0

A ressaca dos Jogos Olímpicos de 2016 está quase acabando, porque todos os brasileiros já estão no pique das Paralímpiadas (que também merecem nossa atenção total). Com isso, nós estamos encerrando nossa série de histórias emocionantes que escolheram o Rio como palco principal, deixaram nosso evento belíssimo e ainda merecem ganhar adaptações cinematográficas. Confiram as outras partes (um, dois, três e quatro) e vem com a gente mais uma vez!

  • Yusra Mardini

Yusra Mardini IOC

Uma das coisas mais importantes que o COI realizou nas Olimpíadas do Rio foi a criação de uma delegação que possibilitasse a participação dos refugiados de diversos países. E no meio de muitos membros que certamente viveram histórias emocionantes para chegar ali, a história de uma menina que não chegou muito longe nas provas de natação chamava atenção da mídia com muita justiça.

Yusra Mardini nasceu na Síria, praticamente viveu nas piscinas desde os três anos de idade e chegou a representar seu país em campeonatos mundiais. A atleta levava uma vida normal até que a guerra tomou conta do país e sua casa foi completamente destruída. Junto com a irmã, Yusra decidiu fugir em busca de um futuro melhor e começou uma saga heroica para chegar, clandestinamente, à Europa.

Quando chegaram a Turquia, as irmãs conseguiram um pequeno bote para levá-las até a Grécia. O problema é que a capacidade de sete pessoas tinha sido extrapolada em uma viagem com outros 20 refugiados. Durante a travessia, o motor parou, a água começou a invadir o barco e os ocupantes que não sabiam nadar entravam em desespero. Foi então que Yusra e sua irmã decidiram mergulhar e terminar a travessia a nado, enquanto puxavam o bote por conta própria.

O trajeto ainda durou exaustivas três horas, mas a dupla não descansou até chegar a ilha grega de Lesbos, salvando nada mais nada menos que 18 vidas. Ela seguiu viagem por outros países até chegar na Alemanha, onde mora até hoje. No entanto, o clímax desse filme continua sendo sua participação cheia de alegria nos Jogos, com o objetivo de incentivar os outros habitantes da Síria a mudar de vida.

  • Majlinda Kelmendi

2016-06-03-majlinda-kelmendi-thumbnail

Enquanto Yusra Mardini desejava ser apenas uma fonte de inspiração , Majlinda Kelmendi queria muito mais e voltou para casa com uma medalha de ouro que vale muito mais do que o primeiro lugar. Vale a primeira vitória oficial de Kosovo e a comprovação da existência de um país marcado pela guerra, contando com a ironia de que o próprio Brasil não aprovou a criação do país. Uma deliciosa e emocionante história que marcou o início dessa Olimpíada.

O engraçado é que, ao contrário de boa partes das histórias que entraram nesse especial, a vitória de Majlinda já era mais do que esperada. A judoca já participou das Olimpíadas de Londres em 2012 com a delegação da Albânia, foi campeã mundial no Rio em 2013, levou outro ouro no Mundial sediado na Rússia em 2014 competindo sob a bandeira dos países independentes. Claro que a instabilidade política e a ameaça constante de guerra são fatores que dão um toque de superação à trajetória de Majlinda, mas a parte mais importante da vitória está na inspiração para que as crianças não desistam dos seus sonhos e Kosovo possa finalmente ser reconhecido como país pelo mundo.

  • Futebol Brasileiro

neymar-e-renato-augusto-comemoram-vitoria-do-brasil-sobre-a-colombia-1471144606419_v2_1920x1266

Quis o destino que o futebol brasileiro pudesse ter um sopro de redenção justamente contra aquele que fincou o último prego no nosso caixão. Há sempre uma discussão sobre a presença do futebol em jogos olímpicos, porém, para o Brasil, o peso de não carregar uma medalha de ouro era maior do que qualquer outro tipo de esporte.

O roteiro era perfeito. A chance da redenção de um derrotado, no palco mais sagrado do futebol mundial. Ali, onde a grama sempre foi mais verde, onde o gol abraçava a bola feito véu de noiva. Mas também onde havíamos sofrido a segunda maior derrota da história. Maracanã ou Maracanazo?

Após duas partidas ruins, a seleção via-se pressionada por um gol. Um mísero gol que em tanto sua história marcou. Contra a Dinamarca, veio a ascensão da esperança ao receio do fracasso. No mata-mata, fácil. O futebol envolvente, de rápida movimentação, marcação intensa e posição desigual, marcava o futebol total do Brasil por ali. Eis que na final, um adversário aguardado, esperava de braços cruzados e cadeira balançando na frente da varanda.

De certo, não era A Revanche para eles. Outros times, outras realidades. Mas pro Brasil era algo maior. Era a redenção, era a chance de provar pra eles mas principalmente para nós mesmos, que estávamos vivos. Futebol aqui, é religião e a torcida comprou a oração. Encheu o Maracanã e durante todo o tempo de partida, nem um pio de decepção.

No Maracanã, contra aquele que atirou 7 vezes no nosso peito e depois levantou o cálice do futebol.  Mas naquele dia, o sentimento era diferente. Algo dizia que nada ia tirar a medalha que tanto nos faltava, nem mesmo uma disputa de pênaltis. Neymar, claro, fez brilhar no peito o grito de alívio que em muito prendia a garganta. Foi choro, vibração e superação no melhor estilo Gol.

Ouro, pela primeira vez, na nossa casa, no nosso quintal. De repente, o futebol brasileiro voltou a ser o que sempre tinha sido. Mas só até o próximo jogo.

Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

Nina é diferente demais de Simone

Previous article

Justiça (Primeira Semana)

Next article

You may also like

Comments

Leave a reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

More in ETC