Morbius – Crítica | A parte mais fraca do multiverso da Sony

morbius
Foto: Divulgação Sony Pictures

Movido pela convivência e muitos questionamentos, Morbius é a porta de entrada para o Multiverso Cinematográfico da Sony


Texto escrito por Isabela Cândido, do podcast Próximo Episódio

“Homem-Aranha: Sem Volta para Casa” realmente teve um grande impacto no Multiverso Cinematográfico de heróis. E à medida que o filme explora o conceito de como havia várias realidades e contextos únicos, mais possibilidades se abriram para a Sony e a Disney explorassem essa dinâmica.

Muito mais para a Sony, em particular, isso deu a eles maneiras de construir seu próprio Universo Cinematográfico que, esperançosamente, recria a magia que o MCU da Disney alcançou. Isso se traduziu neles usando o cenário de “Venom (2018)” como a base desse universo, e é aí que o filme “Morbius” se passa.

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Foto: Divulgação Sony Pictures

Qual o enredo de Morbius?

Morbius marca o primeiro filme a sair da Sony para construir este novo universo cinematográfico após o lançamento de Homem-Aranha: Sem Volta para Casa. Para aqueles que não sabem, Morbius (Jared Leto) é na verdade um vilão dos quadrinhos do Homem-Aranha, onde ele é retratado como um bioquímico que tenta criar uma cura para sua rara doença sanguínea.

No entanto, isso acaba muito mal quando ele tenta um tratamento experimental envolvendo DNA de morcego e terapia de eletrochoque que o transformou em uma criatura parecida com um vampiro com muitos poderes e habilidades vampíricas, e também muita sede de sangue.

O que funciona no filme?

Para aqueles que estavam ansiosos para ver um filme de super-herói ou anti-heróis em uma tela grande, sairão satisfeitos. Morbius trás alguns efeitos interessantes, e algumas cenas de combate chamativas. Há cenas em câmera lenta em abundância, escolhas que se acentuam com jumpscare, uma aura esfumaçada e ao mesmo tempo vibrante, que adiciona um toque agradável para a história ao apresentar o seu protagonista, e como ele consegue seus poderes, o seu conflito, e como superar esse conflito.

O filme segue a fórmula usual já conhecida, que pode ser muito atrativa, se você simplesmente quiser sentar e aproveitar o que é entregue em 104 minutos.

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Foto: Divulgação Sony Pictures

Questionamentos e Conveniências

Embora Morbius siga a fórmula, uma das maiores falhas do filme é que ele se apressa em tantas coisas a ponto de muitas dessas mesmas coisas pararem de fazer sentido. Olhando para o macro do filme, parece estar lá o porquê de termos essa aptidão em histórias batidas – Qual é o problema geral? Quem é o vilão de verdade? O protagonista é mal mesmo? Como acabar com o problema? – Novamente, está tudo ali, no entanto isso já é tão mastigado pelo público que torna o filme problemático e preguiçoso. 

O filme começa com um flashback e depois mostra a história de origem do nosso herói Michael Morbius. Mostrando que ele sempre teve uma condição médica que o mantém de muletas e em um estado enfraquecido. Lá ele tinha um amigo, Milo (Matt Smith), que também compartilhava a mesma condição.

Corte rápido para os dois crescidos e Michael dedicou sua vida à ciência para encontrar uma cura para ele e seu amigo. O filme não se afasta muito da história de origem, embora eu tenha dado um resumo muito curto e rápido dos primeiros minutos, pode-se argumentar que você realmente não obtém muito mais detalhes assistindo ao filme.

Essa falta de detalhes se torna muito mais evidente e conveniente à medida que o enredo começa a se desenrolar e você percebe que muitos dos pormenores ficam para trás. Você tem uma dica da condição médica de Morbius, mas você realmente não vê muito de como isso o incomoda ou por que ele está tão empenhado em se curar… além do fato de que ele vai morrer em breve.

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Foto: Divulgação Sony Pictures

E mesmo a parte em que ele começa a se acostumar com seus poderes é apenas encoberta como “sim, eu posso fazer isso agora”. Há tantas cenas possíveis que poderiam ter mais substância se dessem mais tempo para se manifestar, mas muitos dos desenvolvimentos no filme parecem em fast forward.

Não pergunte “por quê” enquanto estiver assistindo Morbius. Porque a partir do momento que isso acontece, tudo começa a desmoronar. As coisas são tão apressadas que os personagens acabam não tendo motivações adequadas para o que fazem. Por que Morbius tenta salvar vidas? Por que certas interações de personagens acontecem? Por que esse certo poder funciona dessa maneira? Por que o vilão age dessa maneira em particular?

De longe, as respostas a essas perguntas parecem óbvias, mas preste bastante atenção e você verá que não. Por causa disso, é difícil investir nos personagens do filme, e dito isso Matt Smith está glorioso e parece aproveitar a oportunidade para se divertir com sequências cômicas para cativar o público, enquanto Leto – na maior parte subjugado – ainda tenta encontrar um tom para seu personagem. 

Uma base fraca para o Multiverso

Os fãs do Homem-Aranha podem ficar felizes em saber que Morbius é o primeiro filme deste universo que finalmente faz referência ao mencionar o Homem-Aranha diretamente. Embora mostre os efeitos posteriores de Sem Volta para Casa, ele o faz de uma maneira muito preguiçosa, especialmente em adicionar a história o personagem Adrian Toomes/ Abutre (Michael Keaton).

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Foto: Divulgação Sony Pictures

O que poderia ter sido um momento muito épico se transforma em algo tão mundano que tudo o que você pensa é novamente um grande “por quê?”. Não posso entrar em mais detalhes sem estragar muito, mas essa foi realmente uma das maiores oportunidades perdidas do filme.

Conclusão

Morbius tem os ingredientes do que poderia ter sido um ótimo filme e um ótimo começo para o Universo Cinematográfico do Homem-Aranha da Sony. No entanto, o filme fica afadigado ao não enfatizar os principais detalhes da história. Se você está querendo um filme de super-heróis com algumas dessas lutas e efeitos característicos que acompanham o gênero, Morbius pode dar um bom passatempo. Porém se procura isso junto com algo mais profundo e carismático terá que procurar em outro lugar.


Saiba mais sobre a Isa no seu perfil pessoal e no podcast Próximo Episódio!

Morbius está em cartaz nos cinemas brasileiros. Caso vá aos cinemas, siga todos os protocolos de segurança. 

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