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Especial

Especial: 5 Pequenos Documentários da Netflix

Uma aula curta e muito prazerosa sobre os temas mais diversificados.


20 de março de 2019 - 00:29 - Flávio Pizzol

Ninguém fala muito sobre documentários. Se ele for um curta-metragem então, a situação talvez piore uma dez vezes. O seu conteúdo pode ser o mais impactante possível e sua qualidade impecável que, mesmo assim, pouca gente vai ligar ou clicar pra assistir por livre e espontânea vontade. O fato da categoria ser uma das mais ignoradas do Oscar é apenas mais um exemplo de uma atitude que deveria ser diferente. Afinal, como eu disse, muitas dessas obras não só são incríveis, como podem ter um valor agregado maior do que os dos seus primos “longas-metragem”.

O único problema é que muitas dessas obras, mesmo indicadas a prêmios gigantescos, acabam permanecendo inacessíveis ao grande público. É necessário correr atrás, pesquisar e a quantidade de gente interessante nessa “falta de comodidade” é cada vez menor.  Pensando nisso e sabendo que a Netflix tem investido um pouquinho nessa área do cinema, separamos cinco pequenos documentários que podem ser encontrados com o toque de um botão.

Sem enrolação, vamos a eles:

  • Os Capacetes Brancos (Original Netflix)

Presente em outras listas desse site, Os Capacetes Brancos é um dos melhores documentários que eu vi nos últimos anos. Uma obra dolorosa e chocante que apresenta a realidade da Síria, as consequências de uma guerra que ainda não acabou e o sofrimento de quem ainda mora lá através do olhar de voluntários que ajudam no resgate de feridos em meio aos destroços. É pesado e um tanto quanto triste, mas é essencial.

  • Absorvendo o Tabu (Original Netflix)

Vencedor do Oscar desse ano, esse documentário usa a chegada de uma máquina de absorventes a uma pequena vila indiana para falar a relação das mulheres daquele lugar com a menstruação. Os relatos se dividem entre curiosos e chocantes, mas a melhor parte é como o filme vai além e consegue discutir outras coisas, como os perigos de não falar sobre assuntos considerados tabus, a cultura patriarcal do país em questão e a independência das mulheres. Uma obra direta e muito interessante!

  • A Batalha de Midway

Representante histórico dessa lista, A Batalha de Midway merece ser visto por ser o relato mais cru e verdadeiro possível sobre a Segunda Guerra Mundial. Filmada no meio da batalha em 1942 por um jovem e inexperiente John Ford, a peça de apenas 18 minutos acompanha um ataque japonês com uma proximidade inédita. Isso faz com que o curta possa ser um pouquinho pesado para alguns espectadores, mas o torna ainda mais importante.

Recomendo que seja visto antes, junto ou logo depois do ótimo documentário – e original da Netflix – Five Came Back. Uma aula de história e cinema dividida em três partes que ganha ainda mais com o curta em questão.

  • Extremis (Original Netflix)

Extremamente doloroso, esse documentário é um relato curto, simples e extremamente sincero sobre uma ala médica responsável por pacientes terminais. Um paralelo devastador entre os médicos que vivem dilemas éticos inexplicáveis e as famílias que sofrem, acreditam em milagres e/ou precisam carregar o peso de uma decisão muito pesada para a vida toda. O curta se embola um pouquinho na conclusão e esquece de alguns personagens apresentados, mas não perde a força em nenhum momento. Pode se preparar que vai ser difícil segurar as lágrimas…

  • A Partida Final (Original Netflix)

Esse curta segue a mesma premissa do título anterior e continua falando do “fim da vida em hospitais”, mas deixa de lado a dor de desligar as máquinas que mantém alguém vivo para falar sobre cuidados paliativos. Em outras palavras: sobre onde a pessoa enferma gostaria de morrer e osa caminhos que podem ser seguidos para deixar os momentos finais menos dolorosos. Dentro disso, o filme ainda foca bastante numa família tendo que lidar com a partida de alguém querido, mas acerta ao ampliar um pouquinho seu escopo. Acaba caindo em alguns erros parecidos com os de Extremis, porém não perde sua força e impacto.