personagem, e por ser alguém que de fato existiu, é possível imaginá-lo.

 

Dificuldades na Pesquisa

Olivier Assayas diz que foi difícil entender a história de Wasp Network de início. A divisão de grupos, as leis de imigração americanas e por aí vai. Por isso resolveu focar no essencial para a trama.

 

O que os fez ter empatia pela história? O que chamou mais atenção?

Edgar diz que foi a oportunidade pessoal e profissional. Trabalhar no país que tem o maior exílio do mundo e tentar entender porque o personagem deixou sua família para trás. Entender suas decisões drásticas e sua motivação. Leonardo (tomando um mate), ressalta o fato de compartilhar experiências, faz um paralelo com a situação argentina, e fala que seu personagem tem caráter e uma certa tridimensionalidade. Edgar encerra falando que a interação dos personagens era a melhor coisa, afinal não se sabia quem era o inimigo e as consequências reais entre a morte e a prisão.


Wasp Network está disponível no catálogo da Netflix!


Gostou desse conteúdo? Então nos ajude a manter o site vivo entrando para o Odisseia Club. Seja um apoiador da Odisseia e acompanhe tudo sobre filmes, séries, games, músicas e muito mais.

 

Tiago Cinéfilo
Há 4 anos nessa viagem. Estudante de Rádio, TV e Internet. Ex-Clock Tower, ex-Cinema Com Rapadura e ex-fã de The Walking Dead.

Wasp Network | Romantismo político

Previous article

O podcast chegou. Finalmente podemos dar o play

Next article

You may also like

Comments

Leave a reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

More in Entrevistas