filmes estrangeiros
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Que tal quebrar a barreira da legenda e assistir mais filmes estrangeiros da Netflix durante essa quarentena?


Talvez você já tenha percebido isso, mas a quarentena fez várias coisas ganharem ainda mais espaço em nossas vidas. As famigeradas “lives” se tornaram uma opção gigantesca de entretenimento, os reality shows roubaram todos os holofotes da televisão e diversos longas que passariam batidos em outros momentos se tornaram sucesso mundial através da Netflix. Como alguns filmes estrangeiros figuram entre esses nomes (com destaque para O Poço, A Casa e Milagre na Cela 7), decidimos preparar a terceira parte dessa lista cheia de dicas preciosas.

Como sempre, vale lembrar quatro coisas muito importantes: a lista não está ordenada entre melhores ou piores; minhas anotações tem títulos suficientes para criar diversas continuações; estou considerando os EUA como país de origem da Netflix, então longas brasileiros também são filmes estrangeiros nesse contexto; e aqueles longas que não são originais da Netflix podem sair do catálogo sem aviso prévio.

Com isso explicado, vamos parar com a enrolação e falar logo sobre os dez escolhidos da vez:


  • O Hospedeiro (Coréia do Sul, 2006)

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Pra começar essa lista de filmes estrangeiros da Netflix com o pé direito, vamos falar sobre um dos melhores longas de Bong Joon-Ho (oscarizado pelo incrível Parasita). Um filme de terror genuíno que, assim como a maioria dos filmes do diretor, se apropria de diversos outros gêneros e temáticas. Ou seja: tem monstro, sangue e muita tensão, mas também tem comédia, ação, aventura, mensagens sobre a importância da família, amor paterno e por aí vai. Tem alguns efeitos que não envelheceram tão bem, mas isso nem chega perto de tirar a força desse trabalho estilizado, inventivo e muito emocional que mexe com espectador ao ponto de arrancar lágrimas. Imperdível!

Quem quiser ler mais sobre o que achei do longa, é só dar uma conferida no meu Letterboxd.

  • Atlantique (Senegal/França/Bélgica, 2019) – Original Netflix

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O segundo ato um tanto bagunçado faz com esse não seja um dos meus filmes estrangeiros favoritos, mas o longa africano acerta absurdamente na sua protagonista, na premissa que dialoga metaforicamente com diversos problemas sociais do continente (incluindo o drama super atual dos refugiados) e na maioria de suas sacadas visuais. A brincadeira sobrenatural que é desenvolvido através do espelhos, por exemplo, é brilhante e segura a atenção do público até um final bem bonito. Vale a visita sem nenhuma dúvida!

  • O Barco: Inferno no Mar (Alemanha, 1981)

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O Barco é uma obra-prima que marca o subgênero dos filmes de submarino justamente por mexer com tantas emoções, incluindo desespero, esperança, alegria, virilidade, medo, desolação, luto, glória. Tudo filmado com destreza, brutalidade, claustrofobia e violência por um Wolfgang Petersen em seu auge. Não sei nem explicar o que senti vendo a câmera ágil dele percorrer – em belíssimos planos-sequência – os corredores apertados do submarino a cada vez que o alarme soava. É hipnotizante e também atual, considerando que o subtexto do longa consegue ser o mais antinazista possível.

E tudo isso sem contar com um detalhe importante: apesar de ser antigo e razoavelmente longo, O Barco prende a atenção de uma maneira que o torna fácil de assistir. Não é só um dos melhores filmes estrangeiros da Netflix, como também é um dos maiores clássicos da sétima arte.

  • Longa Jornada Noite Adentro (China/França, 2018)

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Esse não é um filme fácil de ser visto. Demora um bocado pra se conectar com o público graças a umas doses de surrealismo, os flashbacks e as divagações que criam um ambiente de afastamento até a metade final. Só que a partir desse ponto o longa encontra seu rumo e vira o jogo, recuperando a atenção de uma vez por todas com diversos planos-sequência super elaborados e complexos. E, apesar dos problemas, o resultado acaba sendo tecnicamente e visualmente impecável demais pra passar batido. É exuberante, sensual e rico de um jeito quase hipnotizante. Faz cair o queixo e isso ajuda o longa a se equilibrar, merecendo um lugar nessa lista cheia de ótimos filmes estrangeiros da Netflix.

  • O Aviso (Espanha, 2018) – Original Netflix

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Um longa bem dirigido que parte de uma premissa curiosa: entrelaçar duas histórias a partir de um padrão numérico que resulta na morte de alguma pessoa no dia 12 de abril. A costura entre tais linhas temporais demora pra engatar, mas a paciência é recompensada pelas boas reviravoltas entregues no terceiro ato. Uma das tramas é, de fato, bem mais lenta e “chata” do que a outra e isso atrapalha a experiência um pouquinho, mas a maneira como a edição transita entre elas (como se fossem capítulos interrompidos exatamente no gancho) realmente equilibra a brincadeira. É um dos filmes estrangeiros da Netflix que valem a visita.

Pra quem quiser saber mais, reuni algumas palavras adicionais no meu Letterboxd.

 


Confira as duas listas anteriores:
+++ A parte um dos filmes escondidos na Netflix
+++ Parte dois dos filmes escondidos na Netflix 

 

  • A Terra e o Sangue (França/Bélgica, 2020) – Original Netflix

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Um ótimo exemplo de filme simples, porém eficiente. Não tem grandes reinvenções de roda ou reviravoltas mirabolantes, mas trabalha a melancolia de maneira assertiva, mostra muito mais do que fala, acerta no uso da câmera lenta como poucos e mantém a tensão até o último minuto. Destaque principalmente para as sequências que inserem a surdez da filha como elemento narrativo, incluindo o espectador na história ao excluir completamente som e legenda. É um grande clichê? É… Mas isso não impede a produção de fazer um bom trabalho com pouco dinheiro e pouco tempo de tela.

  • Durante a Tormenta (Espanha, 2018) – Original Netflix

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Durante a Tormenta demora um pouco pra engatar, mas isso não pode ser classificado como algo ruim quando a produção engata tão bem a partir do segundo ato. As atuações convencem, a mistura de de gêneros (que vai de viagem no tempo até suspense, passando por um drama muito forte) é perfeito, a transição entre as linhas temporais merece aplausos e as reviravoltas – das menores até as maiores – mexem com o público até o último instante. É facilmente um dos filmes estrangeiros da Netflix que mais ganham pontos pelas surpresas.

  • Morte às Seis da Tarde (Polônia, 2018) – Original Netflix

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Eu acho que preciso estudar um pouco mais do cinema polonês antes de dar uma nota final para esse filme, porque não consigo, no momento, dizer com certeza se ele é ruim ou só diferente dos padrões que preenchem nossa vida normalmente. A câmera é posicionada em uns ângulos estranhos, os policiais agem de um jeito bem amador, a construção de tensão é peculiar e diversas atuações são extremamente forçadas. A parada é que muito disso pode fazer parte de uma linguagem regional que está a serviço de uma premissa interessante. Talvez arranque risadas sem querer, mas é uma opção se você quiser conhecer um cinema diferente do padrão hollywoodiano.

Escrevi um pouco mais sobre o longa no meu Letterboxd.

  • A Pequena Suíça (Espanha, 2019) – Original Netflix

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A Pequena Suíça é uma comédia situacional raiz daquelas que trata sua premissa fora da caixinha com o mínimo de seriedade possível. Os personagens são bizarros e exagerados, as situações são absurdas e a trilha beira o circense de tão cômica. É tão bizarro e inacreditável que é impossível não rir. Tem dois elos mais fracos no romance e na disputa política, mas ambos funcionam o suficiente pra não estragar uma experiência que arranca boas gargalhadas. A opção mais leve e divertida dessa lista de filmes estrangeiros da Netflix.

  • Reflexões de um Liquidificador (Brasil, 2019)

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Uma história contada por um liquidificador usado como arma (sim, alguém já estava prevendo a comparação feita há pouco tempo pela família Bolsonaro) que tem a voz do Selton Mello. Uma premissa extremamente bizarra e criativa que se desenvolve ora como uma comédia marcada por altas doses de ironia, ora como um thriller sanguinário só para construir um incrível retrato de uma brasileira indignada com os rumos de sua vida. Um filme independente e pouco comentado que está entre meus favoritos do cinema nacional.

Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

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