AODISSEIA
Especial

Diário FICCI: Segundo dia

Um pouquinho de stress, um dos melhores filmes do ano e alguns tributos

3 de Março de 2018 - 02:37 - Flávio Pizzol

Para reforçar o começo do texto passado sobre a vida de imprensa ter suas regalias e dificuldade, meu dia já começou com um pouquinho de stress. A aproximação do final de semana trouxe muito mais gente para o festival e, desde cedo, a fila para pegar ingressos já estava bem maior que no dia anterior. Por conta disso, decidi ir para o shopping para conseguir minhas entradas mais rápidas e acabei apenas descobrindo que a organização tinha decidido tirar esse privilégio da imprensa. Segundo eles, a partir de hoje, somente a indústria e os convidados poderiam garantir um lugarzinho no cinema no dia anterior.

Peguei um táxi até a sede onde, retornando para a ausência de comunicação, me falaram que isso era mentira. Terminei uma crítica no hostel, voltei para o shopping disposto a conseguir meus ingressos de qualquer maneira e fui rejeitado mais uma vez. Ao menos, minha pequena pirraça em frente à bilheteria gerou resultados positivos: o coordenador da sala reconheceu que a imprensa deveria ter sido avisada da mudança e prometeu separar a entrada de uma das sessões para mim.

Dali só precisei matar um pouquinho de tempo para entrar na sala de In the Fade (Em Pedaços na tradução brasileira), uma das melhores coisas que vi nesse ano. Não vou me alongar mais uma vez, porque a crítica já está no ar, porém posso admitir que a intensidade do estudo de personagem sobre uma mãe sem esperança mexeu comigo.


Fora isso, o dia correu completamente normal e se encerrou com dois belos tributos. O primeiro foi uma exibição especial de O Grande Ditador – uma das três obras-primas de Charles Chaplin – em uma tela realmente decente. Não tenho condições, mais uma vez de fazer qualquer crítica, mas fiquei surpreso com a quantidade de risadas que um filme tão antigo conseguiu arrancar da platéia. Além daquele discurso avassalador que encerra a produção, esse o motivo pelo qual tal longa pode ser classificado como um verdadeiro clássico da sétima arte.

Logo em seguida, assisti Y Tu Mama También, longa dirigido pelo agora oscarizado Alfonso Cuarón (Gravidade) em 2001. Foi uma oportunidade incrível de acompanhar seus longos planos-sequência, mas, como não conhecia o filme, fui surpreendido por duas coisas: a alta dose de sexualidade e um timing cômico que o diretor não demonstra em suas produções mais recentes. Claro que boa parte do humor vem da química entre Diego Luna, Gael García Bernal e  Maribel Verdú, entretanto manter a câmera ligada em momentos de ouro improviso é um dom raro.