AODISSEIA
Filmes

Critica: Zootopia


28 de março de 2016 - 11:00 - Flávio Pizzol

Animação para todas as idades


Zootopia-PosterFaz tempo que eu defendo que as animações não podem ser voltadas apenas para as crianças, já que, a priori, ela também precisa conquistar o adulto que acompanha o pequenino durante a sessão. Talvez a Pixar seja a maior autoridade no assunto, mas, em Zootopia, a Disney mostra que também sabe fazer tudo isso com autoridade e competência.

O longa, que deve ser considerado uma fábula em sua forma mais pura e criativa, segue uma investigação policial em uma cidade onde animais vivem da mesma forma que seres humanos, trabalham em mesmas funções que as nossas e os predadores e as presas naturais convivem lado a lado sem precisarem caçar pala sobrevivência.

Todo esse conceito, roteirizado por Jared Bush e Phil Johnston, possibilita que a direção desenvolva um mundo extremamente rico e divertido para ajudar a contar sua história. Um mundo que leva em conta as características dos animais, suas dimensões e seus estereótipos humanos para criar cenas de ação que fogem do comum e fazer piadas cheias de metalinguagem e cultura pop que devem agradar crianças e adultos.

Só isso já bastaria para fazer o filme funcionar, mas o mundo muito bem trabalhado pelos diretores Byron Howard, Rich Moore e Jared Bush é apenas um artifício usado para esconder outras duas camadas ainda mais  poderosas do roteiro de Zootopia. O primeiro deles é o fato que estamos assistindo nada mais nada menos que uma história policial clássica com boas doses de suspense, ação e comédia reunidos em um clima noir e em uma dinâmica de parceiros que lembra muito aquela estabelecida por Mel Gibson e Danny Glover em Máquina Mortífera.

O caso do desaparecimento dos animais funciona muito bem e o seu desenvolvimento ocupa quase toda a projeção, mas infelizmente escorrega e cai na obviedade na hora de fazer suas revelações finais. Para a sorte de Zootopia é nesse momento que aquela outra camada ainda mais séria e adulta atinge seu ápice e assume o foco da história, transformando a animação em um conto sobre descobrir cada vez mais sobre o seu verdadeiro eu, não desistir dos seus sonhos e nunca deixar de lutar contra os preconceitos em todas as suas formas.

Zootopia-Essa-Cidade-é-o-Bicho-Crítica

Isso que faz com que Judy Hopps e Nicky Wilde sejam os protagonistas perfeitos para o longa, já que é a relação inicialmente oposta entre eles que traz a tona todos esses dilemas sociais. São eles que precisam andar preparados para não serem atacados na rua, brigar para serem os primeiros da sua classe em uma profissão, provar que as características físicas da sua espécie não firmam o seu caráter e lutar contra o preconceito velado (ou não…) constantemente.

E o melhor é ver esses ótimos personagens serem retratados de maneira singela e divertida pelo roteiro e pelos seus respectivos dubladores, Mônica Iozzi e Rodrigo Lombardi. Claro que eu ainda quero ver o trabalho de Ginnifer Goodwin, Jason Bateman, Idris ElbaJ.K. Simmons e outros grandes atores americanos, mas é muito bom poder chegar aqui e dizer que a dublagem brasileira também está maravilhosa.

A união de tudo isso faz com que Zootopia cumpra sua missão como fábula de forma magnífica, divertindo todo mundo e fazendo uma grande parte do público pensar sobre nossa sociedade. Ainda escorrega em alguns poucos momentos, mas prende a atenção da platéia, garante quase duas horas de ação, mistério e boas risadas e faz valer o ingresso de todas as pessoas que sentarem na sala de cinema, independente de suas idades.


Obs 1: Eu não assisti o longa em 3D, mas acredito que não seja algo essencial.

Obs 2: A mensagem do longa ainda fica grudada na sua cabeça graças a ótima música tema “Try Everything”, interpretada por Shakira.

Obs 3: O filme me pegou de vez com todas as referências populares, que incluem marcas específicas do mundo animal, brincadeiras com outros longas da Disney e vários easter eggs envolvendo O Poderoso Chefão e Breaking Bad.


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