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A trilogia Millenium, idealizada e escrita pelo sueco Stieg Larsson, é uma das séries de livros mais vendidas do mundo e, com total certeza, figura na seleta lista dos meus livros favoritos, então eu não poderia deixar de ler essa continuação. De fato, não sabia o que esperar desse reencontro sem a escrita característica de Larsson e acabei me surpreendendo com uma leitura que escorrega um pouquinho, mas consegue prender a atenção com muita qualidade em A Garota na Teia de Aranha.

O quarto livro da saga continua seguindo seus protagonistas originais, Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander, quando eles tem que se unir para lidar com uma invasão aos computadores da NSA e proteger uma criança autista que teve o pai assassinado. A questão é que – pra variar um pouquinho – nada é o que parece e mais uma parte do passado da hacker vai voltar para atrapalhar a história.

A história possui muito do estilo existente nos livros anteriores e David Lagercrantz, jornalista cujo o trabalho mais conhecido é a biografia do jogador Zlatan Ibrahimovic, consegue emular muito bem a escrita do Stieg Larsson. Alguns momentos mais fantasiosos e outros em que a descrição geográfica parece ser confusa deixam claro que eles não a mesma pessoa, mas seria injusto dizer que David não foi capaz de manter a divisão da história em dias, criar uma verdadeira teia de histórias paralelas e, por fim, conectar tudo através de um jogo de ponto de vistas que é tipico do material original.

Da mesma forma, A Garota na Teia de Aranha acerta ao manter intactas todas as principais características dos personagens principais, dando até um pouco mais de profundidade e peso para alguns deles. Inclusive é muito fácil perceber o quanto o tempo passou para um Mikael muito mais reflexivo e, de certa forma, inútil dentro do universo das redes sociais. Tudo isso é muito bem abordado através da atualização da história para essa época movida por novas tecnologias, onde a sociedade parece estar cada vez mais dependente de defensores como Lisbeth Salander.

A maneira como David aborda esse universo tecnológico acaba sendo o ponto mais interessante de A Garota na Teia de Aranha, porque ele consegue manter as criticas sociais idealizadas por Stieg (um ativista que lutava firmemente contra o machismo e o racismo) e ainda dar uma boa ampliada nessas criticas quando decide trabalhar com a espionagem industrial e com a questão da vigilância constante do mundo. É dessa forma que ele cria uma história cativante e cheia de ação que continua tendo boa parte do espírito de Stieg Larsson.

Entretanto, ele também erra um pouco e escorrega bastante na conclusão dessa teia intricada de acontecimentos. Eu realmente acredito que ele faz um bom trabalho no meio do livro quando ele amplia a mitologia criada por Larsson, começa a virar todas as cartas antes do esperado e faz com que o leitor não consiga parar, mas esse ritmo para de maneira brusca nas últimas 70 ou 80 páginas e o final acaba sendo meio incoerente dentro da criação de Larsson e até do próprio livro. É verdade que esse final é aberto e ele já confirmou duas continuações, mas ainda ficou soando um pouco estranho.

Ainda assim seria mais injustiça dizer que isso tira todo o mérito do bom trabalho realizado por Lagercrantz em A Garota na Teia de Aranha. Claro que ele não mantém toda a força daquela literatura policial cativante, cheia de personagens intensos e repleta de criticas sociais e politicas construída por Stieg Larsson, mas sua história também consegue prende a atenção dos leitores mais fiéis da saga, possui mais acertos do que erros e um grande potencial para resultar em uma ótima trilogia.


OBS 1: Hollywood vai pular os livros restantes e já vai adaptar esse livro para o cinema, então se preparem!

Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

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