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Esquadrão Trovão tem uma proposta curiosa, mas se perde entre escolhas preguiçosas, genéricas e, na maioria das vezes, constrangedoras


Todo mundo já percebeu que o modelo de negócio da Netflix gira em torno do grande volume de produções originais, sem se preocupar necessariamente com a qualidade desses produtos. Ter um elenco famoso, ser a adaptação de um livro com muito fãs ou qualquer coisa desse tipo já basta, considerando que a métrica mais importante é o número de assinantes interessados no projeto.

Desde que o serviço garantiu o lançamento de pelo menos uma “grande produção” por semana, a bolha cinéfila vem ironizando a chegada de certas produções. Como o lado artístico nem sempre está em alta, muita gente classifica essas estreias como “os filmes questionáveis da semana“.

Mas será que a piada vale pra todos os filmes? Será que esse adjetivo pode ser realmente usado toda semana?

Esquadrão Trovão

Foto: Hopper Stone / Netflix (2021)

Quando terminei minha sessão particular de Esquadrão Trovão, tive certeza de que a resposta é não. Afinal de contas, eu daria tudo pra ter visto um filme questionável no lugar dessa bomba dirigida por Ben Falcone (marido de Melissa McCarthy e responsável pelo péssimo A Chefa).

Na história, após um meteoro se chocar contra a Terra, uma parte da população (em sua maioria criminosa) se transforma em mutantes. Alguns anos depois, uma cientista – que teve os pais assassinados por “meliantes” – cria uma fórmula que dá poderes a pessoas normais e, junto com uma antiga amiga da escola, forma uma super equipe para diminuir a violência nas ruas de Chicago.

“Nunca se sabe quando se vai temperar uma delícia”

No papel, a trama parece ter algum potencial. Eu admito que, mesmo sem expectativas, estava torcendo para Esquadrão Trovão quebrar as expectativas e ser uma boa paródia dentro do universo dos super-heróis.

Esquadrão Trovão

Foto: Hopper Stone / Netflix (2021)

O problema é que, na tela, temos um cenário muito diferente. O filme poderia ser facilmente resumido, no melhor estilo “sinopse honesta“, como uma série de personagens desinteressantes e nada carismáticos que se envolvem num combate cheio de clichês, cenas chatas, vilões óbvios e piadas sem graça.

O trabalho de Ben Falcone, seja no roteiro ou na direção, é totalmente preguiçoso. Um sentimento que pode ser confirmado nas sequências de ação totalmente genéricas, no fato de Melissa McCarthy, Bobby Cannavale e mais alguns membros do elenco estarem fazendo papéis repetidos ou nas cenas de vibração pública que não transmitem nenhuma alegria. 85% do longa é produzido no automático.

Sei que isso não deveria ser uma surpresa, já que Alma da Festa é o único filme do diretor que conseguiu me divertir. Falcone sempre aposta nas mesma fórmulas, flertando com doses maiores ou menores de absurdo. O problema (vou falar isso várias vezes nesse texto) é que não adianta apostar em uma história desse tipo sem oferecer algum direcionamento estético e formal. E eu não ligo se a proposta vai ser parodiar um gênero ou mergulhar em qualquer outro tipo de comédia, porque o importante é construir algo que não pareça tão descartável.

Esquadrão Trovão

Foto: Hopper Stone / Netflix (2021)

Mas, infelizmente, os vacilos não param por aí. Mesmo nos poucos momentos em que Esquadrão Trovão tenta passear por terrenos diferentes, o mau gosto do diretor conduz tudo para caminhos que, nesse caso, merecem ser classificados como altamente questionáveis. Não consigo nem descrever quantas vezes revirei os olhos por conta de cenas bizarras ou diálogos constrangedores.

“Vou te jogar na banheira quente e te cozinhar todinho”

Às vezes, o resultado é completamente brega; em outras, é simplesmente  deslocado. Algo que não parece se encaixar com o todo, independente do esforço do público. Talvez as cenas mais dramáticas de Octavia Spencer sejam os melhores exemplos para descrever esse elemento.

O fato é que, no meia dessa bagunça homérica, o absurdo de Esquadrão Trovão não me conquistou. Dei no máximo duas risadas em quase duas horas de desconforto e incômodo mental.

Esquadrão Trovão

Foto: Hopper Stone / Netflix (2021)

A culpa pode até ser do meu senso de humor, mas dizer isso seria injusto com tantos outros filmes de besteirol que me conquistaram. O próprio Eurovision (do qual fugi até ser indicado ao Oscar) é um desses longas marcados pelo absurdo que, apesar de certos problemas, oferecem bons momentos de diversão. O trunfo é tentar não cair nesse lugar-comum onde ser genérico e padronizado pode ser uma qualidade.

Esquadrão Trovão aposta todas as suas fichas no caminho oposto e não chega a lugar nenhum. Só consegue deixar a audiência (vulgo eu) desconfortável e arrependida, pensando no momento em que decidiram dar play numa opção tão abaixo do questionável.


Esquadrão Trovão já está disponível no catálogo da Netflix


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Esquadrão Trovão (2021)

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Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

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