EVOLVE | A evolução do Imagine Dragons

evolve

Título: Evolve
Artista: Imagine Dragons
Lançamento: 23 de junho de 2017
Gravadora: Interscope Records, Kidinakorner


Apesar de já estar fazendo 3 meses do lançamento deste novo álbum do Imagine Dragons, esse texto vem exatamente na hora certa – já que nessa semana, mais precisamente dia 26 de setembro – a banda deu início a turnê Evolve, e o Lollapalooza Brasil anunciou no dia seguinte a vinda da banda para o Festival em São Paulo.

O fato é que, Evolve já traz mudanças em sua capa com a figura de uma pessoa se elevando e saindo de si. A dúvida dos fãs era essa: a exemplo do nome, o Imagine Dragons realmente iria evoluir neste novo álbum? Smoke + Mirrors foi bom, mas não chega nem aos pés do álbum original da banda, além de mostrar uma fase mais melancólica do “pós-sucesso”.

Depois de um ano em hiato, a banda lança o Evolve cercado de esperança e positividade, apesar de algumas letras esconderam fatos tristes em meio a batidas e ritmos animados. Unindo-se a nomes de peso como Alex da Kid que trabalhou com astros como Eminem – e Joel Little – que produziu o novo disco de Lorde, o Imagine Dragons quis trazer uma nova sonoridade a banda, mas sem perder a essência e exatamente isso que acontece aqui.

EVOLVE | A evolução do Imagine Dragons 2
Foto: Reprodução

A começar pela primeira faixa, I Don’t Know Why é animada, sampleada, tem uma pegada anos 80 excelente, e abre bem o disco. Narrando um relacionamento, Dan Reynolds fala sobre a falta ou aumento das casualidades da vida, diz que a confiança extrema pode ser perigosa e indaga se o destino é realmente responsável pelos acontecimentos — tudo isso alternando entre gritos e uma voz mais suave como na frase “Dangerous, your love is always dangerous”.

Whateaver It Takes que vem a seguir — talvez tenha a letra mais inspirada da banda desde Night Visions — tem uma pegada rap e um backing vocal em forma de coral ao fundo que narra a sensação de gostar da adrenalina. A banda parece falar sobre ela mesma ser um refém do sistema, mas ao menos tempo um ser independente que segue firme, cercado por pessoas que querem apenas o seu mal — ao mesmo tempo — quer espalhar a palavra para não serem os únicos. A música é política, introspectiva e libertária ao mesmo tempo.

Pelo peso, reposicionaria ela como a terceira música, e colocaria o primeiro single lançado do Evolve — Believer — como a segunda. A música sintetiza o que a banda quis trazer nessa nova fase: uma mensagem de esperança, cercada de influências de rap e batidas oitentistas. Sendo o primeiro clipe da banda e com a presença do eterno Ivan Drago (Dolph Lundgren), o Imagine Dragons fala sobre um ser que sofreu muito no passado, mas hoje tenta acreditar em tudo e tem sua fé baseada no sofrimento.

É uma afirmação de que a fé pode vir sim através da dor — não apenas esperar pelo bom, mas sofrer e tirar uma lição daquilo — tudo isso auxiliado pelo dedilhado de fundo de Daniel Sermon que caiu como uma luva na voz acelerada de Dan, tornando Believer uma das músicas mais difíceis de cantar.

Os ritmos se apaziguam ao som da faixa seguinte Walking The Wire — que é mais calma propositalmente, mas exige mais dos vocais de Dan. A letra é uma das mais bonitas da banda, porque além de positiva, como praticamente todo o CD, fala sobre ver a beleza no desafio, ajudar, guiar e orientar o outro na dificuldade, além de ressaltar o cuidado com a queda, sem olhar pra baixo. Rise Up traz uma pegada diferente, e é aonde Dan mostra todo poder de seu vocal.

Praticamente declamando, o vocalista grita com a voz rasgada, passando todo o sentimento de um ser humano que sempre busca algo mais e nunca está satisfeito com o que tem, tentando alçar voos inalcançáveis, nunca preenchendo o vazio interior e existencial — um ser quebrado -mas que em off continua gritando: RISE UP.

EVOLVE | A evolução do Imagine Dragons 3
Foto: Reprodução

Seguimos com uma de minhas músicas favoritas – não apenas por manter a essência da banda, com uma pegada parecida com os primeiros singles – mas pela letra que denota reciprocidade e empatia. I’ll Make It Up To You é dançante, e fala de ajudar o outro mesmo estando em um momento ruim. É uma música de sacrifício, de entrega, mas que promete recompensa, como é entoada várias vezes I’ll Make it Up to You! A música termina com um solinho de guitarra, que se finda para a entrada entoada de Yesterday, sem dúvida a faixa mais ame ou odeie desse novo álbum.

Yesterday causa aversão pela diferença, e eu não tinha apreço nenhum pela música até ouvi-la diversas vezes. Com os vocais mais altos do que a própria banda, seguidas por uma guitarra nervosa, o som não parece Imagine Dragons, mas é. Fala de uma crise existencial fantasiada de motivação — uma vida sem arrependimentos já que o ontem nos fez ser quem somos hoje. Here’s to my future, Here’s to my yesterday .

Minha música favorita do disco vem a seguir e é uma das mais simples desse novo trabalho. O que me impressionou foi ver que muita gente não gostou dela por achar clichê demais, tanto em ritmo como em execução. O que as pessoas esquecem é que o Imagine Dragons é o que é hoje por faixas como Mouth of The River, praticamente um hino entoado por todas as tribos.

Sim, tribos, já que a bateria e batuques de Dan Platzman se destaca na faixa e a banda parece acreditar que existe uma figura divina que está irado olhando por nós — forçando-nos a fazer apenas o que é certo, ser um “nice guy”, provando a fé apenas através das boas obras e o que é pré-determinado.

Já Thunder é grudenta e tida como a letra mais fraca do álbum, mas poucos sabem o verdadeiro significado por trás da faixa que mais parece um rap do que um alt-rock. Com mais “thunders” por metrô quadrado do que uma tempestade (alerta de piada infame) — a música fala de alguém que não se encaixa nos padrões e é afastado por ser diferente. Dan parece narrar sua própria vida, o que torna Thunder o som mais pessoal do Evolve — justamente por falar da volta por cima e de ver aqueles que o criticavam agora aplaudindo em lugares distantes da plateia.

A última música Start Over tem um ritmo muito parecido com On The Top of The World, um dos maiores singles de Night Visions. Sem dúvida é a faixa mais positiva do grupo e mostra que o momento realmente é de boas vibrações. Apesar de em certo momento ressaltar a tristeza dos quartos vazios dos hotéis — praticamente um retrato da banda em turnê — os vocais de Dan em conjunto com a batera de Platzman exaltam a importância de recomeçar e seguir em frente.

A faixa bônus – que de bônus não tem nada — é deprê demais pra estar neste disco e a que menos me agrada. Lenta, Dancing in The Dark poderia ser lançada posteriormente, apesar da mensagem de indecisão que apresenta — além de falar sobre os lados ruins de um relacionamento — o que foge totalmente da proposta do disco.

Evolve são apenas as 10 boas músicas e posso dizer que é um sucessor digno de Night Visions, chegando ao mesmo nível em algumas faixas. Apesar de achar que as músicas não conversam entre si no sentindo rítmico e dinâmico – parecendo mais um emaranhado de singles soltos – Evolve surpreende pelo começo de uma evolução da banda, que ainda tem muito chão pela frente.

Com vocais melhores de Dan, a bateria irreverente de Plaztman, os solos de Daniel, com Ben se destacando mais no samples do que no contrabaixo, Evolve amplia a sonoridade do Imagine Dragons, e apresenta um dos melhores trabalhos do ano. Agora é só esperar a banda nos dias 23, 24 e 25 de março no Lollapalooza.


Tracklist:

01. I Don’t Know Why
02. Whatever It Takes
03. Believer
04. Walking the Wire
05. Rise Up
06. I’ll Make It Up To You
07. Yesterday
08. Mouth of the River
09. Thunder
10. Start Over
11. Dancing in the Dark


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