Matrix Resurrections – Crítica | O filme que é o coração da franquia

Matrix Resurrections

Matrix Resurrections revive a franquia entregando romance e nostalgia em um dos melhores filmes do ano


Essa crítica foi escrita por Raissa Ferreira

É inegável a importância de Matrix para o cinema. A trilogia que terminou em 2003, volta agora para elevar Trinity a um novo lugar de destaque e não tem medo de se referenciar para entregar toda a nostalgia que os fãs precisam nesses tempos tão difíceis

O filme está cheio de referências, memórias e detalhes que são um presente para quem ama a franquia. Lana Wachowski já começa seu longa nos colocando em território familiar e pouco tempo depois alguém diz: “nada como a nostalgia para acalmar nossa ansiedade”, uma frase que define bem o que podemos esperar do quarto filme. Sem se limitar nem se prender ao clássico, Resurrections é uma nova chance, um recomeço merecido.

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Foto: Divulgação Warner Bros. Pictures

Mas, qual é a trama de Matrix Resurrections?

Se passando 20 anos após os acontecimentos de Matrix Revolutions, Neo (Keanu Reeves) vive uma vida aparentemente comum sob sua identidade original como Thomas A. Anderson em São Francisco, Califórnia, com um terapeuta que lhe prescreve pílulas azuis para neutralizar as coisas estranhas e não naturais que ele ocasionalmente vislumbra em sua mente. Ele também conhece uma mulher que parece ser Trinity (Carrie Anne-Moss), mas nenhum deles se reconhece.

No entanto, quando uma nova versão de Morpheus oferece a ele a pílula vermelha e reabre sua mente para o mundo da Matrix – que se tornou mais seguro e perigoso nos anos desde a infecção de Smith – Neo volta a se juntar a um grupo de rebeldes para lutar contra um novo e mais poderoso inimigo e livrar todos da Matrix novamente.

O que achamos do filme?

A primeira parte do longa usa e abusa da metalinguagem para brincar com a criação de reboots, usando Thomas Anderson como o criador de uma trilogia de jogos que é forçado a lançar uma quarta parte. As críticas que aparecem nos diálogos e todo o processo criativo cômico lembram algo que Wes Craven já fez em seus filmes e que Lana conduz muito bem. Além de citarem diretamente a Warner Bros, os personagens fazem referências às famosas teorias sobre os filmes anteriores em cenas que falam diretamente com os fãs. Mas, Matrix Resurrections tem muito mais a dizer. 

A vida de Thomas Anderson é um retrato atual da sociedade, preso ao trabalho, tomando suas pílulas azuis para aguentar a ‘realidade’ e fazendo terapia regularmente, Thomas é infeliz até se libertar e renascer como Neo, mais uma vez. Só que ainda falta algo no mundo real, algo para Neo voltar a ser quem era antes. E é aqui que entra o coração desse filme, e provavelmente de toda a franquia: o amor de Trinity e Neo

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Foto: Divulgação Warner Bros. Pictures

Retratada com uma mulher forte nos filmes, principalmente no primeiro, Trinity agora ganha um lugar de destaque, sendo colocada no mesmo nível que Neo. Se na trilogia Trinity tinha a função narrativa de ser a companheira do escolhido – que se sacrificaria por ele e que o seguia desde o primeiro dia – agora é Neo quem vai atrás dela, que precisa confiar e se sacrificar por ela.

Em Matrix Resurrections Trinity é a motivação de tudo. Sem ela, Neo não se sente completo e não tem forças suficientes para continuar. Assim como máquinas e pessoas trabalhando juntas acabam criando um mundo melhor, Neo e Trinity são mais fortes juntos, e precisam um do outro.

Nesses quase 20 anos entre o terceiro e o quarto filme, o romance do casal parece ter amadurecido e funciona muito melhor que antes, trazendo força emocional para o longa. Afinal, o ponto principal de Matrix Resurrections parece ser o amor e o reencontro de duas partes que se completam. Se Matrix começou em 1999 tentando nos acordar para o mundo real, agora parece que ele encerra dizendo que o amor pode criar coisas boas.

A busca de Neo para trazer Trinity de volta conta com a ajuda e o retorno de personagens antigos, inclusive um novo Morpheus (Yahya Abdul-Mateen II) que retoma a força que o personagem perdeu nos últimos dois filmes. As cenas de ação de Matrix (que sempre foram incríveis), se tornam ainda mais interessantes quando Trinity finalmente se lembra de quem é, e se reencontra com Neo. Uma das melhores cenas do filme é com certeza a do casal pulando de um prédio e revelando como Trinity se tornou mais poderosa.

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Foto: Divulgação Warner Bros. Pictures

Todo esse poder dá o desenvolvimento merecido para uma personagem tão marcante, que inclusive me marcou muito enquanto menina. Essa importância de Trinity é até referenciada em uma cena quando uma personagem diz estar lá apenas pela admiração que tem por ela. Parece que a intenção de Lana não é colocar a personagem como superior, mas sim em pé de igualdade com Neo, algo que não acontece nos filmes anteriores.

Assim, seja o fim ou não da franquia, esse é com certeza um recomeço para seus personagens, um com mais sentimentos e menos razão. Sem ficar na sombra de seu clássico primeiro filme, Matrix Resurrections cria algo novo com algumas atualizações no sistema, repleto de novidades muito bonitas, que fazem questão de nos dizer.


Ps: Matrix Resurrections tem uma cena pós-créditos


Onde encontrar Raissa Ferreira | Twitter: @raissalfe

Matrix Resurrections está em cartaz nos cinemas brasileiros. Caso vá aos cinemas, siga todos os protocolos de segurança!

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