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Especial: 10 Filmes Estrangeiros Escondidos na Netflix

Algumas pérolas pra facilitar na hora de escolher um filme...


12 de março de 2019 - 23:34 - Flávio Pizzol

Algumas pessoas tem falado muito que streaming não é cinema, ignorando tanto a falta de acesso de uma grande parcela de possíveis espectadores, quanto o fato de que muitos produtores de conteúdo sem renome encontram nesse novo meio uma chance de divulgar seu trabalho internacionalmente. E, dentro desse pacote de oportunidades, a Netflix tem mostrado sua importância em duas frentes: uma maneira prática de assistir filmes que poderiam ser facilmente esquecidos e um estúdio que investe em projetos internacionais (séries e longas) que talvez nunca teriam a chance de sair do papel em seus mercados nacionais.

Todo o percurso de sucesso feito por Roma, longa mexicano que saiu do Oscar desse ano com três grandes prêmios em mãos, deixou isso mais escancarado do que nunca, mas acreditem quando eu digo que a Netflix tem muito mais escondido no seu catálogo. E podemos traçar nomes que incluem alguns clássicos que merecem ser assistidos com urgência (como OldBoy, Labirinto do Fauno e A Vida é Bela), longas que a Netflix comprou depois de prontos e aqueles que recebem o selo de original.

No entanto, muitos desses são bastante conhecidos e não precisariam ocupar mais do que uma citação nesse texto. O meu objetivo aqui foi catalogar alguns nomes desconhecidos, fazer uma pequena maratona e divulgar algumas possíveis pérolas da Netflix que fogem do sistema de produção hollywoodiano. Filmes que podem ser diferentes e até difíceis de ver por falta de costume, mas que merecem mais reconhecimento.


OBS 1: A lista não tem nenhuma ordenação que defina melhores ou piores. São apenas dicas…

OBS 2: A lista de filmes estrangeiros da Netflix é muito maior do que esperava, então já separei outros nomes (alguns que acabaram de sair) pra assistir e, futuramente, colocar numa possível Parte 2 desse texto.


  • Ele Está de Volta (Alemanha, 2015)

Um dos mais conhecidinhos dessa lista, esse filme alemão usa a chegada hipotética de Hitler ao nosso tempo para arrancar risadas, colocar o dedo na ferida com acidez, e construir uma interessante leitura social, política e midiática da Europa. O longa se perde um pouco em certas justificativas que talvez nem fossem necessárias, mas acerta em cheio na direção meio documental, nas sacadas metalinguísticas e no ótimo final.

  • Eu Não Sou um Homem Fácil (França, 2018) – Original Netflix

Imagine se você acordasse e todos os papéis sociais estivessem invertidos? É exatamente isso que acontece nessa comédia francesa que apoia todo o seu humor em torno do absurdo, mas aposta com firmeza nas discussões que pode gerar quando faz um machista clássico viver em um mundo dominado pelas mulheres. E funciona perfeitamente como gatilho para que homens e mulheres entendam como a nosso sociedade não só é machista, como foi construída para permanecer. Um valioso combo de diversão e reflexão.

Confira a crítica completa aqui.

  • Toc Toc (Espanha, 2017)

Na mesma linha da produção citada acima, Toc Toc é uma comédia surtada que usa o exagero como combustível para divertir, arrancar boas risadas e ainda criar reflexões em cima de certos transtornos obsessivos. Cansa um pouquinho mais rápido por conta da repetição de certas situações, mas se recupera graças a um elenco que sabe lidar com o lado caricatural dos personagens e um final que funciona apesar de algumas previsibilidades.

  • Sementes Podres (França/Bélgica, 2018) – Original Netflix

Sementes Podres tem uma premissa bastante batida, mas ganha pontos com seu tom muito bem equilibrado entre a comédia e o drama, ótimos diálogos que abusam de referências culturais atuais, personagens que conquistam o espectador facilmente e uma organização narrativa que garante boas surpresas. Uma oportunidade certeira de rir, se emocionar e pensar um pouquinho sobre amizade, guerra, dor e redenção. Um dos meus favoritos dessa lista.

  • O Bar (Espanha/Argentina, 2017)

Fugindo rapidamente do padrão de comédias com toques dramáticos estabelecido até aqui, O Bar pode ser considerado uma mistura audaciosa, insana e bizarramente divertida entre comédia, suspense e terror. É verdade que a premissa de isolar pessoas diferentes para entender suas reações diante do medo ou do desespero não é nem um pouquinho original, mas a tensão funciona mesmo depois da revelação do “grande mistério” e a relação minimamente complexa entre os personagens segura o restante das pontas.

  • Nada a Esconder (França/Bélgica, 2018) – Original Netflix

E, depois de uma pequena pausa, voltamos ao universo das comédias dramáticas com essa produção que usa uma mistura de humor negro, tensão e ótimas reviravoltas para fazer basicamente um estudo social sobre a importância do celular nos dias atuais. Eu ainda não tenho certeza se gosto do final, mas acabo o ignorando um pouco para não descartar o roteiro certeiro, as boas atuações e todas as discussões atuais e necessárias – que vão de homofobia até liberdade sexual – que preenchem os 90 minutos de filme.

  • Solo (Espanha, 2018) – Original Netflix

Filmes que contam histórias de pessoas precisando sobreviver sozinhas não são nenhuma novidade, mas isso também não significa que a premissa mereça passar despercebida. Solo é um desses filmes que merecem atenção graças ao visual de tirar o fôlego, as escolhas narrativas usadas para representar a solidão e a mensagem de redenção final. Não vou negar que o desenvolvimento da trama é realmente arrastado, a reviravolta principal se explica mais do que o necessário e o protagonista nem sempre merece a torcida do espectador, porém acho que o todo ainda vale uma visita rápida.

  • Os Capacetes Brancos (Inglaterra/Síria, 2016) – Original Netflix

Depois do representante mediano da lista, chegamos ao nome mais questionável, visto que Os Capacetes Brancos é um curta-metragem produzido majoritariamente pela Inglaterra. Entretanto, em defesa da minha escolha, a língua oficial da história nem sempre é o inglês e a realidade mostrada é muito particular da Síria. Além disso, o documentário – que foi indicado ao Oscar – merece sua atenção pela emoção que preenche cada tomada de uma história muito pouco reconhecida. Merece ser visto!

  • O Silêncio do Céu (Brasil, 2016)

Mais um título questionável da lista, O Silêncio do Céu só está aqui porque não é uma produção totalmente nacional: o longa dirigido pelo brasileiro Marco Dutra foi gravado no Uruguai e co-estrelado por um argentino, dividindo as línguas entre o português e o espanhol. No entanto, o mais importante é que o filme é suspense muito bem construído sobre um casal que deixa o silêncio destruir a relação após a esposa (interpretada pela brasileira Carolina Dieckmann) ser estuprada dentro da própria casa. Pode ser um pouco pesado, mas é incrível e menos reconhecido do que merece.

Confira a crítica completa aqui.

  • A Criada (Coréia do Sul, 2016)

Melhor produção entre as dez listadas nessa primeira parte, esse suspense sul-coreano também entraria facilmente na lista de obras mais impressionantes do últimos anos. O roteiro impecável, as movimentações temporais gradativas e fluidas, as atuações magníficas, as reviravoltas deixam qualquer queixo no chão e a direção consegue misturar romance, drama histórico e tensão sexual com uma perfeição rara. Tudo se encaixa com tanta precisão que as quase duas horas e meia de duração passam voando. É um longa imperdível que finalmente vai alcançar mais gente através da Netflix.

Confira a crítica completa aqui.