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Especial

Especial: Grandes Histórias das Olimpíadas 2016 (Parte 2)


23 de agosto de 2016 - 11:00 - Flávio Pizzol

Toda competição esportiva sempre começa e termina cercada de muita emoção e superação, então é nenhuma novidade que muitas dessas histórias virem grandes filmes. Os Jogos Olímpicos do Rio não foram diferentes e nosso jeitinho brasileiro de lembrar desse evento especial é separar alguns desses momentos que merecem ganhar a telona. É só respirar fundo, conferir a primeira parte aqui e descobrir mais sobre três atletas únicos!

  • Jamaica em 9 segundos

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Carismático, conquistador, descontraído, dançarino, detentor do recorde mundial e vencedor de inéditas nove medalhas de ouro em nove finais olímpicas, o jamaicano Usain Bolt é mais do que o maior atleta da história do atletismo mundial. É um atleta da galera, que ganha o público com um sorriso e faz inúmeros fãs por onde passa. Só isso já seria material suficiente para levar muitas pessoas para o cinema, mas sua infância simples também ajuda a dar um ar mais dramático para essa história.

Bolt nasceu em uma pequena cidade da Jamaica e sempre gostou de praticar muitos esportes, como críquete e futebol. Este último, inclusive, era um dos seus favoritos (seu sonho continua sendo jogar no Manchester United) até um dos seus professores notar a sua velocidade e insistir para que ele entrasse para a já vitoriosa equipe de atletismo do colégio. Apesar das reclamações por contas das brincadeiras do atleta, ali começava uma parceria vitoriosa com o técnico e campeão olímpico Pablo McNeil.

O sucesso aumentava e a mudança para a capital da Jamaica, Kingston, fez com que o sucesso subisse à sua cabeça. Para desespero do técnico, Bolt constantemente trocava os treinos pela alimentação gosdurosa e as festas. As coisas melhoraram quando ele virou profissional em 2014, recusando várias bolsas americanas para ficar no seu país natal e insistindo que também gostaria de participar das competições de 100 metros rasos. Isso só ocorreu quando ele bateu o recorde nacional de Donald Quarrie em um campeonato juvenil.

Depois disso, seu caminho em direção ao sucesso internacional ficou muito mais tranquilo e sua saga olímpica começou em Pequim, já com três medalhas de ouro. Alguns momentos complicados ainda estavam por vir, como uma lesão muscular pouco tempo antes de vir para o Rio de Janeiro, mas Bolt nunca desistiu e sempre venceu. Logicamente, uma bela história que merece ganhar os cinemas nas mãos de Jon Turteltaub. Um nome pouco lembrado, mas que já ganhou nossos corações com Jamaica Abaixo de Zero e faz total justiça ao estilo brincalhão de Bolt.

  • Das ruas ao ouro inédito

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Nosso filme já começa com um plano sequência que gira em torno de um ringue, enquanto um homem é declarado vencedor. Um braço é levantado e o filme da sua vida passa em alguns instantes. Vemos as ruas, as brigas na saída da escola, a dedicação, o treino, os grito de “É campeão” antes da luta começar, a torcida cantando o hino nacional em coro e uma medalha de ouro inédita sendo colocada no pescoço de Robson Conceição. Assim nasce mais um filme tipicamente brasileiro que casaria perfeitamente com o rigor técnico e estético encontrado por Fernando Meirelles em Cidade de Deus.

Criado de forma humilde em Salvador, Robson descobriu o boxe quando buscava maneiras de vencer as brigas de rua. Começou a treinar, enquanto trabalhava como feirante, pedreiro e vendedor de picolé para ajudar em casa. Mesmo sem apoio ou patrocínio, saiu de uma vida predestinada à violência e se destacou ao ganhar medalha de ouro no pré-olímpico da Guatemala. Se classificou com tranquilidade para os Jogos de Pequim e Londres, mas viu tudo desabar ao ser eliminado na primeira fase em ambas as competições.

Mas como todo grande lutador, Robson levantou, sacudiu a poeira e iniciou um novo ciclo olímpico para competir em casa. Foi campeão sul-americano, acumulou medalhas nos Mundiais e encerrou o período com chave de ouro (literalmente) ao vencer o francês Sofine Oumiha para cair nos braços da torcida e presentear sua filha com a maior medalha do torneio. E como um toque do destino para coroar nosso roteiro de cinema, Robson chegou à final após eliminar o cubano Lazaro Jorge Alves, que o impediu de vencer o mundial em outras duas oportunidades anteriores.

Uma belíssima história de superação que, segundo o próprio Robson, poderia ser muito diferente e violenta, caso ele não conhecesse o boxe no meio do caminho. Essa relação parecida com a que o protagonista de Cidade de Deus, Buscapé, tem com a fotografia somado com a superação do espírito olímpico pode ser exatamente o que o grande Fernando Meirelles para emplacar outra grande sucesso brasileiros nos cinemas mundiais.

  • Três bandeiras de amor pelo esporte

Gymnastics - Artistic - Olympics: Day 2

Barcelona, 1992. Há 24 anos, começava a trajetória vitoriosa e imprevisível Oksana Chusovitina. Uma mulher que nasceu para vencer pelo esporte e chegou ao Rio de Janeiro sendo a competidora mais velha dessa edição e a única atleta que já defendeu três países diferentes no evento. Além disso, Oksana tem uma história de vida que mereceu roubar toda a atenção de Simone Biles e outras jovens que poderiam ser suas filhas.

A ginasta nasceu no Uzbesquistão e começou sua carreira com apenas treze anos, sendo levada logo logo pelos olheiros da antiga União Soviética para competir no Mundial. Surpreendeu, venceu e levou um ouro nos seus primeiros Jogos Olímpicos competindo pela Equipe Unificada (reunião do que sobrou de uma URSS em processo de separação). Depois, passou a defender seu país natal, mas enfrentou um longo período sem pódios olímpicos. Chegou a pensar em aposentadoria, mas desistiu por um motivo nobre.

Junto com o marido, Oksana se mudou para a Alemanha e usou todo o dinheiro que ganhava em competições para custear o tratamento contra a leucemia de seu filho, Alisher. Um momento muito dramático que a atleta superou com o que ela fazia de melhor: competir e dividir o seu amor genuíno pelo esporte.

Alisher venceu a doença, sua mãe disputou as Olimpíadas de Pequim e de Londres com a equipe alemã e chegou ao Brasil como centro das atenções na equipe uzbesque, afinal possui uma vida digna de um filme do russo Nikolai Khomeriki (que se destacou mundial pelo drama Heart’s Boomerang). O único problema é que o longa não está nem perto de ter um final, porque Oksana já disse que vai participar pela oitava vez da competição em Tóquio. Nada demais pra quem já viveu tudo isso.