AODISSEIA
Filmes

Yesterday é essencial para qualquer amante de músicas.

All we need is Beatles!


1 de setembro de 2019 - 22:13 - felipehoffmann

 

Quando em 1993, Phill (Bill Murray) fica preso em seu Feitiço do Tempo a gente acabava entendendo que a magia do filme acontecia sem muitas explicações, e que o foco era, na verdade, as situações que o personagem iria viver. Focar nesse ponto é o principal acerto de Yesterday, que consegue misturar a mágica das músicas dos Beatles com o desespero de tudo se acabar em um apagão.

O dia da marmota de Jack Malik (Himesh Patel) é viver num mundo em que os Beatles deixaram de existir. Yesterday,  Let It Be, Hey Jude, Helter Skelter, Eleanor Rigby e mais uma infinidade de músicas que marcaram a história estão agora apenas na cabeça de Jack, o único a se lembrar das canções e que agora têm um dilema em mãos: Não usar essas músicas e continuar como um repositor de supermercado, ou simplesmente se tornar o quinto Beatle.

 

yesterday himesh patel

 

Yesterday encanta pela sua coragem. O filme consegue divertir inserindo uma discussão ética e moral sobre a verdadeira origem das músicas de forma admirável, costurando um roteiro extremamente musical e despencando pro lado da comédia romântica que tira a real necessidade de explicar o fenômeno apresentado.

O curioso é que não é preciso curtir o som dos Beatles para simpatizar com Yesterday. Danny Boyle (Transpoiting) cria uma fábula moderna muito gostosa junto do excelente roteirista Richard Curtis (Quatro Casamentos e um Funeral), fazendo com que a gente também nos coloque no lugar de Jack.

Malik é um cantor à beira da desistência e enlouquece seus amigos ao tocar “Yesterday” num belo violão, junto dos amigos. A construção da cena é tão especial, que encaixa todo o remanso do local com a letra tão incrível quanto a situação.

 

 

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Essa não é exatamente uma premissa inovadora, mas é diferente por colocar na mesa a discussão do sumiço dos garotos de Liverpool. E essa mina de ouro que Jack tem em mãos rende situações hilárias dele procurando qualquer vestígio da banda e descobrindo que outras coisas também sumiram junto do apagão. Algumas referências são bem discretas mas muito importantes para um filme musical como Yesterday.

Assim, ele puxa as letras pela memória e vai tocando cada um dos clássicos que consegue lembrar. Mas e aí, será que é capaz de reproduzir todas as músicas como se fosse dele, e estourar como os Beatles fizeram 50 anos atrás?

Por um exercício de força maior, caso as músicas fossem do Skid Row, por exemplo, o filme não teria a mesma força. A diferença aqui é que as músicas dos Beatles são universais e funcionam independente de sua época. E que bom que restou alguém para lembrar, pois o mundo seria muito mais chato sem o som dos caras.

Contudo, toda essa fantasia funciona para embalar uma história de amor entre Jack e Ellie (Lily James), ao melhor estilo In My Life. Estar como elemento secundário para a ideia mais romântica do longa é um tiro certeiro de Boyle, que mantém o filme dentro do que ele precisa ser, sem precisar crescer demais para revelar todos os mistérios e guardar algumas surpresas em seu desfecho.

 

Jack e Ellie yesterday

 

A fórmula mágica de Yesterday não é reinventar uma banda de sucesso, mas sim acreditar numa história de amor comum, com erros e acertos. Por mais que o roteiro consiga deixar tudo mais simplista dentro desse contexto, não é algo que te tira da história. As músicas funcionam como motor para as escolhas dos personagens e funciona muito bem, pois Yesterday consegue se manter no chão, sem ser muito maior do que ele mesmo se propõe.

Uma boa comédia romântica, carregada com uma trilha maravilhosa e atuações certeiras fazem de Yesterday um clássico, assim como The White Album foi um dia. O amor é universal, assim como as músicas dos Beatles, e isso nenhum feitiço do tempo pode tirar. Sempre vai ter alguém para cantarolar os clássicos e deixar essa mensagem para novas gerações.

Que bom que existiram os Beatles.