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Será que a humanidade tem jeito em Fundação, de Isaac Asimov?

  • Título: Trilogia da Fundação (livros Fundação, Fundação e Império e Segunda Fundação)
  • Autor: Isaac Asimov
  • Ano: 1951-1953
  • Edição: 2009
  • Editora: Editora Aleph
  • Páginas: 952
  • Gênero: Ficção Científica / Ópera Espacial

Escrita por Isaac Asimov em 1951, Fundação foi eleita em 1966 a melhor série de ficção científica e fantasia de todos os tempos e vencedora do Hugo. Ainda hoje, 55 anos depois, mantém o pódio. Inspirada no clássico A História do Declínio do Império Romano, de Edward Gibbon, essa Ópera Espacial trás não apenas uma aventura no espaço, mas uma aula de jogos de política e religião. A série literária está sendo adaptada para uma série de TV da Apple, com previsão para estrear ainda em 2021.

Asimov escreveu a obra entre 1942 e a concluiu em 1953, e desenvolveu vários livros e contos que se passam dentro desse mesmo universo. Seu romance de estreia, Pedra no Céu, já nos apresenta ao Império Galáctico, principal forma de governo no início de Fundação, no auge de sua força e poder. Mas nessa obra, é apresentado seu declínio.

fundação é um dos principais livros de isaac asimov

Qual a história de Fundação?

A história começa com um matemático, Gaal, chegando em Trantor, capital do Império Galáctico. A vista é impressionante. Todo o planeta é uma grande cidade, com prédios a perder de vista e nenhum verde visível. De cara, fãs de Star Wars vão reconhecer a fonte de inspiração para a capital Coruscant. Com um cenário futurista cheio de tecnologias como viagens espaciais, armas a laser e escudos, Fundação foi e continua sendo uma grande influência para livros, filmes e séries da ficção científica.

Ele só estava consciente do feito mais poderoso do homem. A conquista completa e quase desprezivelmente final de um mundo.

Gaal tem uma entrevista de emprego com Hari Seldon, o maior matemático e psico-historiador da história da Galáxia. A psico-história já havia sido apresentada anteriormente na obra de Asimov. De acordo com essa nova ciência, é possível, por meio de cálculos matemáticos, se prever o comportamento de populações inteiras com bastante precisão, mas nunca de apenas um indivíduo.

É uma ciência que depende de milhões e bilhões de pessoas para a precisão de seus cálculos. E por meio dela, Seldon previu que o Império Galáctico estava em um declínio, que poderia colocar toda a Galáxia em uma época de barbárie, da qual levaria mais de 30 mil anos para se recuperar. Seu plano não era impedir o declínio, pois este era inevitável, mas sim reduzir esses 30 mil anos para apenas um milênio. Para isso ele criou a Fundação na periferia da Galáxia, e a Segunda Fundação no seu extremo oposto.

O Império irá desaparecer o todo o bem que ele fez, também. Seu conhecimento acumulado entrará em decomposição e a ordem que impôs desaparecerá.

Escrita em formato de várias crônicas, Fundação é dividida em 3 partes: Fundação, Fundação e Império e Segunda Fundação. Cada crônica apresenta uma época diferente, de forma que não se tem os mesmos personagens sempre. A própria Fundação é a protagonista e personagem principal, de forma que acompanhamos mais de 300 anos de seu desenvolvimento.

A Fundação é instalada num planeta chamado Terminus. Com poucos recursos, mas grandes cientistas que, por meio de muita pesquisa, tecnologia e energia nuclear, conseguem aproveitar o melhor desses recursos e manter seu desenvolvimento tecnológico. Porém, Terminus está em uma região já muito afastada do Império Galáctico, e esquecida por ele, com diversos países que já se declararam independentes do Império, cada um com um novo rei.

A partir daí, acompanhamos as crônicas, sempre focadas no ápice das “crises Seldon”. Em épocas-chave, uma crise ocorre gerando conflito entre a Fundação e outras nações, e seus governantes ou personalidades chave precisam fazer o melhor pra sair dessas crises. É ai que os jogos de política e religião surgem.

A violência é o último refúgio do incompetente.

Foto: Reprodução

O livro Fundação, de Isaac Asimov, vale a pena?

O primeiro volume, Fundação, foca no desenvolvimento dessa pequena nação, que vai ficando grande na periferia do Império. Já o segundo volume, apresenta conflitos entre ela e o que sobrou do Império Galáctico. Mas também apresenta um grande vilão para a Fundação, e um dos mais famosos da ficção científica — o Mulo.

A psico-história é capaz de calcular o comportamento de multidões, milhões e bilhões de pessoas. Seldon calculou o comportamento de quartilhões para suas previsões do declínio do Império Galáctico e do sucesso que a Fundação poderia ter para diminuir o tempo da barbárie, mas não poderia calcular o comportamento de um só indivíduo.

As crônicas no primeiro livro foram, em geral, mais rápidas, com uma mudança grande de personagens e acontecimentos. Porém, em Fundação e Império, temos uma estabilidade maior, consequência de uma estabilidade maior entre as crises. Mas entra uma crise que Seldon não previu e, até o terceiro volume, Segunda Fundação, acompanhamos a crise do Mulo.

O Mulo, um mutante, é realmente um dos vilões mais emblemáticos da ficção científica. Acredito que seja um dos primeiros que eu li, e um dos mais antigos, a tentar mexer um pouco com o psicológico do próprio leitor. A fixação dele é encontrar a Segunda Fundação, a qual Seldon mencionou estar “no outro extremo da galáxia” e nada mais, tendo sido o único registro conhecido sobre essa outra nação, nada mais sendo revelado sobre ela. Assim, ele acredita que a Segunda Fundação pode ser a única coisa com o poder de pará-lo.

Para ter sucesso, apenas o planejamento não é suficiente. Deve-se improvisar também.

Asimov brinca com o leitor em cada crise. Apesar de que algumas são resolvidas pela “lógica óbvia”, ficamos de queixo caído ao final de cada crônica, mostrando que nem sempre o óbvio é tão facilmente visto assim. Mas uma coisa podemos aprender com Fundação, não só ela remete a queda do Império Romano, mas podemos ver padrões em vários outros momentos da história. Dá até para acreditar que a psico-história pode um dia sair dos livros da ficção científica e se tornar verdadeiramente uma ciência.

Outras obras exploram as capacidades da matemática além de Fundação. Hoje em dia existe a Teoria do Caos, campo de estudo da matemática que, através de sistemas complexos, tenta prever alguns padrões. Essa teoria já foi explorada também na literatura de ficção científica no livro Jurassic Park, apresentada pelo personagem do matemático Ian Malcon que, através de seus cálculos, prevê que a construção de um Parque de Dinossauros vivos está fadado ao fracasso. Poderia a Teoria do Caos ser uma sementinha para a psico-história?

Foto: Reprodução

O que achamos de Fundação?

Fundação é uma obra que se passa milhares de anos no futuro, mas que nos faz olhar para nosso passado. O aprendizado é um pouco desanimador: ciclos que se repetem. Não só a queda do Império Romano, mas a de Alexandria, e diversos outros. Quantas cidades ou países já foram considerados capital do mundo e agora estão em declínio?

Quantas vezes a maior potência do planeta já mudou de nome e endereço? A sua cidade não tem um bairro que já foi o mais importante e badalado, e agora está abandonado, com lojas fechadas, casas depredadas e ninguém quer passar por ali de noite? Você não estava torcendo pra Gil e Sarah no início do BBB21 e agora não quer mais nem ver eles no pódio?

Durante esse tempo todo, vocês invariavelmente confiaram na autoridade ou no passado…e nunca em si próprios.

Não importa a escala, temos ciclos de ascensão, auge e declínio em inúmeros exemplos de cidades, países, impérios e até pessoas. Espero que um dia, quem sabe, surja alguma psico-história, um Hari Seldon e uma Fundação para ajudar a humanidade a caminhar para um período de prosperidade mais concreta.

Se interessou? A Editora Aleph tem duas edições da Trilogia da Fundação, um volume único ilustrado, em capa dura, e recentemente reimprimiu o box com os três livros separados com uma nova capa. Todas as edições contém material especial sobre a obra.

 Aqui é a Liv do Resenhas Caóticas, e se você quer acompanhar mais as minhas leituras, me siga no Instagram @ResenhasCaoticas. Obrigada e até a próxima.

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Livia Salzani

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