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Dark se encerra com uma visão corajosa e peculiar sobre o verdadeiro sentido de algo ou alguém existir


O que sabemos é uma gota. O que ignoramos é um oceano.

  • Isaac Newton

Quando era adolescente e faltava aula, gostava de imaginar o que o “outro eu” ou o “eu de outra realidade” podia fazer (ou ter feito), se tivesse ido ao colégio. Esse pensamento provindo de séries como “Twin Peaks”, “Lost”, “Fringe” e até de filmes como “De Volta Para o Futuro” e “Efeito Borboleta” me acompanhou durante muitos anos. Será que existem realidades alternativas? O conceito de livre-arbítrio realmente está condicionado ao ser humano, ou assim como em “Donnie Darko”, uma gosma transparente ditará os meus próximos passos?

Essas questões estão presentes em Dark, série alemã de sucesso da Netflix que chega ao fim hoje, 27 de junho de 2020. Na série, os personagens estão amarrados a um ciclo infinito. O ontem, o hoje e o amanhã. O passado o presente e o futuro, estão conectados. O começo é o fim, e o fim é o começo, enfim. Inúmeras frases de efeito que demonstram que aquelas pessoas estão condicionadas a um fim trágico, o Apocalipse.

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Manter o ciclo (seja em qual universo for), é a função de Adam (Jonas mais velho), no universo A e a de Eva (a Martha mais velha) no universo B. O Sic Mundus (“E Assim o Mundo foi Criado”) e o Et Erit Lux (“Que Haja Luz”) querem que as coisas aconteçam de forma diferente, mas continuam fazendo tudo igual. É a síntese da citação de Rita Mae Brown: “Insanidade é fazer a mesma coisa repetidamente e esperar resultados diferentes.”

Esse pré-determinismo e predestinação que paira sobre os moradores de Winden, de certa forma se contrapõe a dualidade que a série sempre trouxe, algo muito mais difundido neste terceiro ano de Dark. Além dos episódios e seus títulos contrastantes: “Luz e Sombra”, “Vida e Morte” e “Adão e Eva”, acompanhamos dois mundos diferentes, com um apenas sendo o espelho do outro, e além disso, somos apresentados ao conceito de duas realidades.

Dois mundos podem conter duas realidades diferentes. Dois viram quatro, e assim por diante. Mas, de modo a não confundir o espectador, a série se limita a apenas duas visões. Aquela que aconteceu, e aquela que se pergunta “e se não tivesse acontecido?”

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Entretempo

A dualidade. O preto e o branco. O bem e o mal. Tudo isso é esquecido no episódio “Entretempo”, feito exclusivamente para preencher as lacunas que a série deixou. “Os Vingadores” de Adam e Eva são enviados as várias partes importantes do tempo para manter tudo nos conformes, e assim completar aquele que seria o terceiro ciclo.

Mal sabiam eles que um terceiro, ou uma terceira peça deste jogo, estava agindo secretamente. Claudia descobre a origem, e como sabemos, a origem é o fim. É até irônico perceber que ambas as figuras de poder, concentradas em provar o seu ponto e em aumentar seus egos, não perceberam que estavam sendo enganados.

A origem estava em outro lugar, num terceiro universo. De certo modo, isso se alinha demais com a vida. A felicidade por vezes está mais perto do que imaginamos. E uma temporada de Dark que começou melancólica e com a promessa de que o tempo seria implacável, mostra que ainda existe esperança.

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O Paraíso

Apesar de ter uma temporada abaixo das anteriores, Dark entrega um final digno e corajoso para uma série, que devido a complexidade de seus temas, tinha tudo para se perder. A introdução de um terceiro universo no último episódio, tinha tudo para dar errado, mas surpreendentemente se conecta com as tramas e dores de seus inúmeros personagens, fazendo total sentido.

A dor e a melancolia sempre estiverem presentes em Dark. Quem conhece um pouco de história e geopolítica, sabe que o povo alemão é repleto de cicatrizes e frieza, muito por conta de suas derrotas e traumas do passado. Deus é o tempo, e mudar as coisas não seria uma tarefa fácil. O verdadeiro significado da existência, o propósito de existir.

Você já pensou no porquê da sua existência? Já parou pra pensar que foi criado para um propósito, e quando atingir tal objetivo, você pode sumir? Que dor sentiremos ao deixarmos de existir, se nunca existimos? Dark tenta responder tudo isso. O problema é que, nem tudo precisa ser respondido, afinal: “o que sabemos é uma gota, e o que ignoramos, é um oceano.”


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Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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