Duna
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A longa saga de Duna

    • Título: Duna
    • Autor: Frank Herbert
    • Ano: 1965
    • Publicação: 2017
    • Editora: Aleph
    • Gênero: Ópera Espacial / Ficção Científica

Quando a religião e a política viajam no mesmo carro, os condutores acreditam que nada é capaz de ficar em seu caminho. Seu movimento torna-se impetuoso, cada vez mais rápido. Deixam de pensar nos obstáculos e esquecem que o princípio só se mostra o homem em desabalada carreira quando já é tarde demais.

Me perdoem queridos leitores, mas para mim Duna é o livro mais difícil de resenhar, pois é o meu livro favorito. Não que eu seja incapaz de encontrar erros no livro por gostar muito dele, sou sim, inclusive vou estar resenhando toda série (são 6 livros) e sei que tem alguns erros de continuidade da parte do autor que deixa algumas coisas meio estranhas. Talvez ele resolveu desenvolver mais alguma coisa em outro livro, porque depois fica mais esclarecido. Mas nada que atrapalhe a leitura.

Duna já teve uma adaptação cinematográfica lançada em 1984 pelo diretor David Lynch, que eu, pessoalmente, acho um lixo (contrário ao crítico desse site que acha o diretor um gênio mal compreendido). Em 2000 foi lançada uma minissérie pelo Scifi Channel, que traz uma história mais fiel ao livro. Eu estou particularmente ansiosa pelo lançamento da adaptação pelas mãos do diretor Denis Villeneuve, cujo trailer vai sair no dia 9 de setembro.

Um pouco mais sobre o livro Duna

Duna, livro lançado em 1965, é uma Ópera Espacial, subgênero da ficção científica, e conta basicamente a história de uma disputa entre casas nobres pelo domínio do comércio da especiaria Melange, que é a substância mais cara e mais preciosa do universo. Não,você não leu errado, o livro se passa no futuro porém o sistema político é de um Império e tem essas casas nobres que são ordenadas pelo Imperador a cuidar de certos planetas e dos seus respectivos produtos naturais.

A Melange é extremamente preciosa por ser capaz de prolongar a vida dos seus usuários e proporcionar poderes especiais aos navegadores da Guilda (empresa que controla o transporte interplanetário e o comércio). Com esses poderes, os navegadores conseguem fazer com que as naves viajem por caminhos mais seguros, evitando acidentes cósmicos. Ainda assim a Melange é uma substância misteriosa, que ao longo do livro vai sendo mais explicado.

Porém, uma das coisas que fazem ela tão cara é o fato de que ela só é produzida em um planeta, Arrakis, um planeta completamente deserto apelidado de Duna, que não tem oceanos, mares, rios, lagos, nem uma pocinha d’água pra gente xingar quando pisa sem querer, habitat de vermes gigantescos capazes de devorar um prédio numa bocada, assolado por tempestades de areia que conseguem quebrar metal e com uma população misteriosa, chamada de Fremen.

Poder e medo, medo e poder.

Por 80 anos, Dona foi explorada pelo pela família Harkonnen, porém o Imperador decidi colocar o Duque Leto Atreides, inimigo declarado dos Harkonnen, para explorar e governar o planeta. O Barão Vladimir Harkonnen explorou o planeta de forma devastadora, inclusive tratando a sua população apenas com violência e completo desprezo, como se eles não fossem seres humanos.

O Duque Leto vai para Duna com seu filho, Paul Atreides, e sua concubina Jessica, uma aluna de uma irmandade chamada Bene Gesserit. Essa é uma ordem que só tem mulheres, com um treinamento bastante misterioso, e que são enviadas para se casar, se tornarem concubinas ou amantes de homens de famílias nobres e dar a luz apenas à meninas. Porém, Jessica quis ter um menino, pois se apaixonou pelo Duque e queria realizar esse desejo dele, contrariando as ordens que lhe foram dadas.

Os seres humanos vivem melhor quando cada um deles tem seu próprio lugar, quando cada um sabe onde se encaixa no plano das coisas. Destrua esse lugar e destruir a pessoa.

Paul, treinado pela mãe nesses mistérios da Bene Gesserit, assim como ensinado em técnicas de luta, governo e guerra tem, além de tudo, capacidade da presciência, ou seja, ele tem sonhos e visões com coisas que podem ocorrer. De forma que a ordem das Bene Gesserit acabam se interessando nele, pois parece corresponder ao “produto” de reprodução genética que elas tentam criar a gerações. Esse é o protagonista da nossa história.

Notaram que até aqui não fiz nenhuma resenha certo? Só falei um pouco sobre o que é história. Essa epopeia épica, que é uma ficção científica com cara de fantasia, vai se desenvolvendo pouco a pouco durante o livro, que é dividido em três partes. Então é um início um pouco lento para estar entendendo toda essa situação política de Duna.

Sendo uma Ópera Espacial, todo o universo de Duna traz novidades, desde os personagens, as escolas e a irmandade, o sistema Imperial, ao da ecologia do planeta e a cultura do povo fremen, inspirada na cultura árabe. Então boa parte do início do livro vai estar apresentando muitas palavras diferentes por ser criação desse universo todo. O final do livro tem até um glossário com essas palavras, para quando estiver em dúvida está consultando.

Duna é um livro um pouco descritivo para explicar essas coisas, mas em outros aspectos falha um pouco. Frank Herbert gostava de descrever formas de equipamentos mas não dá tantos detalhes assim, deixando bastante coisa mesmo para imaginação. Porém ele gosta muito de estar descrevendo os personagens, os cenários, os vermes de areia, mas não chega no nível de Tolkien, que se pudesse estaria colocando o código RGB das cores para mostrar exatamente que tom de verde está falando.

A narrativa de Duna é em terceira pessoa, porém várias vezes nós temos os pensamentos das pessoas em cena, o que dá mais aprofundamento aos personagens, de seus planos e impressões. Algumas pessoas não gostam muito disso, mas em geral as pessoas do grupo gostaram justamente por esse aprofundamento. Os capítulos não são numerados ou nomeados, cada um deles traz um trecho de algum livro que foi escrito no futuro sobre o que estava acontecendo naquele momento. Pode-se dizer que o autor vai dando alguns spoilers sobre a própria obra, porém eles criam mais sentimento de ansiedade para dar significado aquele trecho e faz com que ao longo da leitura a gente tente desvendar o final.

Duna

Primeiro capítulo de Duna, todos os capítulos apresentam trechos como esse. E sim, eu sou a doida dois post its.

Quando estava lendo Os Despossuídos, falei com o pessoal do meu grupo de leitura, Sci-Fi LC, que era um livro mais reflexivo, portanto um “livro salada”, que serve para “nutrição intelectual”. Tem os “livros fast food”, que é só para gente se divertir e ficarmos felizes e animados com a leitura. Duna é um livro refeição completa, com entrada, prato principal e sobremesa. Ele dá momentos de divertimento, momentos de reflexão, de alegria e de tristeza.

—Vontade? O que a vontade tem a ver com isso? Você luta quando surge a necessidade, não importa se está ou não com vontade! As vontades são para o gado, ou para fazer amor, ou tocar o baliset. Não para lutar.

O livro Duna vale a pena?

Duna é um planeta deserto e os fremen uma sociedade com uma cultura bastante complexa, pode-se adicionar a todo esse cenário político uma grande crítica ambiental, principalmente ao uso da água, assim como também a o uso da religião como manipulação de massa de manobra.

Apesar de o livro mostrar uma sociedade Imperial patriarcal, a presença forte das mulheres faz crítica a esse sistema está aí para mostrar a nossa importância. Lembre-se de que o livro foi escrito em 1965, onde o machismo ainda reinava em leis ocidentais, e ainda estávamos na luta para vários de nossos direitos básicos. E a luta não acaba. As mulheres em Duna são apresentadas como mulheres fortes, essenciais para a política, para religião, tão capazes de lutar com os homens, e muito inteligentes. Acho que esse é um dos pontos fortes para ter se tornado um dos meus livros favoritos, tive várias mulheres para me espelhar ali.

Apesar dos Atreides serem meio que a família de “bonzinhos” do livro, ainda vemos que um pouco da forma que o Duque Leto e sua família tem de tratar bem as pessoas não está relacionada a bondade, mas manipulá-las e fazer com que elas tenham assim maior fidelidade a família. Técnicas que hoje em dia são vistas em algumas empresas para conseguir maior produtividade dos seus funcionários.

Era guerreiro e místico, ogro e santo, a raposa e o inocente, galante, cruel, menos que um deus, mais que um homem.

O próprio Paul, sendo o protagonista, não é necessariamente um herói. Vemos no livro toda sua evolução com como o adolescente que saiu de sua terra natal para um planeta completamente hostil, e dois anos depois com seu desenvolvimento mostrando o fruto de todo seu treinamento e liderança no clímax da história.

Todo o desenvolvimento em torno do personagens da família Atreides mostram eles como seres humanos, que cometem erros, mas que também tem qualidades. O que não acontece muito na família Harkonnen que são os vilões típicos das décadas de 60 até 90 100% maus por serem maus. Então, não espere nesse primeiro volume uma daquelas histórias com vilão complexo, que nos dá pena e nos parte o coração ter visto ir por esse caminho. Isso é pro livro 3.

Não poderia acontecer um desastre mais terrível para sua gente do que cair nas mãos de um herói.

Em meio a tiro porrada e bomba, discussões sobre política, religião, naves, ornitópteros, vermes-de-areia gigante, drogas, guerra, tempestades de areia, mais tiro porrada e bomba, Duna é uma das obras mais complexas de ficção científica atuais e fonte de inspiração para muitos outros filmes e séries que temos na cultura popular, como Star Wars.

Grave isso na memória, rapaz: o mundo é sustentado por quatro coisas o conhecimento dos sábios a justiça dos Poderosos, aparece dos justos, e a coragem dos Bravos. Mas isso de nada vale sem um governante que conheça a arte de governar. Faça disso a ciência de sua tradição!

Lido pela quinta vez, me surpreendi em aprender sobre o poder que a ciência tem em reconhecer uma situação, mas ao confrontar a natureza não consegue fazer nada em relação ao poder dela. E sim, continua sendo meu livro favorito.

A leitura coletiva da série continua em setembro com o segundo livro, Messias de Duna, e todos estamos super atentos que a Editora Aleph, finalmente está lançando o sexto e último livro, Hereges de Duna, em breve.

E a saga de Duna está longe do fim.

Não terei medo. O medo é o assassino da mente.

E ai, se interessou? Você pode adquirir o livro ou e-book aqui.

Aqui é a Liv do Resenhas Caóticas, e se você quer acompanhar mais as minhas leituras, me siga no Instagram @ResenhasCaoticas. Obrigada e até a próxima.

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Livia Salzani

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