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Séries

Marvel Fugitivos: Entre a galhofa e o medo do heroísmo

Série desperdiça potencial absurdo das HQ's e mantém os pés no chão.

20 de agosto de 2018 - 13:31 - Tiago Soares

Quando Brian K. Vaughan (Y: O Último Homem, Ex Machina, Saga) criou os Fugitivos, ele sabia muito bem do seu potencial em alcançar outras mídias, afinal é um grupo de adolescentes super-heróis que fogem dos pais malvados, e é até curioso isso não ter acontecido antes. Coube ao Hulu (serviço de streaming que tem que chegar ao Brasil), essa tarefa.

Pra que não leu a crítica das HQ’s, Fugitivos conta a história de 6 adolescentes que descobrem que seus pais fazem parte de uma sociedade secreta chamada O ORGULHO, a qual induzem jovens a sacrifícios humanos para agradar criaturas que eles servem há muito tempo atrás. Ao saber disso, eles fogem de casa, dando o nome título ao grupo.

É evidente que se tratando de uma adaptação muitas coisas iam mudar — além é claro —  da história original ser de 2003, o que permite uma certa evolução em termos de tecnologia. Sendo assim a saga de Alex Wilder, Nico Minoru,  Karolina Dean, Chase Stein, Gertrude Yorkes e Molly Hernandez permanece muito parecida com a dos quadrinhos, mas com certas mudanças.

Os pais de Molly são retirados da história (não totalmente) —  tornando-a irmã adotiva de Gert — acabando com o viés mutante do enredo. O Orgulho não é nada secreto, apenas uma organização que visa ajudar instituições de caridade, porém suas ações permanecem nada filantrópicas e a maioria das coisas que tem relação com a magia, são substituídas por tecnologia (vulgo cajado de Nico).

Notaram um padrão? Trazendo uma história totalmente surreal, a série de TV quer permanecer com os pés no chão. Tem medo de “brincar de herói” e gasta tempo demais repetindo conceitos —  desenvolvendo os pais das crianças —  sem que a história de fato ande. A única coisa que permanece inalterada é Alfazema, o dinossauro de estimação de Gert é uma das melhores junções de efeitos visuais e práticos, além de mostrar o poder de atuação de Ariela Barer.

Aliás, os jovens estão excelentes na pele dos atores. Rhenzy Feliz faz um Alex líder e estrategista da equipe como deve ser, Lyrica Okano é a forte e traumatizada Nico, Gregg Sulkin é o bonitão e de coração mole Chase. Ariela dá personalidade a atualiza a feminista e genial Gert, enquanto Virginia Gardner dá mais profundidade a Karolina. Allegra Acosta fecha o time com uma Molly ainda inocente e imatura, mas cheia de esperança.

Em contrapartida os pais não fazem um bom trabalho. Não sei dizer se é o roteiro ou a incapacidade de atuação dos atores, mas parece que estão ali de forma forçada, lendo um texto que não queriam. O rosto mais conhecido é o de Annie Wersching (The Vampire Diaries/24 Horas) e consequentemente é a que mais se destaca. Kip Pardue como Frank Dean também surpreende, ambos são os pais de Karolina.

Com os jovens se tornando os Fugitivos que conhecemos apenas no final da temporada, é nítido notar uma tentativa de retardar a história para que o programa possa garantir mais temporadas. Trazer um certo background — principalmente aos pais do grupo não é um defeito em si — mas é fato que o grupo protagonista e seus dilemas são muito mais interessantes.

Que a série de Stephanie Savage (Dinastia) e Josh Schwartz (Chuck), possa retornar melhor na sua segunda temporada em dezembro, sem medo do heroísmo e avançando de forma mais fluída e dinâmica, ainda desenvolvendo seus personagens. Serão 13 episódios (disponibilizados de uma vez agora) para usar um poderoso material base e percorrer a rota de fuga.