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Nova série britânicia da Netflix em parceria com o Channel 4, Feel Good é irresponsável na maioria dos assuntos em que toca, apesar do humor involuntário.


O quão difícil é para um criador, produtora, canal, seja o que for, criar uma série LGBTQ+ fofinha e que seja gostosa de assistir? Um romance homoafetivo não é muito diferente de uma relação heteronormativa, pelo menos no audiovisual. Infelizmente, “Feel Good” prefere seguir pelo caminho mais difícil, onde a protagonista além de se relacionar com uma mulher, teve um passado traumático com vício em drogas.

Criada e escrita por Mae Martin, e estrelada pela própria, a série acompanha Mae, uma comediante stand up que morava no Canadá e se muda para o interior da Inglaterra após ser expulsa da casa dos pais. Em um dos seus shows ela conhece George (Charlotte Ritchie), uma professora que ainda está em dúvida sobre sua sexualidade. A medida que o tempo passa, problemas no relacionamento surgem, tanto em relação a Mae com seu conflito pessoal com as drogas ou a omissão do relacionamento para com os amigos e família de George.

feel good

Feel Good é bastante irresponsável nos temas em que se propõe a falar. Seja na relação de Mae com os pais, que só ligam para o próprio ego, principalmente a mãe Linda vivida por Lisa Kudrow (a eterna Phoebe de Friends), seja na sua relação com o vício, abandonando os narcóticos anônimos e voltando quando bem entende.

É como se todos os personagens precisassem urgentemente de terapia. George esconde dos pais e amigos sua relação com Mae, gerando um certo desgaste afetivo. Por vezes, as discussões de ambas são resolvidas com sexo, uma espécie de “tapa buraco” para todos os problemas seríssimos que sofrem.

Toda a artificialidade do texto é inversamente proporcional ao visual da série. Apesar do excesso de close ups no rosto dos personagens para denotar certo desconforto, as luzes da cidade e as de dentro da casa quando o casal está junto são muito bem utilizadas e brilhantes, evidenciando o valor que George tem para Mae. O humor involuntário é característico de séries britânicas e Feel Good utiliza isso ao seu favor na boa direção de Ally Pankiw.

Com 6 episódios de 20 e poucos minutos cada (formato que a Netflix parece estar investindo pesado), Feel Good é bonita visualmente, mas precisava ter mais cuidado ao tratar seus assuntos sérios com bastante leveza. A autodepreciação da protagonista não gera empatia suficiente e só nos deixa irritados com sua personalidade por vezes fraca e passiva.

Olhando de fora, o relacionamento parece tóxico e não existe uma auto valorização e responsabilidade afetiva pelo outro, deixando claro a ausência de amor próprio.

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Feel Good | 1ª Temporada

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Tiago Cinéfilo
Há 4 anos nessa viagem. Estudante de Rádio, TV e Internet. Ex-Clock Tower, ex-Cinema Com Rapadura e ex-fã de The Walking Dead.

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