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Entrevistas

Entrevista: Gustavo Borges, Eisner Awards e Morte Crens

Falamos um pouquinho sobre seus novos projetos e a indicação de Pétalas ao Eisner Awards.


3 de maio de 2019 - 00:38 - Flávio Pizzol

Se você já escutou algum dos nossos podcasts sobre quadrinhos, certamente ouviu a gente falar sobre o Gustavo Borges tanto no especial sobre o Artist’s Alley da CCXP (aqui), quanto nas indicações de obras nacionais que merecem ser lidas (aqui). E todas as citações são mais do que merecidas, visto que estamos fando de um artista gaúcho que, no auge dos seus 23 anos, pode ser considerado um fenômeno mundial graças as webcomics A Entediante Vida de Morte Crens e Edgar, a participação no selo Graphic MSP com Cebolinha – Recuperação e diversas graphic novels autorais.

Pra completar, Gustavo ganhou dois ótimos motivos para comemorar essa semana: a indicação de Pétalas ao Eisner Awards (que é só o equivalente ao Oscar dos quadrinhos) e o sucesso do financiamento coletivo de O Entediante Trabalho de Morte Crens. E, no meio desse turbilhão de emoções, ele ainda arrumou um tempinho pra conversar com a gente por e-mail sobre as conquistas e alguns projetos do futuro.

Confira a entrevista abaixo, conheça mais sobre esse artista talentosíssimo e, claro, apoie as novas aventuras de Morte Crens no Catarse (link aqui):


Qual é a sensação de ter seu trabalho indicado ao Eisner Awards? Qual foi sua reação quando descobriu?

Gustavo Borges: Gritei, SANTA PAÇOQUINHA! Fiquei absolutamente pasmo. Eu descobri através de uma mensagem por Whatsapp. Um amigo enviou e eu achei que era pegadinha. A sensação de estar indicado é de extrema felicidade, mas confesso que de estranheza também. Eu não esperava isso, não achava que aconteceria, muito menos agora, então é como se eu não estivesse preparado. Bom, a vida nunca espera estarmos preparados para as coisas, então acredito que está tudo bem. Muito feliz, só ter sido indicado é uma honra e um sonho. Nem precisa ganhar…

 

Como você vê a indicação de Pétalas em uma categoria relacionada ao público infantil? Digo isso, porque, como leitor, não vejo ela como uma obra necessariamente infantil.

Gustavo Borges: No mercado americano, os gêneros e faixas etárias são muito mais divididos. Com isso, é mais fácil de atingir públicos-alvo interessados e que as obras possam ter destaque dentro de seu campo. Por exemplo, Pétalas não iria competir nunca com o Batman. E mesmo lá estando como infantil, é uma obra para todas as idades.

Porém, o fato de ela ter um tom de fábula e não ter texto ajuda muito na receptividade do público infantil. Isso foi uma das estratégias pensadas pela editora. Eu acho super legal que isso exista, porque aqui no brasil 85% de quem lê meu material é adulto. Precisamos de crianças lendo quadrinhos!

 

 

Em relação a campanha de O Entediante Trabalho de Morte Crens no Catarse, o resultado te surpreendeu?

Gustavo Borges: Muito! Eu não esperava que fosse estourar tanto. É minha primeira campanha sozinho. Em Pétalas, tinha a Cris (Peter, colorista e colaboradora de Gustavo) junto. E, em Escolhas, o Felipe (Cagno, autor da graphic novel em questão) e a Cris. Então rolou um frio na barriga antes de soltar o projeto. Mas como eu já estava armando terreno com um público do personagem na internet, mais especificadamente no Instagram, eu apostei. E a aposta virou muito bem, tanto que eu consigo saber que mais de 60% do público da campanha é um leitor novo.

 

O que os apoiadores da campanha – e futuros leitores – podem esperar as novas aventuras de Morte Crens?

Gustavo Borges: O Morte Crens e a Vida são aqueles dois personagens que eu vou levar por bastante tempo ainda. Sinto que cada vez que reencontro eles, eu estou diferente, mais velho, com pensamentos mais maduros, e vem uma leva nova de tirinhas. Então é algo que imagino me acompanhando durante minha carreira. Outra coisa é que, daqui para frente, os livros vão sempre ter uma história mais longa do personagem junto das tirinhas. Uma tradição que iniciei no segundo volume. Assim, valorizamos quem adquire o livro, pois essa história é exclusiva do impresso e não vai para internet.

 

A sua mesa na CCXP 2019 estava divulgando um novo projeto, chamado Meia Dúzia de Sapos. Posso estar um pouquinho adiantado graças a curiosidade, mas já pode revelar mais alguma novidade sobre a obra? Uma previsão de lançamento, quem sabe…

Gustavo Borges: Usei o espaço da mesa para isso sim! Não sou do tamanho da Marvel para ter um painel e anunciar projetos novos, mas dou meu jeito. Estou trabalhando nesse projeto, já estou com roteiro pronto, executando a etapa dos layouts, que é onde o roteiro se prova, crio diálogos, ritmo e etc… E a Cris Peter vai voltar a trabalhar comigo em Meia Dúzia de Sapos fazendo as cores, que com certeza vão ajudar a contar essa história assim como foi em Pétalas e Escolhas.

Ainda não há nada que eu possa afirmar sobre a publicação. Eu estou conversando com parceiros nacionais e internacionais para discutir possibilidades, mas uma coisa é certa: é meu maior trabalho em volume e um passo além para o tipo de trabalho e história que quero contar. Talvez demore um pouquinho mais do que vocês estão acostumados, mas vai (eu espero) valer a pena.