Drive My Car – Crítica | As vantagens do amor falho

Drive My Car acaba de estrear na Netflix
Foto: Divulgação

Indicado a 4 Oscars, “Drive My Car” exalta o silêncio do luto enquanto abre mão do sentimento de controle


O cinema oriental é recheado de contemplação. Hayao Miyazaki, Hong Sang-soo, Naomi Kawase, são apenas alguns dos nomes que gostam de deixar a imagem falar por si, no seu tempo. Indo por esse caminho, Ryusuke Hamaguchi, a exemplo do ótimo “Roda do Destino” (sim, ele lançou dois filmaços em 1 ano), traz mais uma obra sobre encontros, coincidências e principalmente sobre ceder.

Drive My Car exala todo a sensibilidade do diretor em uma produção repleta de sentimentos conflitantes, ao passo em que a calma e o silêncio do luto tomam conta.

Drive My Car - Crítica | As vantagens do amor falho 3
Foto: Divulgação MUBI Brasil

Qual a trama de Drive My Car?

Adaptado de um conto de Haruki Murakami, o filme segue duas pessoas solitárias que encontram coragem para enfrentar o seu passado. Yusuke Kafuku (Hidetoshi Nishijima) é um ator e diretor de sucesso no teatro, casado com Oto (Reika Kirishima), uma mulher muito bonita, porém também uma roteirista com muitos segredos, com que divide sua vida, seu passado e colaboração artística.

Quando Oto morre repentinamente, Kafuku é deixado com muitas perguntas sem respostas de seu relacionamento com ela e o arrependimento de nunca conseguir compreendê-la completamente. Dois anos depois, ainda sem conseguir sair do luto, ele aceita dirigir uma peça no teatro de Hiroshima, embarcando em seu precioso carro Saab 900.

Lá, ele conhece e tem que lidar com Misaki Watari (Toko Miura), uma jovem chauffeur, com que tem que deixar o carro. Apesar de suas dúvidas iniciais, uma relação muito especial se desenvolve entre os dois.

O que achamos do filme?

Detalhista ao extremo, Hamaguchi contrói relações descompromissadas de início, momentos banais que logo vão ganhando importância, diálogos corriqueiros e quase místicos que se esvaem e se cumprem como profecias, a medida que os personagens se cruzam.

Drive My Car - Crítica | As vantagens do amor falho 4
Foto:Divulgação MUBI Brasil

Existe em Drive My Car um passado que parece perseguir seu protagonista, ao passo que algumas coisas não ditas ou esclarecidas se tornam necessárias em seu desenvolvimento. As interações quebram e remontam a alma e o coração de Yusuke, rendendo cenas incríveis como a do jantar, a da audição, e a do ensaio ao ar livre, onde o diretor de teatro pode ver seu trabalho ganhar vida enquanto deixa a sua para trás.

O embate entre duas pessoas fechadas pelo medo logo se esvai, e ambas tornam-se confidentes um do outro e do próprio destino. O receio do confronto com as pessoas que marcaram suas vidas dá lugar a uma falsa sensação de mistério, onde apenas uma longa conversa resolveria, algo que não falta em Drive My Car.

Os 175 minutos me cansaram na última hora, mas o sentimento reprimido enfim exposto é o suficiente para atiçar a curiosidade, e mostrar a beleza de um filme feita para refletir. Hamaguchi mais uma vez simplifica o complexo diante dos nossos marejados olhos.


Drive my Car está em cartaz nos cinemas brasileiros, e chega no dia 1º de abril ao catálogo da mubi. Caso vá aos cinemas, siga todos os protocolos de segurança.

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