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Jóias Brutas é tão versátil quanto Adam Sandler

O melhor filme de 2020 até agora!


7 de fevereiro de 2020 - 16:32 - Tiago Soares

Novo longa dos Irmãos Safdie, Jóias Brutas é um buraco de tensão estrelado por Adam Sandler, na melhor atuação de sua divertida carreira.

 

Quem conhece os Irmãos Safdie, sabe que eles bebem bastante da fonte da tensão e do incômodo. É fácil se apegar aos seus protagonistas, por mais que suas atitudes não sejam as mais louváveis, como a de Robert Pattinson em “Bom Comportamento”. Mas os motivos, na maioria das vezes, são de fácil compreensão. Em Jóias Brutas, o protagonista não é ninguém bonzinho, inocente ou mesmo bobo, pelo contrário, Howard é esperto, manipulador e tem uma boa lábia, mas sempre esbarra em forças além do seu alcance, as do destino.

Aqui, os Safdie escalam um diferente Adam Sandler para viver Howard Ratner, um bicheiro que vive de apostas, penhores e do poder de suas promessas. Howard deve uma grande quantia ao primo judeu Arno (Eric Bogosian), e tem uma joalheria que parece viver seus últimos dias em Nova York. Junto com o parceiro Demany (LaKeith Stanfield), presenciam a chegada de um gigantesco diamante não lapidado, que ele acabou de contrabandear da Etiópia. A joia promete mudar a vida deles e interessa demais ao astro do basquete Kevin Garnett (sim, o próprio). Em casa, as coisas também não estão muito boas com a mulher Dinah (Idina Menzel) e começam a se estreitar com a amante Julie (Julia Fox).

jóias brutas

Benny e Josh Safdie aceleram a produção como se tivesse saído de uma música do Eminem. A edição surtada e a trilha sonora propositalmente incômoda, faz com que o espectador perca a cabeça a todo momento. Isso porque, Howard está a todo tempo apostando, pegando emprestando e penhorando coisas, tudo isso próximo a sua joalheria. Nos poucos momentos que vai em casa, só troca de roupa e sai, mal vê os filhos ou fala com a mulher, ele está vivendo intensamente, e isso é palpável.

Adam Sandler some em meio as peripécias de seu personagem, mas ao mesmo tempo mantém seu carisma característico. A grande atuação de sua carreira e particularmente a melhor do ano passado, carrega as nuances de alguém que deseja um pouco de paz, mas também não consegue viver sem emoção. Howard se ferra, tem poucos momentos de calmaria, mas logo a frente se arrebenta novamente, só para reforçar coisas que ele já sabia. Não se pode vencer sempre.

Sandler é um bom ator e sabe disso, mas está confortável em seus filmes de comédia, e não há julgamentos, afinal, todos precisam pagar suas contas. Mas, em “Jóias Brutas”, ele se entrega a uma montanha russa de loucuras, em que ocupa 99% da ação. A inicial colonoscopia revela que há bens muito mais importantes que o dinheiro, mas Howard parece não ligar pra eles. Sua saúde vai bem, sua confiança nem tanto.

Mantendo o suspense durante os 130 minutos de duração, Uncut Gems (no original), tem um roteiro que prende a atenção, e que deveria ter sido lembrado no Oscar. Um filme onde escolhas ruins vão virando uma grande bola de neve, mostrando os males do vício em jogos, a busca pelo american dream e a sede de vitória.