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Após 9 anos, ICarly retorna como um grande amigo de infância que não vemos há anos


ICarly pode ser apenas uma série boba da infância para aqueles que não são fãs. Alguns amigos até a classificaram como algo ruim, mas a verdade é que poucos pessoas pegaram as nuances das 6 temporadas e 97 episódios, que iam desde piadas sexuais, até crises existenciais banhadas a busca por identidade e aceitação.

No meu caso a série tem um significado importante, por ser umas das primeiras que vi com meu pai. Em meados de 2008, na Nickelodeon, assistíamos ICarly logo após Drake & Josh, muito antes da série ser exibida na TV Globinho ou na Band, e antes de tomar conhecimento dos abusos do criador Dan Scheneider, persona non grata na Nick, mas criador de inúmeras séries de sucesso como Zoey 101, a própria Drake & Josh, Brilhante Victoria e por aí vai.

Dito isso, é inegável temer um retorno a série que praticamente nos apresentou a internet, numa época em que isso já faz parte da nossa rotina. Do que o novo ICarly vai tratar? Onde estavam os personagens todo esse tempo? Porque Sam não retorna? Essas e outras perguntas tiveram respostas nos primeiros 3 episódios da série, lançados na quinta (17), na Paramount+ dos EUA, e que só chegam ao Brasil em meados de agosto/setembro.

Do que se trata o revival de ICarly?

Na série original, Sam e Carly apresentavam um programa de entretenimento online, produzido e dirigido por Freddie. Agora, 10 anos depois, Carly, Freddie e Spencer retornam ao estúdio, mas dessa vez também precisam lidar com os dilemas da vida adulta, como família, emprego e relacionamentos.

Além de Miranda Cosgrove, Nathan Kress e Jerry Trainor retornando aos papéis originais, novos atores entraram para o elenco como Lacy Mosley, que interpreta a nova melhor amiga de Carly, e Jaidyn Triplett, enteada de Freddie.

A atriz Jennette McCurdy (Sam) não participará do revival, pois decidiu se aposentar da carreira de atriz e se dedicar somente a direção e roteirização de novos projetos.

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Foto: Divulgação

Onde está cada personagem?

Desenvolvida por Jay Kogen (Os Simpsons) e Ali Schouten (Campeões), o revival se passa 10 anos depois da série original, após Carly voltar da Itália e terminar a faculdade. Ela deseja voltar com o web-show online, mas tem medo da recepção, ao mesmo tempo em que conversa com Freddie e expõe sua saudade de Sam.

Nesse momento, Carly revela o paradeiro da amiga, que como sabemos, não retornará nessa nova fase. Para quem não lembra, no fim da série original, Sam ganhou de presente uma motocicleta e entrou em uma gangue conhecida como Os Obliteradores. Ela continua em viagem com a mesma gangue, o que é um fim digno para a personagem.

Seu irmão Spencer se tornou um artista rico e famoso, e Carly vive no mesmo prédio que ele e Freddy, que já passou por dois divórcios, abriu uma empresa que faliu, voltou a morar com sua mãe Marissa, e adotou Millicent, sua enteada.

Aliás, ela e Harper (colega de quarto de Carly), são ótimas adições ao elenco. Milicent parece fazer as vias de “chatinha” sendo um puro suco da geração Z, reclamando e zombando de tudo, enquanto Harper esbanja simpatia e ironia (ter um personagem que odeia as esculturas de Spencer é ótimo), além de ser bissexual, algo naturalmente inserido na trama.

Foto: Divulgação

O que achamos desse retorno?

Atualizando as piadas e comentários para combiná-los com a geração atual, o revival de ICarly é um produto de sua época. Saem as transições na tela de um computador (que eu adorava), e entram as paisagens de Seatle. Saem os problemas escolares do ensino médio, e entram os da vida adulta, desde falta de emprego, relacionamentos e busca pelo verdadeiro propósito.

No primeiro episódio, Carly retorna com seu programa, mas não sem antes ter o coração partido. A personalidade e o carisma de Carly continuam lá, com uma pitada de amadurecimento – mas não muito – a ponto da personagem tomar decisões erradas que nos divertem.

No segundo (meu favorito), Carly precisa lidar com um hater. Daí vemos todas as decisões erradas que os personagens podem tomar, criando momentos hilários, principalmente provindos de Spencer, que permanece com seu humor corporal excelente.

Foto: Divulgaçaõ

No terceiro (particularmente o mais fraco), Miranda recria o famoso meme de Drake e Josh, num episódio que fala da era dos memes e da subjetividade da arte. Apesar de comentários ácidos a juventude de hoje, algumas piadas não funcionam, estendendo momentos e tornando-os cansativos.

Sendo assim, o revival de ICarly tem tudo para alegrar os fãs nostálgicos, ao mesmo tempo em que acerta ao não abordar a pandemia em sua narrativa (algo que já saturou há um tempo). Ansiosamente vamos esperar as próximas semanas.

Ps: Mary Scheer continua com um time cômico impecável como mãe de Freddy.


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Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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