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Especial: O fim da Era de Ouro da Netflix?

Qualidade duvidosa das novas séries originais faz botão amarelo virar vermelho na mesinha de Reed Hastings

23 de agosto de 2018 - 13:26 - Kayque Fabiano

É fato que a televisão vive de ciclos. Foi assim com a primeira Era de Ouro da Televisão entre meados da década 40 e 60, a segunda, já nos anos 90, e a terceira, com nomes como Os Sopranos, Lost, e Breaking Bad. A Netflix surge nesse cenário – lá em 2013, com suas primeiras séries originais – como um oásis. Uma plataforma até então intocada, que começava a se aventurar no mundo das séries próprias.  Entram em cena House of Cards, Orange Is The New Black, Lillyhammer, e Hemlock Grove.  Suas obras eram boas e até a pior delas era ‘assistível’.

A empresa de streaming era endeusada, conquistou rapidamente popularidade nas redes sociais e foi uma das primeiras a ganhar o título de ‘moderninha’ amiga da galera. Ela estava revolucionando o “modus operandi” de se fazer TV. E realmente revolucionou. Seus contratos de distribuição global chamaram a atenção de outras gigantes, como a CBS, Disney e até a nacional Globo, que lançaram seus próprios serviços de streaming, usando como base o sistema da Netflix.

Ganhou status de boazinha, resgatando séries até então canceladas pela “mídia tradicional”, tratada muitas vezes como vilã da história. Coloque aí no pacote: Arrested Development, Fuller House, Gilmore Girls, entre outras. De lá pra cá a gigante americana lançou dezenas, quer dizer, centenas de novos programas originais e aí que seu status começa a mudar.

Qualidade x quantidade

Nos últimos 3 anos, o que pudemos perceber foi um aumento considerável de séries originais e licenciadas para a empresa. Mas, ao invés de comemorar, parte do público acaba por se questionar a qualidade duvidosa de seu conteúdo original.

Será que quantidade é melhor que qualidade? Óbvio que não. Séries com Insatiable, Girlboss, Gypsy, e Haters back off trouxeram, além de dez e poucos episódios, uma enxurrada de conteúdo descartável, sem apelo ao público e histórias decepcionantes.

Outras séries que deveriam ser limitadas, como 13 Reasons Why, Chelsea, ou Wet Hot American Summer, são esticadas, levando ao famoso “encher linguiça”, só por conta da audiência, que querendo ou não, segue alta nesse tipo de conteúdo.

Por falar em audiência, quem nunca ouviu falar daquela piada de que “a Netflix não se importa com audiência, ela se importa com os fãs”?

Antes do famoso caso de Sense8, muitos acreditam fielmente nisso. Mas caro leitor, vos digo que: a audiência é o principal motivo de você ainda assistir a 12 temporadas de The Big Bang Theory. A audiência foi a principal motivo do cancelamento de Sense8, e a audiência ainda será o motivo do ganha-pão daquele senhorzinho que serve café na sede da Netflix em Los Gatos, na Califórnia.

A Netflix, assim como a HBO, não depende de anúncios para manter o seu conteúdo, mas ainda assim perde – e muito – dinheiro quando uma série original não vai bem. Ou acha que teríamos que implorar por uma nova temporada de Anne With E só porque o senhor Reed Hastings não gosta de séries com meninas fofas?

Termino esse texto com uma reflexão ao fã que torce por cada vez mais conteúdos de qualidade na gigante de streaming. Seria esse o fim das séries de qualidade na Netflix? Teria ela virado uma ABC da vida, que uma vez ou outra emplaca hits fenomenais mas que em sua maioria vive de séries dispensáveis?

A resposta só o tempo vai dizer. Eu torço para que não.