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Especial

Globoplay na CCXP: Os 4 originais

Vamos falar sobre o que a Globoplay está preparando para o futuro.


13 de dezembro de 2019 - 00:52 - Flávio Pizzol

Disputando espaço em um mercado cada vez mais acirrado, Globoplay aposta em produções originais que flertam com gêneros e públicos diferentes.


Dona de um painel recheado de novidades desde sua primeira aparição na feira, a Globoplay aproveitou muito bem as oportunidades oferecidas pela CCXP e manteve seu bom trabalho com a divulgação de quatro produções originais em painéis divididos entre quinta e sexta.

O primeiro anúncio pegou embalo na abertura comandada por Cao Hamburguer, criador de Castelo Rá-Tim-Bum e grande homenageado dessa edição. Sua missão naquele dia era conversar com a galera sobre como seus trabalhos infantis marcaram época e envelheceram muito bem em termos de formato e conteúdo, mas ele aproveitou seu momento sob os holofotes para falar sobre alguns projetos futuros, incluindo um longa adulto e uma série chamada As Five.

A obra, produzida com exclusividade para o streaming, é um spin-off de Malhação – Viva a Diferença que nasceu com o objetivo de aproveitar o sucesso obtido pela temporada (vencedora do Emmy, por sinal) que havia sido comandada pelo próprio Cao. Como já era esperado diante disso, a trama vai acompanhar a vida dessas cinco protagonistas que conquistaram o público durante a novela após sete anos. Uma reunião marcada não só pela amizade entre elas, como também por dilemas ainda mais maduros, já que todas cresceram e evoluíram dentro de suas próprias realidades.

O elenco subiu no palco junto com o autor para falar sobre a química entre o elenco, avisar que a série vai abordar temas polêmicos sem medo e exibir um trailer que foi liberado para o público geral logo depois. Confira o vídeo abaixo:


Já na sexta, o painel exclusivo da Globoplay roubou a cena com outras três séries originais que prometem chamar atenção: Eu, a Vó e a Boi; Onde está meu Coração; e Desalma.

Escrita por Miguel Falabella com base em uma thread do Twitter, a primeira representante dessa lista é uma comédia moderna que acompanha a eterna guerra entre duas senhoras idosas que se odeiam há tanto tempo que já esqueceram o motivo da briga. Ingredientes inusitados que, segundo diretor do projeto, criam um diálogo bastante eficiente com essa polarização sem motivo que tomou conta da nossa sociedade nos últimos anos. Todos nós vivemos em uma época onde briga surgem da maneira estúpida possível e Falabella parece usar a série como um caminho para colocar o dedo na ferida.

Tudo orquestrado com a ajuda de inúmeras referências à cultura pop, soluções estéticas que aproximam a produção de um jogo de video game e um elenco impecável. Se já é impossível tirar os olhos do palco quando Arlete Salles e Alessandra Maestrini estão falando (ou cantando ópera), eu imagino que Eu, a Vó e a Boi tenha tudo para ser engraçada, satírica e hipnotizante.


Depois foi a vez de George Moura, Fábio Assunção, Mariana Lima e Luísa Lima subirem no palco para falar sobre Onde Está Meu Coração, uma produção pesada e super dramática que promete mergulhar o espectador no mundo dos dependentes químicos sem amenizar a pressão oferecida pela realidade.

A ideia, segundo o próprio criador, é falar sobre as drogas de maneira direta e honesta, mas sem fazer julgamentos ou dar respostas conclusivas. Para isso, a série vai acompanhar uma médica (interpretada por Leticia Colin) de classe média alta que, por causa dessa mistura tão comum entre autocobrança e busca pela excelência, acaba se rendendo às drogas e mudando a rotina de todos os seus familiares.

O trailer extremamente cinematográfico impactou quem estava no auditório, mas não conseguiu superar o momento em que Fábio Assunção fez um paralelo bastante pessoal entre o projeto e sua relação com a dependência. De acordo com o ator, o fato de ter conhecido vários lados dessa convivência com as drogas fez com que ele sentisse o peso das palavras ditas por seu personagem para a filha, já que ele sentia que estava falando tudo para si mesmo. Inclusive, ele fez questão de chamar atenção do público, dizendo que é muito melhor ter espaço para falar sobre esse assunto através da dramaturgia do que encarar suas imagens sendo transformadas em piada.

Confira o trailer e se prepare para encarar – de coração aberto – os dez episódios que devem estrear nos próximos meses:


Por fim, o terror tomou conta do painel com a presença de Ana Paula Maia, Carlos Manga Jr., Cláudia Abreu e Maria Ribeiro. Todos responsáveis por divulgar Desalma, um drama sobrenatural que usa como pano de fundo elementos reais da mitologia eslava que chegou ao Brasil através de imigrantes ucranianos que vivem até hoje no interior do Paraná.

Esse toque de realidade torna tudo mais palpável, cria uma vibe meio Midsommar e injeta algumas camadas a mais de medo ao que está sendo reproduzido na tela. De acordo com todos os participantes do painel, esse combo misturado com a pegada literária de Ana Paula Maia é o grande diferencial dessa primeira viagem da Globoplay por subgêneros do terror. Inclusive, o diretor garantiu que a série abrir portas para outras produções nacionais seguirem esse mesmo caminho cheio de referências a Kubrick, A Bruxa de Blair e até Bergman.

No entanto, vale avisar que, mesmo sendo classificada como um drama onde o sobrenatural surge com a necessidade de justificar as perdas, a equipe espera que Desalma assuste os espectadores. Afinal, estamos falando de um série de bruxa que tirou o sono da atriz Maria Ribeiro e trouxe o som pesado do Sepultura para o palco. A solução, considerando tudo isso, é assistir o trailer e preparar o psicológico para encarar o lançamento dessa série que ainda tem a gigantesca Cássia Kiss no elenco.