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Séries

Formula 1: Drive to Survive é a glamorização da velocidade

Uma carta de amor para quem quer se apaixonar pela Fórmula 1


20 de março de 2019 - 23:17 - felipehoffmann

A Formula 1, historicamente, é marcada por domínios absurdos de construtoras que se destacam e imperam na categoria. Pelo menos até novas regras entrarem em vigor e alterar quem está no topo. Formula 1: Drive to Survive é a nova série Original Netflix que tenta dar uma pausa nisso. Pelo menos como forma de entretenimento para o público casual, que não acompanha diariamente o esporte.

Em 2019 a categoria vai completar sua 1000ª corrida. Fundada em 1950, a Formula 1, durante muito tempo, foi administrada por senhores que mal sabiam o que era internet e pouco apostavam em conteúdos que fugissem do certame dos fins de semana com evento. Por mais que a atratividade do esporte fosse alta e sua audiência, fiel, não haviam mecanismos de entretenimento capazes de absorver novos públicos.

Quando a Formula 1 foi adquirida pela Liberty Media, a ideia era atingir essa parcela de potenciais públicos e expandir a marca F1 principalmente para o mercado americano. A Liberty Media possui fatias da Warner, Viacom, é dona da Discovery Communications e da DirecTV Sports. Portanto, tinha a experiência necessária para transformar a Formula 1 em um esporte top mundial, com heróis, vilões, promessas e tradições. E Drive to Survive entra justamente nesse contexto. Uma série documental, para um serviço de streaming, com enredos interessantes, mostrando o dia a dia de diferentes escuderias e suas ambições no campeonato.

 

 

Ao todo sã0 10 episódios que passeiam por todos os times da temporada, exceto Ferrari e Mercedes, que não quiseram ser filmadas. E isso foi bom, pois a produção focou em disputas intermediárias, que também são interessantes. Existe história para além dos campeões.

Houve em Formula 1: Drive to Survive uma tentativa de glamorizar e tornar épicos alguns embates que, se dentro das pistas não foram tão fortes assim, com o olhar do entretenimento pode se tornar uma super disputa. O recorte dos episódios, com situações espaçadas, criam antagonistas conflituosos e cada frase é milimetricamente colocada para gerar um senso de urgência e vilania com os personagens episódicos.

 

 

Quem acompanha a Fórmula 1 desde sempre vai pegar essas nuances e identificar alguns detalhes que desandam do que falaram ali. Mas pro usuário casual, que deseja ter um contato maior com o esporte, pode funcionar maravilhosamente bem. São enredos cinematográficos que contam histórias reais. Não tem nada melhor pra chamar gente e criar um sentimento diferente com o esporte.

Formula 1: Drive to Survive se mostra uma produção certeira para marketing promocional da categoria. Como obra, peca no ritmo lento de alguns episódios, contrastando com a velocidade que exige um F1. Contudo, pra quem não tinha nada, qualquer migalha enche barriga e é justamente essa fase que a Fórmula 1 vem vivendo. Foi preciso mudar a administração e pensar comercialmente fora da caixinha que surgiu essa série documental. E isso pra Fórmula 1 é quase uma vitória em uma temporada que tá só começando.