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Em Zerando a Vida o contrato de Adam Sandler com a Netflix está acabando


Só faltam dois. Foi o sentimento e a frase que me veio a cabeça quando a Netflix liberou Zerando a Vida neste sábado. Para quem não sabe a Netflix fechou um contrato com a produtora de Sandler, a Happy Madison Productions, para quatro filmes (já que o cinema/Sony não quer mais bancá-lo). No final do ano passado tivemos o primeiro, o incrível (sarcasm alertThe Ridiculous 6 que conseguiu reunir um elenco de peso. Me pergunto como Adam Sandler consegue reunir tanta gente boa em seus filmes ruins/medianos.

Falando assim até parece que não sou fã de Sandler, pelo contrário. O Paizão (1999), Como se Fosse a Primeira Vez (2004), Click (2006),  e Gente Grande (2010) são filmes que me fizeram rir em excesso. Mas é fato que ele não apresenta o mesmo talento de outrora. Talento esse que aparece um pouco aqui em Zerando a Vida. Sandler consegue fazer um personagem diferente, uma mistura de Zohan, na forma escrachada, com o sentimentalismo de Michael Newman de Click.

Max (Sandler) e Charlie (David Spade) são dois amigos de infância que estudaram juntos, e acabam se reencontrando numa festa de reencontro de sua antiga turma. Os dois percebem que suas vidas mudaram, mas não tanto assim.

O filme é legal

Enquanto Charlie vive na monotomia, morando na mesma casa, casado com a paixão de sua infância e trabalhando no mesmo lugar (o que gera boas piadas, afinal ele é gerente de um banco dentro de um supermercado, e é confundido como gerente do supermercado), Max diz que virou um agente do FBI, o que acaba se revelando uma mentira logo revelada, acarretando ótimas possibilidades do que Max se tornou e fazendo com que o personagem seja meio misterioso no decorrer da trama.

Max resolve convidar Charlie para passear no seu novo barco, que sente uma liberdade e alegria nunca vivenciadas na vida adulta, tudo isso narrado por um David Spade competente aqui. Mal sabe ele que tudo era um plano de Max, que acaba forjando a morte de ambos e trocando suas identidades para que eles possam viver a vida sem limites.

Claro que não trocariam suas identidades por as de pessoas normais, mas por dois procurados. Pela polícia, por bandidos, pelo FBI? Melhor não revelar, pois seria spoiler. Afinal o filme é recheado de reviravoltas, e revelando-as aqui, você pode perder a vontade de ver o mesmo. Reviravoltas essas que são o ponto fraco. É como se Zerando a vida quisesse mais chocar por si do que satirizar os filmes de ação e comédia.

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Sandler está a vontade no papel, apesar de continuar com a cara de crianção, o personagem tem um certa maturidade e um plot pessoal que justifica tudo no fim. David Spade faz um personagem mais contido, talvez o mais “normal” de sua carreira. Paula Patton (linda como sempre) entra na história como um sex simbol, evoluindo aos poucos. Nick Swardson (um dos queridinhos de Sandler), Sean Astin, Kathryn HahnMichael ChiklisStan EllsworthLuis Guzman são coadjuvantes de luxo e rendem as cenas mais engraçadas.

Mas nenhum coadjuvante foi melhor do que o alemão Torsten Voges, creditado apenas como O Ginasta. O ator tem presença e todas as suas piadas visuais funcionam, sendo  o esteriótipo do super vilão malvado. Apesar de falar pouco, há uma boa química com Sandler e uma discussão engraçada sobre sexualidade na parte final. A direção de Steven Brill não economiza na sacanagem e nas piadas de baixo calão, afinal a censura é de 18 anos.

Mas e aí?

Zerando a Vida funciona quando se entrega a comédia e ao esdrúxulo. Quando vai para um pouco de drama, Sandler e companhia não seguram, e beiram a mediocridade. Sandler consegue entregar um filme melhor do que o seu antecessor na Netflix e seguindo a evolução, podemos ter ótimas comédias em breve.

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Zerando a Vida

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Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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