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Analisando as 3 últimas temporadas de Lost, fica o questionamento: o final ruim para muitos, pode apagar uma jornada tão épica?


(…) todas aquelas pessoas são reais, tudo que aconteceu com você foi real (…)

(…) Todo mundo morre algum dia filho. alguns antes de você, outros depois (…)

Os fragmentos acima foram tirados do último diálogo de Lost – onde Christian Sheppard (John Terry), pai de Jack – explica para o filho e também para nós espectadores, onde eles estão e o que vai acontecer agora. De certa forma, são os próprios produtores explicando o final de Lost, mas, porque isso gerou tantas dúvidas durante anos?

O fato da série ficar mais conhecida pelo seu final contraditório do que por sua qualidade nos faz questionar: o que nos importa é somente o fim, ou toda a jornada? O texto anterior ressaltava a importância de viver Lost como uma experiência de vida. Todos naquela época em que a série foi originalmente exibida, respiravam o mesmo ar da ilha.

O final apaga isso? As últimas três temporadas foram tão emocionantes quanto as primeiras. Perdemos pessoas, vimos tudo mudar num piscar de olhos e nossa cabeça explodiu. Será que isso tudo não é suficiente? A questão é: não gostar ou falar mal do final de Lost virou moda. Em inúmeros sites e canais no youtube, as pessoas discutem o verdadeiro significado do fim da série, sem sequer mencionar o caminho até ali.

 

O começo do fim

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O título do primeiro episódio da quarta temporada “The Beginning of the End” faz todo sentido, pois os produtores já tinham estipulado que a série acabaria na 6ª temporada. Mesmo começando um novo ciclo, os eventos anteriores ditaram o tom da”segunda parte”. A morte de Charlie e seu “It’s Not Penny’s Boat” por exemplo, foram cruciais para gerar desconfiança nos sobreviventes sobre as reais intenções do cargueiro que iria resgata-los.

Isso dividiu o grupo, e Jack (Matthew Fox) e Locke (Terry O’Quinn) continuaram travando uma batalha de ideais que ia definir o futuro daqueles que os acompanhavam. Curta devido a greve dos roteiristas, o 4º ano de Lost mudou tudo ao difundir o que o final da terceira tinha iniciado: os flashfowards. Acompanhamos quem e como aquelas pessoas – mais precisamente seis delas – os Oceanic Six, saíram da ilha.

Essa jornada tem uma relação crucial com o final da produção. Com o tempo já sabíamos quem ia sair – mas não sabíamos como – e mesmo assim acompanhamos vigorosamente todos os episódios. Por isso, relacionar Lost a uma “perda de tempo” é um julgamento errôneo, pois foi tudo tão bem amarrado – e por vezes – mais explicado do que de fato precisávamos.

 

Os novos personagens

A nova dinâmica da série e a nova estrutura de seus episódios não seriam nada sem os novos e cativantes personagens, com destaque para: o físico e nerd Daniel Faraday (Jeremy Davies), o médium Miles Straume (Ken Leung) e aquele que seria o piloto do voo original mas foi substituído, Franky Lapidus (Jeff Fahey). Inseridos no meio da trama, todos carregavam segredos e demônios consigo, além de serem bem aceitos pelo público.

Daniel era aquele personagem que explicava coisas que de fato queríamos saber, enquanto Miles por muitas vezes, fazia as vias do público, interagindo com Hurley (Jorge Garcia) e fazendo perguntas capciosas e cabíveis ao momento. Lapidus era o nice guy, sempre disposto a ajudar uma galera que mal conhecia. As narrativas posteriores foram tão bem construídas, que tornaram esses personagens importantes e dignos de nota.

 

Entre constantes e viagens no tempo

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Impossível falar de Lost sem citar aquele que série considerado por muitos o melhor episódio da série, como também um dos melhores episódios de séries de todos os tempos. Quinto episódio da quarta temporada, “The Constant” foi tão excepcional que inspirou outros episódios apoteóticos da carreira de Damon Lindelof como The Most Powerful Man In The World (And His Identical Twin Brother)“ em The Leftovers e “This Extraordinary Being” em Watchmen.

Nele, após passar por uma turbulência no helicóptero até o cargueiro – a consciência de Desmond Hume (Henry Ian Cusick) transitava entre 1996 e 2004 – e não pararia até ele achar uma constante (algo ou alguém que estava presente nestes dois períodos de sua vida). A constante era nada mais nada menos do que sua amada Penny Widmore (Sonya Walger) – e além de momentos épicos – o episodio rende uma cena emocionante em uma ligação entre os dois. Detalhe: este era um episódio de Natal de Lost.

De certa forma, esse capítulo deu pistas sobre a temporada seguinte e suas viagens no tempo. Depois de Ben (Michael Emerson) mover a ilha e deixar a roda um pouco solta, os sobreviventes começam a se mover no espaço-tempo, revisitando momentos simbólicos da série – além de questionamentos que estavam em nossa mente por anos – como o início da Iniciativa DHARMA, a expedição de Danielle Rousseau (Mira Furlan), o embarcação Black Rock e por aí vai.

 

Em nome de Jacob

A sobrevivência e os mistérios da ilha de certa forma ficaram em segundo plano. Eles descobriram que faziam parte de algo muito maior, seja na conspiração que envolvia as empresas de Charles Widmore (Alan Dale) – que desejavam tomar a ilha e capturar Ben, ou na maior batalha de todas – a de Jacob (Mark Pellegrino) x O Inimigo (Titus Welliver), ou homem de preto, ou Jacob Evil, ou fumaça preta, enfim.

Jack, Kate, Jin, Sun, Sayid, Locke, Sawyer, Hurley, e mais outros que chegavam na ilha, descobriram que eram apenas peças de um grande jogo de xadrez entre duas entidades. Ali, eles perceberam que deviam protegê-la e conhecer melhor aquele que guardava o lugar, e que já tinha aparecido antes na vida deles.

 

O final

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A última temporada implementou os flash-sideways, provindos de uma realidade onde a bomba de hidrogênio no final do 5º ano explodiu, e o avião nunca caiu na ilha. Mais tarde descobrimos que não estávamos vendo outra possibilidade, mas sim outro plano, que se deu após a morte dos personagens – todas no seu devido tempo – como o pai de Jack afirmou.

Talvez, isso tenha deixado a mente de muitas pessoas confusa. A disputa sobre o que importa mais – os personagens ou a história, sempre vai existir – e é algo que fez Lindelof reafirmar isso suas séries posteriores. A história pode ser recheada de plot twists, pode cativar de início, mas sempre esteja atento aos personagens, eles são o coração de suas obras.

Como afirmamos no texto anterior, Lost era sobre mistérios, mas sempre foi sobre pessoas e como nos importávamos com elas. A pergunta que moveu grande parte dos curiosos em relação a série é se todos estavam mortos desde o início, e podemos dizer que de certa forma, estavam. A ilha foi um lugar de redenção para eles, e todos descobriram uma forma de ser alguém melhor.

A experiência de Lost foi dos personagens, dos atores, dos produtores, diretores, escritores, sites e blogs, canais do youtube, podcasts, mas foi principalmente nossa. Jack fecha os olhos em meio ao bambuzal, após ver o avião da Ajira Airways partir. Ele sorri, porque sabe que tudo vai ficar bem, e ficou.

Porque nós mantemos o legado vivo.

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Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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