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Séries

Crítica: Vikings – 4ª Temporada/ 1ª Parte

Quem quer ser rei?

22 de abril de 2016 - 18:22 - Izzy

Eu amo Vikings. Posso dizer que das séries que estão no ar, Vikings é a minha favorita. Mas o que aconteceu com Vikings na primeira metade dessa quarta temporada? O quarto ano da série começou morno, muito morno, fazendo duvidar dessa estratégia de dividir a temporada em duas partes. Em vez que 10 episódios muito bem planejados e cheia de ação, teremos 20 episódios, dos quais os dez primeiros ficaram com enrolações desnecessárias e possibilidades de tensão, deixando a gente com uma primeira parte de temporada um pouco decepcionante.

 

Essa temporada veio para mostrar a decadência do bom e velho Ragnar. Protagonista, que sempre foi bom em tudo, começou numa cama, com muita gente achando que estava morto. Detalhes que passam despercebidos, como a cor dos olhos de Ragnar, contribuíram para formar essa imagem de um “herói” cansado. Os olhos do viking sempre foram de um azul muito vibrante, principalmente depois que se tornou rei mas nessa temporada, os olhos pálidos confirmam o pensamento de Ragnar de estar se sentindo velho.

 

Esse cansaço somado ao uso de drogas fizeram o personagem declinar absurdamente. Aliás, esse plot de Ragnar drogado foi um tanto quanto inusitado. Quando Yidu entrou em cena eu me empolguei achando que a personagem abriria espaço para mostrar a cultura Chinesa, agregando mais uma civilização a série. Engano meu. A chinesa virou amante de Ragnar e contribuiu para o protagonista se tornar um viciado, atrapalhando todo seu desenvolvimento na história. Ragnar no decorrer dos episódios só pensa em usar drogas e começa a ter abstinências terríveis. E Yidu nisso tudo? Acaba tendo um fim sem noção que me pareceu mais como uma estratégia para tirar a personagem da série porque já não servia mais.

 

E com Ragnar só sabendo de curtir as drogas, a nova invasão à Paris vira uma piada. Eu entendi que era necessário fazer os vikings perderem dessa vez, mostrar um pouco do poder de Rollo e a decadência de Ragnar, mas que cena de invasão foi aquela? A proporção era mais ou menos a seguinte: 800 nórdicos contra 30 parisienses e os vikings não conseguiram matar nem três dos soldados de Rollo. Quiseram fazer Ragnar ser derrotado mas pecaram pelo exagero. Pra quem acompanha a série, sabe que as cenas de batalhas são incríveis e bem feitas, mas essa foi revoltante.

 

 

Outro plot que me causou certa agonia foi Björn em sua jornada de autoconhecimento. Todas as cenas do filho de Ragnar só tiveram o intuito de mostrar como Björn tava sendo machão e isso me cansou. Apesar de chato, esse retiro na floresta serviu para marcar a transformação de Björn em homem feito e também foi necessário para que o personagem se colocasse mais a frente da situação quando viu o pai acabado pelas drogas.

 

Entretanto, a primeira parte dessa temporada teve coisa boa também. Gostei muito de ver Rollo saindo da sombra de Ragnar e se tornando alguém, mesmo que para isso tenha que ter deixado suas raízes e começado a fazer escova no cabelo. A ascensão de Rollo em Paris mostra o poder dos vikings, que quando chegam ao comando conseguem fazer qualquer exército vitorioso. Apesar de ter achado que ficou com uma cara de repetição da segunda temporada essa coisa da traição entre os irmãos, dessa vez parece que Rollo gostou do poder e não volta pra baixo da asa de Ragnar.

 

Também gosto cada vez mais de ver Lagertha toda poderosa matando marido e comandando seu exército de mulheres. Mesmo uma gravidez inesperada ter servido para colocar um pouco de fraqueza na personagem, a ex mulher de Ragnar sempre é um ponto positivo na série, ainda mais quando tem cena junto com Bjorn e Ragnar lembrando a gente de como eles eram família perfeita.

 

 

E o outro ponto positivo fica para o último episódio, quando Vikings volta a ser Vikings. O seriado, que desde o último ano ficou mais violento, continuou com essa característica na segunda tentativa de invadir Paris dessa temporada. Em um confronto no mar, com a ideia incrível de colocar cercados entre as embarcações nórdicas, dando espaço para a luta corpo a corpo acontecer, Vikings teve uma de suas melhores cenas de batalhas. Finalmente um episódio que me fez lembrar o terceiro ano a série, que foi ação pura e me fazia vibrar durante os episódios.



Agora, o salto temporal típico da série nos coloca em um novo cenário completamente inesperado, acabando com as expectativas que eu tinha para outra metade da série e me deixando aflita sobre a situação de alguns personagens! Mas com certeza Ivar, o monstrinho criado, agora que cresceu e tem o brilho azul no olho tipo o pai, vai mostrar pra que entrou nessa história. A trama de Ecbert, que muita gente achava chata, também vai ser fundamental para os próximos 10 episódios, mas isso a gente só vai descobrir no segundo semestre desse ano.

 


OBS 1: A abertura da série ganhou cenas a mais esse ano e ficou bem mais legal e sombria do que antes!