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Para onde vai How to Get Away With Murder?


É correto afirma que How To Get Away With Murder precisa se reinventar. Não tivemos uma temporada ruim, nem de longe, e você pode ler a crítica da primeira parte aquiA tensão se manteve, e a alta dose de mistério também, a pergunta que fazemos é: Até quando isso vai se sustentar, sem se tornar cansativo? É claro que pelo andar da carruagem, e pelo seu título óbvio, que HTGAWM é uma série que precisa de assassinatos ocorrendo para que ela funcione e crie curiosidade no espectador.

Até o momento todas as temporadas e mid seasons se apoiaram nisso. Por isso HTGAWM, não é recomendada para uma maratona de episódios, e sim degustada a cada semana, já que um mistério te prende até a semana seguinte. A riqueza da série está exatamente em colocar nossos queridos (outros nem tanto) personagens principais em situações absurdas, fazendo com que o caráter de todos seja testado, e suas atitudes reflitam no decorrer da história.

A segunda parte desta temporada de How to get away with Murder brincou com nossa sentimento ao nos perguntarmos a cada episódio, quem afinal matou Wes e como ele morreu. Vários personagens foram indagados, e ficamos apreensivos para que um elemento fora da nossa “zona de conforto” tenha sido o verdadeiro culpado, um ponto a menos a série.

Essa crítica contém alguns spoilers

Começamos do exato ponto aonde a primeira parte parou. Wes está morto. Mas como dito na primeira parte, o jovem não ia deixar a série tão cedo, e o episódio de retorno, nos traz o ator Alfred Enoch de volta, em flashbacks de interação com cada membro do grupo, mostrando que sua relação com todos ia além do que era visto.

Wes era sem dúvida o mais carismático e o único que tinha a facilidade e a sinceridade de conversar com todos, talvez por isso sua falta foi tão sentida. O criador Peter Nowalk opta por dar uma fotografia colorida e cheia de cores vibrantes a essas cenas, bem diferente do ar sombrio da série que permeia os flashbacks de horas antes da morte.

Annalise continua presa, e a agora oscarizada Viola Davis, ainda entrega uma grande atuação na pele da professora. Diferente nessa segunda parte, já que Annalise está presa. Viola tem uma atuação mais contida e interiorizada. Todo o glamour da personagem é desfeito, sintetizado em uma bela cena aonde a própria corta os próprios cabelos com uma gilete. Estamos diante de uma mulher quebrada, e a sua casa em ruínas (pra qual ela volta posteriormente para buscar algo de bastante significado), acaba virando uma metáfora de si mesma.

O restante do grupo continua bem, mas falta um pouco de desenvolvimento em alguns. Asher (Matt McGorry) faz mais parte do grupo, mas continua sendo o alívio cômico as vezes forçado, o mesmo com Oliver (Conrad Ricamora) que se limita a depender de Connor (Jack Falahee), mais uma vez usado como suspeito, o rapaz de índole duvidosa repete os surtos de temporadas anteriores.

Laurel (Karla Souza) tem mais destaque com a morte de Wes e a atriz consegue segurar a carga dramática, mas a postura sem medo da personagem ainda está lá, assim como a de Bonnie (Liza Weil) que parece uma máquina em cena. Frank (Charlie Weber) não sai da zona de conforto e Nate (Billy Brown) apesar de ter carisma natural atua no automático. Talvez a mudança mais significativa além de Annalise seja a de Michaela (Aja Naomi King) que assume uma liderança temporária. Ainda bem que o roteiro fez questão de ignorar a figura da mãe e focar em outros assuntos.

Os coadjuvantes roubam a cena quando estão em foco. Na prisão, a companheira de cela de Annalise, Jasmine (L. Scott Caldwell, a Rose de Lost) entrega uma atuação sábia repetindo os tempos de Lost, enquanto Benito Martinez surge como a figura vilanesca com seu Todd Vender.

How to get away with Murder continua com um belíssimo trabalho de edição e ritmo acelerados, um de seus principais trunfos, não é recomendado ir ao banheiro ou mexer em seu celular sem pausar, pois pode perder importantes detalhes. O mesmo recurso de tempo usado na season finale passada volta nesta, causando repetição, mas sendo mais uma vez muito bem feito, até revelar a trágica morte de Wes.

E é exatamente aí que os principais defeitos da temporada aparecem. Primeiro a repetição, mais uma vez digo que How To Get Away With Murder precisa se renovar. Os mistérios são bons, mas se repetiram demais neste ano. Talvez terminar sem nenhum gancho como essa temporada terminou tenha sido um sinal de que a série volte diferente no quarto ano. Outro erro foi trazer um personagem novo para matar Wes. Se alguém do próprio convívio deles tivesse cometido tão ato, as discussões seriam bem mais interessantes.

Mesmo sem um cliffhanger, duas questões ficam na mente após esse fim: Por que o pai de Laurel mandou matar Wes e o discurso final de Annalise, seria Wes filho dela? Isso serve para mostrar que a morte do jovem ainda irá repercutir muito na 4ª temporada, assim como a morte de Rebecca ocorrida no primeiro ano, foi crucial para o fim deste. Resta torcer para que How to get away with Murder, uma das melhores séries da atualidade, não caia em desuso pela repetição, e se isso estiver próximo de acontecer, que termine logo em alto nível, para não se tornar esquecível.


Obs: Dos 6 episódios da segunda parte de How to get away with Murder, 5 são dirigidos por mulheres: Jennifer Getzinger (episódio 10 “We’re Bad People“), Nicole Rubio (episódio 11 “Not Everything’s About Annalise“), Cherie Nowlan (episódio 12 “Go Cry Somewhere Else“), Hanelle M. Culpepper (episódio 13 “It’s War“), e Jet Wilkinson (episódio 14 “He Made a Terrible Mistake“).

 

How To Get Away With Murder

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Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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