AODISSEIA
Séries

Young Sheldon: “pequeno homem poderoso”

A precursora e sucessora de The Big Bang Theory!


16 de junho de 2019 - 20:19 - Tiago Soares

Inicialmente vista como um caça-níquel ambulante, “Young Sheldon” mostrou o seu valor logo nos primeiros episódios. Saem as risadas características da sitcom original “The Big Bang Theory”, e entra o humor mais irônico e numa vibe meio “The Office”, sem o advento do mockumentary. A comédia familiar está disposta a revelar todo o passado de um dos personagens mais famosos da cultura pop recente, mostrar cada detalhe que o faz ser aquilo que vimos na série mãe e de tabela ainda apresentar personagens incríveis.

Nas duas temporadas da série (que inclusive já está renovada para mais duas), acompanhamos Sheldon Cooper (o fofíssimo Iain Armitage) convivendo com os desafios de ser uma criança no Ensino Médio, com pessoas maiores que ele em tamanho e muito menos inocentes. Toda a excentricidade do protagonista é ridicularizada com muito bom humor, seja pelos irmãos, vizinhos ou colegas de sala. Origens de expressões famosas como “este é o meu lugar” ou o famoso termo “Bazinga“, além do amor aos quadrinhos, são inseridos de forma natural e fazem total sentido dentro da narrativa.

young sheldon sheldon jovem sheldon

É claro que nem tudo são flores e dentro de 22 episódios por temporada alguns fillers são bastante comuns, mas o acerto de Young Sheldon está em não focar apenas no personagem título, dando espaço para toda a sua família brilhar de modo igual ou até melhor que ele. Missy (Raegan Revord) por exemplo, a irmã gêmea de Sheldon é a que possui um humor mais maldoso, e reflete perfeitamente a imagem do que Penny foi na vida adulta, sem perder a fofura da idade com momentos singelos entre ambos. Georgie (Montana Jordan), o irmão mais velho, às vezes fica encostado, mas tem momentos de brilhantismo quando focam na sua relação com o pai e sua subtrama religiosa para conquistar o coração de Verônica (Isabel May), a menina por qual é apaixonado.

A figura do patriarca George Sr. (Lance Barber) tem momentos cômicos pela falsa autoridade que exerce em sua casa, completamente controlada pela esposa Mary. O pai também tem momentos de sabedoria em que aconselha os filhos, mas Mary (Zoe Perry) parece ser a força motriz do lar. A matriarca tem momentos inspiradíssimos seja com a família ou no convívio da igreja com o simpático pastor Jeff (Matt Hobby). Tal destaque a faz tomar decisões por vezes amorosas, e outras rígidas demais, já que é deveras religiosa, sendo possível amar a personagem, mas odiá-la do mesmo modo. Seu contraponto imediato é a Avó Connie (Annie Potts), carinhosamente chamada de Meemaw por Sheldon. Sempre bebendo e fumando entre piadas sarcásticas, ela é a antítese perfeita de Mary, mas o amor pelas crianças é o mesmo.

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A série de Chuck Lorre e Steve Molaro não se ancora apenas na comédia, mas tem um melodrama particular ao fazer alguns de seus personagens abrirem mão de sonhos, possíveis relacionamentos e mudanças repentinas. Se passando no Texas no final dos anos 80, o conservadorismo e o patriotismo perante a Guerra Fria estava em alta, e apesar dos frequentes white people problems, a série tem uma identidade, desde a abertura ao som de “Mighty Little Man” de Steve Burns. Ácida, Young Sheldon caminha para ter vida longa, e olha que nem falei tanto sobre os ótimos coadjuvantes como o melhor amigo Tam (Ryan Phuong), o professor de teatro Mr. Lundy (Jason Alexander) e o atrapalhado Billy (Wyatt McClure), todos com participações pontuais e tão icônicos quanto a família Cooper.