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Na semana passada, aconteceu uma entrevista coletiva com o elenco de DOM, nova série brasileira do Amazon Prime Video


Com 8 episódios de 1 hora cada, DOM chegou ao catálogo do Amazon Prime Video, e você já pode conferir nossa crítica. Mas antes de assistirmos a série, batemos um papo com o elenco em uma entrevista coletiva, com as presenças de Breno Silveira (showrunner), e os atores Gabriel Leone (Pedro Dom), Flavio Tolezani (Victor, pai de Pedro), Isabella Santoni (Viviane), Raquel Villar (Jasmin) e Malu Miranda (Head de Conteúdo Original para o Brasil do Amazon Studios).

O elenco foi muito simpático e o papo fluiu de forma natural, com todos se mostrando orgulhosos com o trabalho (gravado antes da quarentena). As perguntas são de nossos colegas jornalistas, e muitas delas foram feitos pelos nosso amigos do Pop Fun TV.

Além disso, esta é uma versão resumida da conversa.

 

– Como se originou a história?

Breno Silveira: “É a história de como começa o início de uma guerra que dura até hoje no Rio de Janeiro. Estou orgulhoso da história e da Amazon ter embarcado nessa aventura. A produtora escolheu essa em meio a tantas histórias.”

– Como foi a escolha de atuação dos atores?

Gabriel Leone: As escolhas foram feitas entre nós, construímos juntos. Tudo foi filmado em ordem cronológica. Estamos orgulhosos.

Flávio Tolezani: “Foi uma responsabilidade estar no papel do Vitor. Mesmo que seja inspirado em fatos, nossa fonte é o roteiro. O Breno e os roteiristas tiveram um olhar delicado e sensível. Não teve apenas ensaio, a preparação veio de material de pesquisa.”

Breno: “Aos poucos eles foram criando personagens que foram além do roteiro e da vida real, criando vida. Essa é a beleza da atuação.”

– Como a Amazon olha para o Brasil?

Malu Miranda: “É interessante notar que desde setembro de 2019, a Amazon já lançou 11 séries brasileiras. Foi uma linda jornada de dois anos, e é apenas o começo. A força do storytelling do Brasil e a força do Breno vai abrir a porteira para os mais de 200 países que a série irá.”

– Como foi a adaptação?

Breno: “Tivemos que preencher a lacunas, criar novas histórias. A Amazon pediu representatividade no elenco. Reunir o material foi um processo de muitos anos. A partir da entrada da Amazon, organizamos melhor essa teia de informações. Mesmo internado, Vitor mandava textos de coisas que não tinha revelado em nenhum livro, enviava-nos de madrugada. O amor de pai e filho está na série.”

“São 170 locações diferentes, mais de 160 atores. Não se perder era um desafio. Uma produção grandiosa. Reunir os atores foi maravilhoso, os núcleos não iam se ver, a história de passa nos anos 70 e 2000. Foi um quebra cabeça e trocar o puglin era difícil. A realidade traz material pra ficção. Paravam o Gabriel (na rua) pra contar histórias do Dom. A gente conseguiu.”

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Foto: Divulgação

– Isabela, como você interpreta o alcance das produções nacionais?

Isabella Santoni: “Há uma expectativa muito grande. Quando fiz Malhação dei tudo de mim e não pensei no valor da produção, apenas me entreguei a personagem. Tô muito feliz e minha entrega é a mesma. Não penso muito nisso.”

– Gabriel, qual o lugar do silêncio na sua forma de atuar?

Gabriel: “É uma oportunidade que temos nas mãos de contar a história para além do que está escrito. Gosto das dramaturgias que exploram o silêncio. Nas séries que vejo gosto bastante. Quando você começa um relacionamento, você fica nervoso com o silêncio, com o tempo isso vira um sintoma de intimidade. Quando o silêncio se estende pro espectador é uma forma de identificação. O Breno estimula o silêncio que foi fundamental, e algumas coisas não podem ser ditas e engradecem nossa dramaturgia.”

Breno: “A TV hoje conversa muito mais com o cinema. Como usamos locações reais, tivemos muito câmera na mão, ela tinha que estar viva e acompanhar e entender os atores, a mensagem que estava sendo passada.

Flávio: Isso é libertador, o Breno dizia: esquece a câmera que a gente vai atrás.”

– Raquel, vivendo no exterior (em Berlim), como você percebe a produções brasileiras aí fora, e qual foi a cena mais difícil de gravar?

Raquel Villar: “Tô muito feliz para mostrar  um lado, a cada dia aqui fora as produções BR são mais vistas. As cenas de ação de carro foram as mais interessantes, sempre vi em filmes de ação internacionais e amei fazer essas cenas.”

– Flávio, você teve um papel marcante em Verdades Secretas. Qual o maior desafio? Interpretar a dor do outro ou interpretar o viciado?

Flávio: “A paixão pela história ajudou muito. Os detalhes foram essenciais. Todo nosso caminho na atuação ajudou demais tbm, afinal a bagagem ajuda. Gosto desses temas, não apenas como arte, mas um tipo de serviço social. Mostrar como o efeito é causado nas pessoas que já viveram ou ainda vão viver isso.”

– Malu, qual a expectativa do lançamento pra fora do Brasil?

Malu: “É um presente. Ter um poder de conectar com públicos diversos. Temos visto o feedback de nossas produções com pessoas ao redor do mundo. O fato de ser dublada para vários países (inclusive em 3 línguas indianas) é incrível. Pessoas afetadas pessoalmente pela série. Isso soa de uma maneira universal, os fãs do Gabriel são os dubladores em várias línguas, é muito bacana ver isso. Isso são sinais de que teremos sucesso.”

Foto: Divulgação

– Breno, suas histórias são recheadas de apelo humano. Teremos o mesmo aqui?

Breno: “Os personagens são a primeira coisa que me atrai. Laços também. O laço pai e filho me persegue. São histórias que me emocionam. Tive dúvida porque parece uma história violenta, mas no fundo tava fazendo uma história de pai e filho. Minha vontade é me comunicar. Se as pessoas não se envolvem eu fico maluco. Essa é a beleza. Ver a pessoas rindo, chorando. Não espere a mesma coisa de todos os episódios, é um mar de emoções, curvas diferentes.”

– Leone, como foi se preparar pra viver um personagem como Pedro Dom?

Gabriel: “Já temos um spoiler. Você entra no Google e já sabe o que aconteceu. Foi um processo de imersão. Filmamos durante 4 meses. Chegava lá de manhã, colocava as lentes azuis e passava o tempo inteiro de lente. Rolava um estranhamento quando tirava. Voltar a me ver. Por mais pesado que seja, nunca deixar de se divertir com o trabalho. Sem perder a concentração e o foco.”

Breno: “O Vitor me falava que o sorriso do Pedro era carismático. Escolhi o Gabriel pelo sorriso, porque ele tem o sorriso dele. É um personagem muito solar. Se ele tivesse medo ia pra frente. Queria viver uma história surreal, em pouco tempo. Ele tem prazer no que está fazendo. As duas mulheres que passaram pela vida dele ajudaram a molda-lo. Seu caráter e sua jornada. A Isabella e a Raquel tem muito dessas personagens, não me pergunte porque.”

“O processo de escolha de elenco é muito esquisito (risos).”

Gabriel: “Não só o Pedro e Vitor tem essa dualidade. As pessoas que vinham falar comigo falavam dele, uns com um sorriso e outros com muita sombra. Ele fez mal e bem pra muitos.”

Breno: “O Vitor falava que o que fez na vida foi enxugar gelo. A série mostra o quanto Pedro sofreu. Vitor dizia que viu o que as favelas do Brasil se tornaram.”

– Mesmo com a pandemia, podemos esperar mais produções pra este ano Malu?

Malu: “Com certeza, tivemos que ser criativos e adaptáveis. A pandemia nos afetou tecnológica e logisticamente. O último dia de filmagens de Dom foi em março de 2020 e ficamos aliviados. Podemos acompanhar muito a parte de edição e montagem. Vem aí “Manhãs de Setembro”, estamos acabando de filmar “Lov3″. Pós produção de outras duas séries, enfim.”

Breno: “Apesar das dificuldades tivemos uma sorte. A cena final foi filmada num túnel e o Rio fechou no dia seguinte. Queria agradecer a Amazon e a Conspiração. além das pessoas que não aparecem aqui. A liberdade da Amazon. Nunca tinha trabalhado com tanta gente.”

– Como foi construir e descontruir a relação pai e filho? Já que há momentos de alegria e tristeza?

Flávio: “A tensão é que gera a união deles. O amor pelo filho, a vontade de resgate, ver os erros e os acertos, o fato de ser palpável. Isso que me pautou e reflete demais na relação.”

Gabriel: “80% ou mais da série estamos em embate, e teve um momento que entendemos que precisávamos nos conectar e estimular o amor entre os dois. Era uma armadilha só ficar no confronto. O amor ia dar a identificação pras pessoas, mesmo que passe por obstáculos.”

Malu: “Acho importante ver os extras presnetes na Amazon, para entender essa relação dos dois.”


DOM já está disponível no Amazon Prime Video

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Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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