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Homem-Aranha: Longe de Casa é um presente para os fãs

O verdadeiro encerramento da Saga do Infinito é um filme completo!


4 de julho de 2019 - 12:18 - Flávio Pizzol

Por mais que a confirmação oficial de que esta seria a última parte da Fase 3 da Marvel só tenha saído nos últimos dias, a missão de Homem-Aranha: Longe de Casa nunca foi das mais fáceis graças ao peso que os filmes dos Vingadores costumam deixar pra trás. A expectativa ampliada por grandes eventos pode se tornar um monstro incontrolável nesses casos, mas o meu “arrepio de fã do aranha” sentia que o amigão da vizinhança tinha tudo para carregar esse fardo sem grandes dificuldades. E, dentro disso, fico muito feliz de garantir que a missão é cumprida em um incrível show de ação, comédia e referências aos quadrinhos.

Mas antes de qualquer coisa, precisamos falar sobre a trama da maneira mais genérica possível para, seguindo o padrão do MCU, não revelar qualquer surpresa de Longe de Casa ou até mesmo de Vingadores: Ultimato. Assim, vamos seguir os trailers e falar que a continuação acompanha Peter e seus amigos em uma viagem de férias pela Europa. Tudo descarrilha quando Nick Fury entra em cena com uma missão: ajudar um novo herói a impedir que quatro seres elementais destruam o planeta de uma vez por todas.

Uma história que, assim como sempre acontece em sequências, amplia a escala da história original com o objetivo de entregar mais personagens, desafios maiores e cenas de ação mais complexas. No entanto, atravessar diversos países não tira o fator intimista que é um diferencial do Aranha. Ele pode até exercer o papel de espião mundial em vários momentos do longa, porém nunca deixa de ser o adolescente nerd dividido entre heroísmo e vida real que precisava aprender lições mais pessoais do que o esperado. E a noção do quão isso é importante talvez mereça ser classificada como a grande sacada do texto escrito pela dupla Chris McKenna e Erik Sommers (Jumanji: Bem-Vindo à Selva e Homem-Aranha: De Volta ao Lar).

Homem aranha Longe de casa tom holland

Ainda que seja necessário admitir que eles enfrentam algumas turbulências para fazer a narrativa pegar no tranco durante o primeiro ato, também vale ressaltar que o texto sabe escolher as peças que merecem ocupar os espaços centrais de Longe de Casa. McKenna e Sommers respondem – com muita inventividade – algumas perguntas deixadas por Ultimato durante os primeiros dez minutos, constroem arcos que realmente acrescentam algo tanto à história quanto à jornada dos personagens, inserem referências de uma maneira que só fãs de verdade fariam e encaixam as peças maiores com segurança. É difícil comentar alguma coisa sem entregar surpresas contundentes, mas dá pra dizer, por exemplo, que a cartilha preparada na revelação do Abutre é bem replicada através de uma reviravolta que deixa o queixo do espectador no chão.

Esse é o ponto que vira de cabeça pra baixo a estrutura de road trip que serve como pontapé inicial e transforma uma simples aventura divertida do Aranha em algo mais. É a sacada que faz a produção pegar no tranco de vez e entrar em uma crescente que mexe com o coração do espectador, escancarando acertos de organização narrativa e desse tal equilíbrio que vai da escala até o tom do longa. Inclusive, esse último aspecto acaba sendo um exemplo de bom uso da Fórmula Marvel, já que Longe de Casa mistura ação, romance, comédia e sequências de pura emoção de um jeito tão cartunesco que captura a essência do protagonista e garante até mesmo um posto consideravelmente superior ao primeiro longa.

homem aranha longe de casa holland gyllenhaal

Entretanto, por mais que a dinâmica adolescente e as piadas já saiam direto do roteiro com alguma efetividade, seria injusto não destacar como o elenco funciona como a cola que junta todas as peças com química, bom aproveitamento das interações e momentos de destaque dentro de cada arco. Tom Holland (Z: A Cidade Perdida) mantém o título de melhor Homem-Aranha dos cinemas, esbanjando carisma e transitando com muito talento entre as tiradas engraçadinhas, a fisicalidade exigida pelas cenas de ação e um peso emocional que merece algumas lágrimas. Enquanto isso, Jake Gyllenhaal (O Que te Faz Mais Forte) conquista o espectador deste a sua primeira aparição, mas seu paternalismo ganha camadas que só um ator de calibre poderia carregar sem perder o fôlego.

Jon Favreau (Chef) e Zendaya (Euphoria) ganham mais espaço e o aproveitam com muito sensibilidade e carisma, entregando cenas que tem potencial para marcar o público. Jacob Batalon (Todo Dia), Tony Revolori (O Grande Hotel Budapeste) e Angourie Rice (Black Mirror) seguem o caminho contrário, mas usam o pouco tempo de tela que lhes resta com funções específicas, boas piadas e diversão. E, por fim, Samuel L. Jackson (Capitã Marvel), Marisa Tomei (A Grande Aposta), Cobie Smulders (How I Met your Mother), Martin Starr (Silicon Valley) e J.B. Smoove (O Rei da Polca) cumprem papéis mais pontuais de maneira funcional e acertada.

homem aranha longe de casa

Pra completar essa teia, a direção de Jon Watts (A Viatura) ainda ganha alguns pontos em relação ao longa anterior. Ele – que antes de trabalhar em De Volta ao Lar só tinha um longa no currículo – usa a experiência a seu favor, principalmente em relação ao timing cômico e a agilidade das cenas de ação. É verdade que os efeitos especiais do primeiro ato deixam a desejar e quebram parte da imersão durante alguns saltos, mas as peças se encaixam com coreografias bem conduzidas, uso bacana das cidades como cenário e um elemento de virtualidade que permite uma câmera mais “viva”. Essa dinâmica entrega cenas ágeis e menos picotadas que, além de mostrar os poderes do Aranha com efetividade, transportam o público diretamente para aos quadrinhos em pelo menos duas sequências espetaculares.

O resultado é um filme de ação/aventura que faz valer a regra de ser maior com doses generosas de impacto visual, enquanto o texto focado nos personagens e seus sentimentos humanos mantém o equilíbrio. Isso cria uma montanha-russa (daquelas feitas por fãs para fãs) emocional que arranca risadas, gritos, palmas e até algumas lágrimas daqueles que realmente se importam com o Universo da Marvel. Resumindo: Homem-Aranha: Longe de Casa é uma jornada divertida e poderosa que não só leva o Amigão da Vizinhança para lugares novo, como acessa aspectos novos de sua personalidade com o objetivo claro de prepará-lo para um futuro glorioso. Peter Parker sabe seu lugar no mundo e eu, como fã, não poderia estar mais ansioso pelo próximo passo dessa viagem.


OBS 1: As cenas pós-créditos são MUITO IMPORTANTES para o próximo filme do Aranha e para a continuidade do MCU. Não saia da sala!