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Livros e HQ's

Livros e HQ’s: The Walking Dead – Declínio


3 de maio de 2016 - 11:00 - Tiago Soares

A história de Lilly Caul (apenas).


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The Walking Dead teve seu início nos quadrinhos de Robert Kirkman desde 2003, e ganhou fama com a série de TV da AMC de 2010. Foi e ainda é um sucesso, tanto nas HQ’s como em outras mídias (TV, action figures, DVDs e jogos). Claro que não seria diferente nos livros. Após acompanharmos a saga do governador e toda sua história pregressa em A Ascensão do Governador (2011), O Caminho para Woodbury (2012), e A Queda do Governador pt. 1 e 2 (2013 e 2014), Kirkman e Jay Bonansinga seu fiel escudeiro, nos apresentam a história de Lilly Caul, (que já vinha sendo tratada antes mesmo que em menor ênfase), sobrevivente do ataque a prisão ao lado de seus amigos e posteriormente, liderados.

Os autores não tem trabalho em fazer com que nos importamos com Lilly, afinal a personagem já vinha sendo apresentada nos livros anteriores, em paralelo a história de Philip Blake (Governador). Cheia de carisma e voz ativa, a garota acaba caindo nas graças dos habitantes que restaram e se tornando uma líder, mesmo sem querer tal cargo. Afinal a jovem tinha acabado de perder seu “líder”, seu amor e de ter sofrido um aborto espontâneo.

Ao lado de Bob Stookey fazendo a figura de um pai e conselheiro, a moça tenta ser uma líder nata, assim como o Governador, mas sem sua tirania. Faz listas, delega funções e reuni um pequeno conselho da cidade para que a ajude a tomar decisões mais sérias que envolvem todos. A trama tem início com a chegada de Calvin Dupree e sua família. Religiosos ferrenhos, a família está acabada, fisicamente fraca e psicologicamente instável, precisam da ajuda de Lilly, tanto como ela precisa de mãos para ajudá-la. Mas o grande problema está em Meredith Dupree, mulher de Calvin, a mesma não é quem aparenta ser em sua casca de mãe de família. Com uma doença mental, além do fanatismo, Meredith põe todos em perigo, em uma sequência digna dos melhores filmes de suspense, que faz a imaginação ir além.

O afeto de Lilly por Calvin e pela família Dupree, parece ser forçado muitas vezes. É como se a protagonista não pudesse ser uma mulher independente, e “andar com as próprias pernas”. A pressa em estabelecer um arco maior a personagem, afeta um pouco a narrativa, pois a moça já é interessante. Em paralelo a ela, temos a saga de Reese, um jovem religioso, que sozinho parte em busca de ajuda para o seu grupo que está preso em uma igreja e algo que acontece chama sua atenção, nos proporcionando um encontro inevitável em um mundo de coincidências.

A decisão de Jay e Kirkman por abordar outra história paralela me pareceu preguiçosa no início, mas mostra-se relevante com a adição do restante do grupo de Reese, em um resgate de tirar o fôlego. A adição do grupo liderado pelo Reverendo Jeremiah, é uma das melhores coisas que li na saga TWD. O fato de insistir no fanatismo religioso, nunca tinha sido abordado, em todas as mídias do produto. A construção do Reverendo, é algo simplório, mesmo que rasa, apresenta um puta personagem, que sabemos exatamente como é, por vezes aliado da protagonista e muitas vezes contrapondo suas ideias.

The Walking Dead – Declínio, o quinto livro da saga de Lilly Caul, agora mais protagonista que nunca, é uma aula de suspense, tensão e construção de personagens que amamos, odiamos e porque não, amamos odiar.


Obs: A história continua no sexto livro, intitulado The Walking Dead – Invasão, em breve um review do mesmo.


“Eis que vem o dia do Senhor, cruel, com ira e cólera, para tornar a terra em desolação e destruir os pecadores dela’” (Isaías 13:9)