AODISSEIA
Filmes

Judy: Um filme muito abaixo de sua estrela

“End of the Rainbow”


4 de fevereiro de 2020 - 12:13 - Tiago Soares

Com Renée Zellweger favorita ao Oscar de melhor atriz, “Judy: Muito Além do Arco-Íris” é um filme mediano e muito abaixo do que Judy Garland merecia.

É até surpreendente que uma estrela do tamanho de Judy Garland não tenha ganhado uma cinebiografia antes. Vendo “Judy: Muito Além do Arco-Íris”, é compreensível que a eterna Dorothy de “O Mágico de Oz” e Vicki Lester na segunda versão de “Nasce Uma Estrela”, não tenha sido adaptada, já que devido a sua história de vida complexa, não é um trabalho fácil, e neste caso, não foi nada memorável.

Concentrando-se numa fase de baixa na carreira de Judy, quando ela precisa deixar os filhos nos EUA e ir fazer uma turnê em Londres (lugar onde ainda é idolatrada), a produção de Rupert Goold é extremamente pessimista. A impressão que se tem logo no início e com a presença dos flashbacks na narrativa, é que Judy renderia muito mais com uma história do passado do que com uma do “presente”. Darci Shaw faz um ótimo trabalho como a jovem Judy, a todo momento os traumas do seu passado como os problemas com remédios e alimentação desregulada vem à tona.

Renée Zellweger brilha, não apenas por seu talento, mas devido a direção, já que ocupa a maior parte da obra, que não dá espaço para tramas paralelas ou seus coadjuvantes desinteressantes. Talvez por isso, “Judy” seja tão cansativo, apesar de pouco menos de 2 horas. O texto de Tom Edge, baseado na peça “End of the Rainbow” de Peter Quilter é fraco, e por vezes expositivo, já que que cada palavra proferida reafirma aquilo que já tinha sido deixado claro, seja em olhares ou atitudes.

Falando em atitudes, Judy é um filme de momentos inspirados. Os números musicais por exemplo, são excelentes, e nota-se a entrega de Renée em torna-los ainda mais incríveis. O primeiro, e principalmente o último (apesar de toda pieguice), sem dúvida são as oscar tapes da atriz. Cenas pontuais sobre sua personalidade difícil e solitária também serão lembradas, como no jantar entre estranhos e o momento onde come um simples bolo.

judy

“Judy: Muito Além do Arco-Íris” é frio como o inverno de 1968 em que a obra se passa, pois apesar de poucos momentos de catarse, o todo, ainda tem ausência de alma. Mesmo mostrando o problema da atriz com o álcool e as drogas, estamos diante de um filme burocrático e que não faz jus a estrela complicada que foi Judy Garland.