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Neste mês de maio, Lost completa 10 anos de seu polêmico final. Prepare-se para uma série de conteúdos durante o mês, começando com uma análise das 3 primeiras temporadas


Em 05 de fevereiro de 2006, por volta de 00:50, LOST estreava na Rede Globo de Televisão. Jack abria os olhos em meio a bambus na floresta e corria desesperadamente para a praia. Seu instinto era salvar pessoas, mesmo sem saber direito o que aconteceu. Antes, vários comerciais faziam uma propaganda massiva sobre “uma das maiores séries da televisão”, ou “48 sobreviventes e milhões de espectadores numa série que virou mania nos Estados Unidos”. Acordar cedo no dia seguinte era um desafio, mas perder aquilo que seria o assunto principal nos fóruns e comunidades do Orkut, não parecia boa ideia.

Com uma primeira temporada ancorada no mistério, seja ele um urso polar numa ilha tropical, um monstro de fumaça preta ou uma ilha desconhecida em que uma galera sobrevive, Lost era muito mais que isso. Rever a série após tantos anos, sem discussões sobre teorias certas e erradas, ligar para easter eggs que surgem na tela, ou escolher lados A e B, é uma experiência renovadora.

Os personagens, a história, as relações entre eles, a trilha sonora, a emoção. Tudo é potencializado. Lost se vendeu como um mistério, mas é sobre pessoas. Sejam elas boas ou más. Pessoas com tons de cinza, carregadas de defeitos. Quando a série abre a segunda temporada mostrando Desmond Hume dentro da escotilha e todos nós achávamos que era um flashback, de certa forma era Lost nos dizendo: Não importa. Eu quero que você preste atenção neste homem e o siga, o ame, e o admire. Não importa a quantidade de mistério que ele carrega consigo.

 

Os Personagens

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Jack Shephard, Kate Austen, James “Sawyer” Ford, Hugo “Hurley” Reyes, Sun e Jin Kwon, Charlie Pace, John Locke, Sayid Jarrah, Claire, são só alguns do sobreviventes do voo 815 da Oceanic Airlines que caiu numa ilha, quando fazia o trajeto de Sidney, na Austrália para Los Angeles nos EUA. Lá eles encontram perigos que nunca imaginariam, mas precisam lidar com seu passado, e as vezes literalmente, alguém do seu passado.

Bem desenvolvidos e complexos, o grupo heterogêneo foge dos esteriótipos de Hollywood, e as relações entre eles são genuínas e passíveis de diálogos estritamente construtivos. O negro, o branco, o árabe, o asiático. Ninguém age como uma máquina pré-programada. Essa pluralidade ressalta a não existência de mocinhos e vilões, ao mesmo tempo em que não afasta essas pessoas de protagonizarem embates emblemáticos.

Jack e Locke por exemplo, traçavam uma batalha entre fé e ciência, emoção e razão, digna dos melhores almanaques já existentes. Ao mesmo tempo, ambos não eram unilaterais, com Locke duvidando de sua própria fé e Jack se perguntando o que era ou não real. Essa riqueza foi essencial na construção de figuras que amaríamos durante anos.

 

Nem tudo precisa de explicação

Se você começar a assistir Lost com a afirmação acima na cabeça, estará diante de uma das melhores séries de todos os tempos. Durante 6 temporadas e seus 127 episódios, a série criada por J.J Abrams, Damon Lindelof, Jeffrey Lieber e posteriormente Carlton Cuse, nos encheu de perguntas, cliffhangers malucos entre temporadas e muitas pistas, que sem dúvida alguma – grande parte delas – eram apenas piadas dos roteiristas.

Os debates filosóficos, poéticos, mitológicos e religiosos que a série trazia em seus diálogos e mensagens, eram mais importantes que qualquer outra coisa. Muitas vezes taxado como brega e sem sentido, o misticismo da ilha se unia a experiência que Lost proporcionava ao espectador. Ao mesmo tempo em que nos deixava irritados com algumas respostas e explicações sem sentido, Lost nos emocionava, e sentir algo era o que importava.

 

Quebra de Expectativa

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Nem tudo é o que parece em Lost. Se uma temporada terminava com um gancho, ela começava de uma forma completamente diferente no ano seguinte. E assim foi entre o dia 22 de setembro de 2004, até o dia 23 de maio de 2010. Você quer saber o que é a escotilha? Não é o que você pensa. “Os Outros” são selvagens mesmo? Nada disso. O que é a ilha? A ilha é algo tão sobrenatural que não pode ser explicado.

Quando achamos que conhecemos tudo, todos e estamos estabelecidos, Lost muda tudo. O início da segunda temporada por exemplo, apresenta o grupo sobrevivente que estava na cauda do avião, que nem sabíamos que existiam. São novos personagens, novas histórias, novas relações, e assim, expectativas são quebradas.

 

A Estrutura

A média de 16 milhões de espectadores nas 3 primeiras temporadas de Lost não era em vão. Sua narrativa e estrutura (que era uma novidade na época), misturava as histórias na ilha com flashbacks certeiros sobre a vida dos sobreviventes. Uma ação no presente era justificada com um trauma do passado. Nenhuma série de TV na época tinha realizado tamanho absurdo.

O elenco formado por 14 protagonistas nos primeiros anos (apesar de nenhum dos atores e atrizes ser tão famoso), também foi um grande desafio. Além é claro, de alguns personagens secundários ganharem momentos sublimes nas mãos dos roteiristas.

 

Trilha está atrelada a emoção

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A trilha incidental de Michael Giachino é a cereja do bolo de uma produção praticamente perfeita. Momentos apoteóticos – e até os bobos – eram potencializados pela trilha. Em outros, as canções eram apenas o complemento para o que já estava diante dos nos olhos.

Os momentos e episódios de Hurley por exemplo, eram em sua maioria banais, mas guardavam uma inocência e uma carga emocional absurda. As mortes de Boone, Shannon nos braços de Sayid, Ana Lucia e Libby pelas mãos de Michael, Mr. Eko e principalmente a de Charlie, renderam cenas que serão eternizadas para sempre por todos os fãs de Lost.

Além de emocionar, a trilha era perfeita para causar tensão. Desde a simplicidade de uma máquina registradora que emulava o som do monstro de fumaça, a buzina que concluía alguns episódios e o violino nervoso, que ditava o ritmo daquele grupo em busca de respostas.

 

Lost foi uma experiência

A frase se encontra no passado, porque é praticamente impossível repetir a experiência que os fãs tiveram com Lost. Esperar quase um ano para a série ser exibida na Globo, baixar episódios durante a madrugada rezando para que a legenda estivesse correta, discutir teorias nas comunidades e inúmeros fóruns do Orkut, conversar com no máximo 2 amigos que assistiam, enfim.

Todo ser humano deve conhecer Lost, mas nem todos tiveram o prazer de viver Lost.

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Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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