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As Olimpíadas do Rio já acabaram, mas nós não cansamos de falar sobre as histórias mais intensas e emocionantes dessa edição que aconteceu tão pertinho de casa. Sem muita demora confiram as primeiras partes (aqui e aqui) e venham com a gente para mais três histórias cinematográficas!

  • Thiago Braz

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Sergei Bubka foi o maior nome do salto com vara. O ucraniano criou um muro em seu esporte, ao saltar 6,15m em 1993 e estabelecer um novo recorde mundial, que já era dele, por 35 vezes. À época, Bubka era treinado por Vitaly Petrov, um treinador do tipo carrasco, onde a excelência era a razão do seu trabalho. Petrov fez de Sergei uma lenda, assim como de Yelena Isinbayeva. A russa também foi treinada pelo ucraniano e fez história no salto com vara feminino, porém, essa fica para uma outra ocasião olímpica.

21 anos perdurava o recorde de Bubka, até que aparecera um francês para derrubar um muro construído a plenos saltos. Renaud Lavillenie botava abaixo, em fevereiro de 2014 uma hegemonia histórica e arrancava aplausos do mundo inteiro, ao saltar 6,16m. O francês desde então se mantém como o nº1 do esporte e sua glória máxima viria nas olimpíadas do Rio 2016. Ele só não contava com um sal da terra, cravado como bambu no morro, que lhe tiraria o brilho da glória e do ouro.

Thiago Braz, brasileiro, 22 anos. Abandonado aos dois anos, ele foi criado pelos avós. Esses sim merecem levar o título de pais, por serem responsáveis por um menino que sentava no quintal de casa e passava a tarde olhando para rua, esperando a volta da outra parte da família. Sentindo falta do abraço e do conforto de seus pais legítimos, Thiago viu no esporte a válvula para escapar a saudade. Muito promissor, começou a despontar nas competições de sua idade e via nas olimpíadas do Rio, em seu país, a oportunidade de mostrar que o filho abandonado superou a si mesmo e provou seu valor.

Thiago foi para Itália, treinar e treinar para os jogos. Voltou, sob olhares desconfiados, e avançou na competição. Até que o caminho de Lavillenie e do brasileiro se cruzaram. Thiago foi indo, despretensioso e chegou à final, justamente com o francês, que nada além do ouro buscava por aqui. Renaud saltou para 5,98m e vinha confortável para a confirmação, porém Thiago Braz elevou a marca para 6,03m. Lavillenie tentou, a torcida atrapalhou, ele ficou nervoso, não saltou o necessário e coroou o brasileiro como campeão olímpico com direito a recorde da competição. Thiago brilhou no alto do pódio, com a certeza de que estava em boas mãos. Seu técnico? Vitaly Petrov.

  • Michael Phelps

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O que faz de um atleta uma lenda? 26 medalhas olímpicas talvez não bastam. Mas sim, quebrar um recorde de exatos 2168 anos é para elevar status a um nível inimaginável. Michael Phelps fez isso. Arrancou de Leônidas de Rodes o recorde de maior campeão olímpico individual dos jogos antigos e modernos.

Phelps havia se aposentado em 2012, nas olimpíadas de Londres. Como de praxe, vencera tudo que disputou e não provou nada a ninguém. Apenas confirmava sua excelência. Mas a aposentadoria traz marcas profundas, machuca e destrói quem sempre viveu de uma única coisa e a fazia com maestria. Quando entrou na natação aos 7 anos, por força materna, talvez nunca imaginara que décadas depois, ia entrar em depressão por não fazer aquilo que começou sem seu consentimento.

O americano afundou em si mesmo, foi pego dirigindo embriagado, flagrado fumando maconha, perdeu patrocínios, dinheiro e prestígio. A fundura tava ali, escurecendo o brilho de quem marcou a natação para a sempre. Porém, com a força que ele mesmo usava para estraçalhar recordes e vencer seus adversários, Michael Phelps se reergueu. E braçada atrás de braçada buscou sua vida novamente. Voltou às águas e veio ao Rio2016. Talvez a dúvida pairasse sobre ele, questionando sua supremacia, mas Phelps sabia que o único adversário que podia combate-lo era ele mesmo.

Um menino de Cingapura, que 10 anos antes tirava foto com seu ídolo, foi a única onda que quebrara a ressaca que é Michael Phelps. Em 2016 o americano nadou à glória, escreveu seu nome na história e, dessa vez feliz, com filho e esposa, se retira para sempre, tendo cada detalhe guardado para si das linhas que escrevera numa competição milenar.

  • Vanderlei Cordeiro de Lima

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Redenção é o tema mais presente nas história esportivas. As inúmeras variações esportivas são recheadas a cada dia de causos belíssimos, onde o ser humano ultrapassa o limite do possível e se torna campeão. Mas também, o que poucos sabem, é que sim, é possível ser campeão sem conquistar um título. Vanderlei Cordeiro de Lima é esse tipo de campeão.

Era a última prova das olimpíadas de Atenas, o berço dos Jogos Olímpicos. O paranaense, de nome bem brasileiro e só um pouquinho holandês, liderava a prova, faltando pouco menos de 6km para o fim da prova. Eis que duas vidas se encontram e marcam para sempre a vida de ambos. Um padre irlandês, chamado Cornelius Horan, invade a pista e ataca Vanderlei. Não dava pra saber se o padre suicida portava algum tipo de arma no momento, como bem disse Vanderlei certa vez. Vale lembrar que esse mesmo padre havia invadido, dois anos antes, o GP da Inglaterra de F1 e por pouco não causou uma tragédia.

Com as forças dos deuses gregos, o brasileiro escapou de Cornelius e voltou atordoado à competição. A cada passo, seu semblante vinha de preocupação a desespero. Perdeu a primeira, e depois a segunda posição. Contudo, com a força do espírito olímpico, seguiu em frente e entrou no estádio olímpico. Feliz, mandando beijinhos para a torcida e fazendo aviãozinho, Vanderlei veio para o bronze. Agarrou-o como ouro e não largou mais.

Alguns anos depois, o brasileiro recebeu a medalha Pierre de Coubertin (entregue somente a 17 atletas no mundo), mas faltava algo. Doze anos depois do fatídico padre, em seu país, Vanderlei teve a oportunidade de brilhar como o ouro que fora arrancado de ti. Hortência, outro grande nome esportivo brasileiro, caminhava em sua direção, trazendo consigo o fogo olímpico. Vanderlei recebe a tocha e vai em direção à pira, num caminho menor, mas não menos importante que aquela maratona. Vanderlei Cordeiro de Lima enfim se torna campeão, acendendo a pira olímpica com o mesmo fogo que veio da Grécia, onde seu brilho começava.

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