AODISSEIA
Especial

Diário FICCI: Terceiro dia

Manhãs de fila, filmes pesados e um masterclass

4 de março de 2018 - 03:47 - Flávio Pizzol

Como já poderia ser antecipado pelas mudanças que a organização preparou para a imprensa, o dia começou bem cedo. Dormi muito mais do que dormiria em qualquer cobertura de CCXP, porém tive que sair antes do café do hostel ser servido para garantir meus ingressos de hoje. Queria assistir Pororoca e As Boas Maneiras, dois lançamentos que vieram respectivamente da Romênia e do Brasil e vão ganhar críticas próprias no site sem muita demora. Logo vou poupar meu tempo, minha paciência (porque um grupo de turistas tomaram o quarto de assalto e não me deixam escrever) e a sua leitura de qualquer comentário antecipado.


O ponto do meu dia que merece ser descrito nesse tipo de post foi a apresentação especial da atriz espanhola Maribel Verdú, uma das principais convidadas desse ano. Ela falou sobre a função do ator na criação de um personagem, o trabalho de Alfonso Cuarón como diretor, a evolução da sua carreira, sua relação com as Academias de premiação do mundo inteiro, a importância de uma boa montagem e como esta pode salvar um filme medíocre, sobre a pouca importância dos prêmios para o cinema e muitas outras coisas.

Entre os assuntos que mais me agradaram, posso separar dois momentos importantes: a hora em que ela comentou sobre sua experiência com dois diretores vencedores do Oscar, supondo que Guillermo Del Toro vença hoje; e sua opinião na estúpida disputa entre Netflix e cinema. No primeiro caso, ela contou uma história de como o mexicano pedia para ela recitar os textos de O Labirinto do Fauno, enquanto descascava uma laranja (talvez seja maça, já que eu estava longe e ainda não sou um mestre do espanhol…), sendo que o objetivo era terminar toda a página sem que a casca se partisse. Segundo ela, o exercício exigia que elas prestassem total atenção nas palavras e no momento.

Já no segundo caso, ela contou que cresceu em uma época onde ter acesso ao cinema era quase um luxo. Então acredita que é melhor viver um mundo onde existam mais plataformas que proporcionem o contato do público com as películas. Elas podem não substituir a sala escura e todas suas sensações (como eu acredito), mas aumentam o alcance da sétima arte.

Esses e outros momentos tornaram a conversa interessante, mas não a impediram que também soasse um pouco cansativa. O FICCI não tem a pegada de espetáculo de uma CCXP e isso me faz refletir sobre o tempo que vou gastar na fila para ver o Owen Wilson. Vou tentar pelo tamanho da oportunidade, porém não pretendo madrugar na fila ou mofar no sol para garantir o melhor lugar do auditório. Qualquer cantinho já será suficiente…


E só para não ficar parecendo que a sessão de As Boas Maneiras não deu em nada, o diretor Marco Dutra fez um Q&A com a platéia após a sessão e passou algum tempo conversando comigo no caminho de volta para a Ciudad Amurallada. Em outras palavras, ele falou bastante sobre a produção do filme, a criação da história, as “dificuldades” de financiamento e algumas outras decisões importantes, como o uso do CGI na criação monstro principal.

Não vou falar muito, porque vou inserir algumas dessas informações na crítica e outras devem pipocar na entrevista que vamos fazer quando a estreia no Brasil estiver mais próxima. Então tudo o que você precisa fazer é continuar acompanhando a nossa cobertura.