Fresh – Crítica | Romantismo perturbador

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Foto: Divulgação Star Plus

Fresh carece do frescor prometido pelo título e não entrega nada realmente novo, mas oferece diversão suficiente com uma montagem rápida, marcada pela trilha sonora cativante


Texto escrito por Raissa Sanches

Qual a trama de Fresh?

Após diversas tentativas frustradas de conhecer pessoas por meio de aplicativos de namoro e encontros decepcionantes, Noa (Daisy Edgar-Jones) decide dar uma chance para um romance a moda antiga com um rapaz misterioso chamado Steve (Sebastian Stan), que ela conhece em um supermercado. 

A princípio, a garota parece estar vivendo uma verdadeira comédia romântica, mas ao aceitar passar o fim de semana com ele, Noa descobrirá os gostos peculiares de seu novo pretendente.

Fresh - Crítica | Romantismo perturbador 3
Foto: Divulgação Star Plus

O que achamos do filme?

Em seu primeiro ato, Fresh se trasveste de comédia romântica. A nossa representante em tela é uma mocinha “comum” que cruza o caminho de um médico charmoso e bem-sucedido, por quem ela rapidamente se apaixona

A primeira vez que se conhecem ocorre em uma cena bastante iluminada, e existe uma distância natural entre eles, mas a partir do primeiro encontro – sempre que o casal principal aparece em tela – a fotografia fica mais escura e amarelada, como se estivessem constantemente iluminados por velas. Há também a presença de uma trilha sonora lenta e sentimental e a diretora opta por planos mais fechados, com muitos closes, evidenciando a repentina proximidade

Após passarem a primeira noite juntos, ele aparece dormindo iluminado por um único feixe de luz que entra pela janela do quarto, como se fosse um ser divino em um sonho, pois é assim que a protagonista o enxerga.

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Foto: Divulgação Star Plus

É então que os dois partem em uma viagem, mas antes que cheguem ao seu suposto destino, temos uma revelação perturbadora a respeito de Steve. Esse é o começo do segundo ato. Desse ponto em diante a trilha sonora perde o romantismo emotivo, se tornando mais agitada. Já a fotografia se transforma, suas cores continuam quentes, mas deixam de transmitir paixão, passando a sugerir medo, raiva e claustrofobia

No final do segundo ato e começo do terceiro, a direção utiliza planos detalhe e holandeses (tela inclinada), para deixar claro o desconforto da protagonista. 

Os diálogos são óbvios e desinteressantes, sendo o ponto mais fraco da trama, que é salva pela montagem cada vez mais agitada e dinâmica, sustentando a atenção do espectador com cortes rápidos, personagens cativantes e em constante movimento, bem como músicas que ditam o tom de quase todas as cenas, variando entre divertidas – ao mostrar o sadismo de Steve – ou tensas nos momentos de suspense. 

Fresh - Crítica | Romantismo perturbador 5
Foto: Divulgação Star Plus

Fresh não conta com grandes momentos de tensão. Apesar da situação em que se encontra, Noa não parece estar em perigo real em nenhum momento, o tempo todo fica óbvio que ela está protegida pelo roteiro. O gore é leve e, por vezes, até “higiênico” demais se formos levar em conta a temática abordada. O lado cômico e irônico acaba prevalecendo ao suspense, o que pode ser decepcionante para aqueles fãs de thrillers mais puristas

A temática é uma visível alusão aos namoros e relacionamentos atuais, mas a metáfora carece de sutileza, já que a crítica ao machismo fica evidente desde a primeira até as últimas cenas, mas nunca se aprofunda o suficiente, e todos os assuntos são tratados de forma incrivelmente superficial.

Em resumo, Fresh é um filme altamente estilístico, com uma direção competente, que sabe usar bem os aspectos técnicos para maquiar a anemia do roteiro. Não entrega nenhuma novidade e provavelmente em menos de um mês você já o terá esquecido, mas suas duas horas passam rápido e cumprem o propósito de entretenimento.

Saiba mais sobre a Raissa Sanches no seu perfil no Twitter

Fresh está disponível no catálogo do Star Plus

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