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O prazer de comprovar uma boa adaptação

Perdido em Marte foi um dos filmes que eu mais gostei nesse ano, então eu não perdi tempo e resolvi ler o livro que deu origem ao filme e já se tornou um best-seller nos EUA. A leitura é tão interessante e divertida quanto o longa, mas a melhor coisa ainda é poder chegar aqui e dizer que a adaptação é simplesmente sensacional.

O livro, escrito por Andy Weir, possui exatamente a mesma história do filme, logo segue as desventuras do astronauta Mark Watney após ele sofrer um acidente ficar sozinho em Marte por quase 2 anos. Suas maiores fontes de sobrevivência acabam sendo sua vontade de viver, seu bom humor e, claro, sua inteligência.

A primeira coisa que chama a atenção no livro é que ele é muito bem escrito, principalmente se considerarmos que ele saiu das mãos iniciantes de um engenheiro de softwares que pode ser considerado um nerd de assuntos ligados a físicas relativas e vôos espaciais para o espaço. Tudo fica ainda mais interessante quando a leitura vai te mostrando que Andy Weir conseguiu fazer com sua primeira experiência literária fosse uma mistura sensacional entre suspense, comédia e a ciência que ele tanto ama.

Assim como no filme, o que segura toda essa história e prende o leitor é a personalidade extremamente otimista do seu protagonista, já que Mark Watney não perde o bom humor e nem se abala com nenhum problema. Inclusive algumas criticas ao filme (incluindo a minha) apontavam que faltou um pouco de explosão dramática na atuação sempre sorridente e leve de Matt Damon, no entanto é importante deixar claro que o personagem age dessa mesma forma no livro.

Perdido em Marte

Na verdade, Perdido em Marte tem algumas adversidades que ficaram de fora do filme e Mark sempre age da mesma fora: para, pensa, decidi sobreviver, coloca a ciência no jogo e resolve o que tiver acontecido. Pra dizer mais, o Mark descrito por Andy Weir tem ainda menos papas na língua, fala mais besteiras e faz muito mais referências à cultura pop, sendo que, além de Elrond e Homem de Ferro, tem um momento ligado ao Aquaman que é particularmente genial.

Depois desse desenvolvimento todo, que pode chegar a ser um pouco repetitivo, ainda temos o clímax da história. Esse provavelmente é o momento onde o livro mais se diferencia do filme, já que esse troca a função de alguns personagens no momento final da missão e cria um momento a parte que se passa na Terra. Mesmo assim, o suspense é muito bem realizado e ambos os formatos conseguem deixar o leitor (ou espectador) roendo os dedos.

No fim das contas, Perdido em Marte é um livro espetacular que sabe brincar com a ciência, com o humor e com os pontos de vista para prender o público dentro de suas páginas e se tornar facilmente memorável. É um livro real e muito bem escrito que deixa ainda mais claro o quanto o roteiro do longa foi muito bem feito. Assim o resultado não podia ser outro a não ser afirmar que os dois projetos conseguem ser totalmente recompensadores, então assista e leia agora!

Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

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1 Comment

  1. […] em uma espécie de náufrago espacial. Curiosamente, uma história muito parecida com a do livro e do filme Perdido em Marte, que já foram assunto por […]

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