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Entre telinhas, quadrinhos e financiamentos coletivos


Com mais de 25 anos voltados para o mundo artístico, Felipe Folgosi construiu uma carreira de respeito como ator e apresentador, se destacou em trabalhos realizados nas maiores emissoras abertas do país, estudou cinema em Los Angeles para se especializar e, no ano passado, transformou um dos seus roteiros na elogiada graphic novel Aurora através do financiamento coletivo.

Contando mais uma vez com o apoio dos seus fãs no Catarse, Felipe está no meio da campanha de arrecadação para o seu segundo projeto em quadrinhos: Comunhão. O resultado promete ser uma baita graphic novel que vai reunir aventura, suspense e terror para contar a história de um grupo de corrida de aventura que precisa se salvar de uma tribo muito suspeita no coração da Mata Atlântica. Nós ficamos impressionados com a ideia e muito felizes quando o Felipe topou responder algumas perguntas para a gente, como parte da divulgação do projeto. Confiram o resultado abaixo:

Por muito tempo você foi reconhecido apenas pela sua carreira na televisão e no teatro, tanto que poucas pessoas conhecem a sua atuação no mercado de quadrinhos. Como surgiu a sua relação com HQs e graphic novels? E quais são suas principais referências?

Eu cresci lendo quadrinhos. Quando comecei minha carreira, dei algumas entrevistas falando sobre isso, no começo de 1990, mas ninguém lembra mais (risos). Como fiz faculdade de cinema com especialização em roteiro, há algum tempo pensava em adaptar um dos roteiros que tinha escrito para quadrinhos. Finalmente em 2014 consegui começar a produzir o Aurora. Minhas referências vem de muitos lugares: arte, ciência, literatura, mas, especificamente, falando de quadrinhos, cresci lendo Marvel, DC, Maurício de Souza, Asterix, Moebius, Manara, MAD, Circo, Chiclete com Banana, Calvin…enfim, tudo que saia nos anos 80.

Fazendo outra conexão entre suas áreas de atuação, a carreira de ator ajudou de alguma forma na construção do Aurora e, agora, do projeto Comunhão?

Tecnicamente ajudou em escrever diálogos, porque ao longo dos anos, lendo muitos roteiros e peças você acaba reconhecendo quando um diálogo é bem escrito. Na parte de produção, acho que ajudou na divulgação, por eu já ter acesso a veículos de comunicação.

Sobre o mercado independente de quadrinhos no Brasil: como foi o processo de lançamento dos seus trabalhos? Você foi bem recebido pelos outros artistas?

Como eu nunca havia produzido um quadrinho, o Aurora foi uma grande escola. São várias etapas envolvidas, desde a criação do roteiro, escolha dos artistas, supervisão da produção, gráfica, lançamento, divulgação, distribuição… O processo foi longo, mas de muito aprendizado. Fui muito bem recebido pela grande maioria. É claro que tem gente que ficou de pé atrás, mas que quando começaram a me ver nos eventos, vendendo meu quadrinho como eles, foram se desarmando.

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Como foi participar da CCXP 2015? Pretende voltar nesse ano?

Estive nas duas edições da CCXP até agora e ambas foram incríveis. O bom do ano passado é que o Aurora já havia sido lançado, então pude ter um feedback do público. Espero estar de volta sim, com o Comunhão se tudo der certo.

Voltando especificamente para o seu projeto atual: como surgiu a ideia do Comunhão? E podemos esperar tantas discussões religiosas e filosóficas quanto em Aurora?

O Comunhão nasceu em 2006, da sugestão de um amigo americano para que eu escrevesse um roteiro de terror. Então procurei temas que me interessavam como corridas de aventura, sobrevivência na selva e a origem do mal para construir a história. Apesar de serem histórias bem diferentes (o Aurora é uma ficção científica), pode contar com até mais dessas discussões no Comunhão.

Pra finalizar: depois do lançamento do Comunhão, você já tem algum novo projeto em vista no cinema, na televisão e nos quadrinhos? Já podemos ficar ansiosos por uma continuação de Aurora?

Sim, já estou com uma boa parte da continuação do Aurora escrita e, assim que acabar a correria do Catarse, devo retomar e terminar. Se tudo der certo ela sai em 2017. Aproveito para convidar a todos para conhecer o Comunhão no Catarse e colaborar! A campanha vai até dia 30/07, não percam!

Muito obrigado, Felipe. Esperamos que o Comunhão alcance todas as metas necessárias para sair do papel e, claro, que a gente se encontre na CCXP 2016. 


 

Dica nossa: o Aurora está à venda em livrarias e bancas de todo o Brasil, além de estar disponível online pela plataforma Social Comics. Já o projeto Comunhão pode ser facilmente encontrado em sua página oficial no Facebook (aqui) e no Catarse (aqui). Não deixe de conhecer mais e apoiar esse projeto super legal!

Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

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