AODISSEIA
Especial

Mostra de São Paulo 2019: O simpático elenco de Wasp Network

Confira o que rolou na coletiva de um dos principais filmes da Mostra.


21 de outubro de 2019 - 01:17 - Tiago Soares

Na última quarta (16), assistimos a “Wasp Network”, novo filme de Olivier Assayas, diretor francês responsável por “Acima das Nuvens” (indicado a Palma de Ouro em Cannes) e “Personal Shooper”, pelo qual levou a Palma de Ouro de direção. Ele, o produtor brasileiro da RT Features, Rodrigo Teixeira, e os atores Edgar Ramirez e Leonardo Sbaraglia estiveram presentes numa coletiva super divertida, que, infelizmente, não fez jus ao filme (que você pode conferir a crítica aqui).

Wagner Moura também esteve na lista de possíveis presenças, mas não pode comparecer. O fato é que Rodrigo Teixeira já inicia o papo falando que o filme já tem distribuidora, título em português e data de estreia, ainda não revelados. Leonardo falou sobre as dificuldades das filmagens em Cuba, aprender o sotaque, mas que tudo foi recompensado pelo carinho do povo cubano, que os abraçou. Além disso, o ator relatou os momentos difíceis que Brasil e Argentina enfrentam politicamente. Edgar (que está pela primeira vez em São Paulo), diz que trabalhar com Assayas foi uma das decisões mais importantes de sua vida.

Momento Impactante

Perguntados sobre o momento mais impactante da produção, Edgar afirma que era emocionante estar em um aeroporto cubano (ele faz um piloto). Era libertador e emocionante, já que tudo mudava a cada dia, devido as leis. Já Leonardo ressalta o trabalho em equipe, a tensão e a relação de companheirismo com Ramirez.

 

Como foi fazer um filme sobre exilados?

A pergunta foi diretamente para Edgar, pois o ator sendo venezuelano, entende bem do que se trata. Ele afirma que como artistas, a classe deve se posicionar e ser ativa politicamente.

 

Porque voltar ao filme após Veneza?

O filme visto na 43ª Mostra de São Paulo não foi o mesmo apresentado no Festival de Veneza deste ano. Olivier Assayas decidiu voltar a mesa de montagem para fazer ajustes e aumentar a produção. Ele diz que a equipe teve pouco tempo para finalizar o filme e verificar os detalhes. Mas foram pequenos ajustes para deixar o filme mais fácil e leve, inserindo mais questões políticas e dinamismo.

 

Tiveram contato com Fernando Morais (autor da obra original)?

Assayas diz que não, mas conhece a obra e focou bastante na parte humana e menos nos dados e pesquisas. Rodrigo relembra que, quando o livro saiu em 2012, se encontrou com vários diretores brasileiros que queriam adaptar a obra. Mas os brazucas queriam nomes grandes demais, que na época não topariam o desafio. Ao apresentar o projeto para um produtor de Assayas, obteve resposta 3 semanas depois e ouviu um pitch do próprio diretor, que não citou nenhum nome para o elenco.

Rodrigo diz que se surpreendeu com a humildade do cineasta, algo raro na profissão. As agências ofereceram atores americanos, mas Assayas queria o máximo de autenticidade convocando atores latinos, o que deixou Fernando orgulhoso.

 

Como as cenas documentais foram inseridas no filme (cena de Fidel Castro)?

O diretor diz que fez a lição de casa, apoiado em fatos sólidos e em outras narrativas. Disse que não podia agradar ambos os lados, apesar de não gostar de nenhum regime totalitário, mas apenas contar os fatos. Edgar complementa dizendo que estamos vendo o filme da perspectiva dos personagens e que eles (os atores) não devem se posicionar.

 

Qual a preferência da atuação (Edgar e Leonardo)?

Edgar diz que o personagem deve ser interessante e ter personalidade para que ele o aceite. Por conta da Venezuela estar passando por um momento parecido, seu René Gonzalez foi de fácil identificação. Ao mesmo tempo, não deixar a opinião pessoal o atrapalhar. Afirma que a atuação não é uma fotografia, mas sim uma pintura, uma construção criativa, até encontrar o ponto certo.

Já Leonardo diz que o ator precisa lembrar o personagem e ao mesmo tempo transcendê-lo. As pessoas precisam olhar para o ator e ver o personagem, e por ser alguém que de fato existiu, é possível imaginá-lo.

 

Dificuldades na Pesquisa

Olivier Assayas diz que foi difícil entender a história de Wasp Network de início. A divisão de grupos, as leis de imigração americanas e por aí vai. Por isso resolveu focar no essencial para a trama.

 

O que os fez ter empatia pela história? O que chamou mais atenção?

Edgar diz que foi a oportunidade pessoal e profissional. Trabalhar no país que tem o maior exílio do mundo e tentar entender porque o personagem deixou sua família para trás. Entender suas decisões drásticas e sua motivação. Leonardo (tomando um mate), ressalta o fato de compartilhar experiências, faz um paralelo com a situação argentina, e fala que seu personagem tem caráter e uma certa tridimensionalidade. Edgar encerra falando que a interação dos personagens era a melhor coisa, afinal não se sabia quem era o inimigo e as consequências reais entre a morte e a prisão.


Wasp Network ainda não tem data para chegar ao Brasil, mas promete estrear nos cinemas em breve!