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Fullmetal Alchimist é um mangá da autora Hiromu Arakawa, que foi publicado pela Monthly Shonen Gangan entre 2001 e 2010, num total de 108 capítulos, tendo também duas adaptações animadas, uma em 2003 e outra em 2009, dentre outras para diversas mídias. A história se desenvolve num mundo baseado na Europa pós Revolução Industrial, com uma pegada meio steampunk, onde a alquimia é algo usual e até institucionalizado pelo exercito.

O mangá acompanha a saga dos irmãos Edward e Alphonse Elric na busca de recuperarem seus corpos originais, perdidos numa tentativa frustrada de realizar transmutação humana. Para isso, o irmão mais velho, Edward Elric, resolve se tornar um Alquimista Federal e acaba descobrindo um plano envolvendo todo o país.

Apesar de ser um shounen – estilo de mangá direcionado ao publico masculino jovem – FMA já começa tocando em assuntos mais sérios como religião, manipulação doutrinária e o limite da ética na busca por conhecimento.

Mas FMA também tem humor e é muito bem distribuído, sendo a maioria das piadas engraçadas – nem sempre o humor oriental coincide com o que nós, ocidentais, estamos acostumados – fora que ajudam a manter o tom de aventura na história, mesmo com o roteiro complexo e tramas densas.

E é no roteiro que está a principal qualidade deste mangá. Toda a trama é bem amarrada, nenhum ou quase nenhum personagem deixa de ser desenvolvido e mesmo as histórias paralelas à trama principal servem para explicar algo ou fazer com que algum personagem cresça. Trama essa que começa a ser desenvolvida desde os primeiros capítulos e vai se tornando cada vez mais elaborada até alcançar um clímax com direito a uma cidade sitiada.

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Ao longo dos 108 capítulos, a autora introduz personagens coadjuvantes e vilões cativantes. Desde Roy Mustang, que poderia muito bem ser o protagonista, passando por Maes Hughes, com quem se cria simpatia logo de cara, e chegando a Scar, personagem completamente cinza que oscila entre vilão e anti-herói, tendo um dos arcos mais complexos e bem desenvolvidos de toda a série, pode-se listar mais de uma dezena de coadjuvantes e secundários com peso para a história e com um bom background.

Os Homunculi, vilões da história, também são excelentes. Esse grupo de vilões é formado por 7 personagens, com cada um  tendo o nome e as características de um pecado capital: Pride (Orgulho), Wrath (Ira), Lust (Luxúria), Gluttony (Gula), Envy (Inveja), Greed (Ganância) e Sloth (Preguiça).  Além de movimentar a trama e servir como antagonistas, os Homunculi servem também como ponto de reflexão para muitas atitudes humanas.

Fullmetal Alchimist tem vários pontos de reflexão, com temas bem pesados, como os já citados religião, doutrinação e ética, além de xenofobia, autoritarismo, corrupção, utilização da ciência para fins bélicos, o que é ser um humano e o limite das atitudes humanas. E para gerar tais reflexões, a autora não tem medo de tornar seus personagens mais cinzas. No decorrer da história os protagonistas são mostrados em situações moralmente duvidosas assim como os vilões tomam atitudes extremamente humanas.

A maneira com que a autora humaniza os personagens é excelente. Os próprios irmãos Elric começam cometendo um pecado, como eles mesmos chamam, completamente reprovável, movidos por egoísmo. Mas é na Guerra de Ishval que vemos que conceitos como bom e mal dependem do ponto de vista em que se olha. Esse evento mostra o horror da guerra e também que heróis como o Coronel Roy Mustang e o Major Armstrong tiveram que cometer atrocidades para conseguir tal título. Não que eles quisessem, mas a barbárie aconteceu do mesmo jeito.

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É desse evento que também sai Scar, um homem pacífico que após sobreviver ao massacre a duras custas se vê numa jornada por vingança e descoberta. Scar é um personagem complexo! Ao mesmo que é cruel é também compreensível. As injustiças sofridas corroboram a busca por vingança? Será que vale a pena viver nesse ciclo vicioso?

Apesar de em diversos momentos não parecer, Fullmetal Alchimist continua sendo um shounen, inclusive se tornando demasiadamente grandiloquente nos últimos capítulos, na batalha final. Os acontecimentos acabam tomando outro patamar e a história quase se perde nas ultimas explicações, mas mesmo assim o final em si é agradável e a obra como um todo se mantém quase irretocável.

Fullmetal Alchimist é uma excelente leitura. Com bons traços e um ótimo roteiro, a obra é muitíssimo recomendável, mesmo para quem não está acostumado à mangás, levando em consideração também que são poucos capítulos se comparado a outros quadrinhos japoneses (Naruto: 700 capítulos; One Piece: 827 e contando; etc).  Todas essas qualidades fazem de FMA o melhor mangá que já li.


OBS 1: O meu muitíssimo obrigado aos meus amigos Luiz Guilherme e Rodolpho Piol.

OBS 2: Recomendo muito assistir a segunda adaptação em anime também, FMA: Brotherhood.

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