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“Valentina” traz a história comovente de apenas uma garota trans, para falar de milhares de vozes abafadas pelo preconceito


O medo é o principal sentimento que aflora, quando começamos a assistir “Valentina“. Afinal, se você já viveu ou pelo menos conhece alguém que morou no interior do Brasil, sabe que por vezes, algumas discussões demoram a chegar. Mas surpreendentemente, esse medo vem antes da viagem da nossa protagonista, mostrando que gente preconceituosa está em todos os lugares.

Valentina, uma menina trans de 17 anos de idade, se muda com sua mãe Márcia para pequena cidade mineira de Estrela do Sul, a fim de um recomeço. Com receio de ser intimidada na nova escola, a garota busca mais privacidade e tenta se matricular com seu nome social.

No entanto, a menina e a mãe começam a enfrentar dilemas quando a escola pública local começa a exigir, de forma injusta, a assinatura do pai ausente para realizar a matrícula.

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Foto: Divulgação

Sendo assim, o filme de Cássio Pereira dos Santos é recheado de pequenas vitórias, como a belíssima relação de Valentina (a atriz e youtuber trans Thiessa Woinbackk), com a mãe e os amigos, mas também possui algumas derrotas, como a transfobia, a misoginia, o machismo, a homofobia, e a ignorância presente em algumas figuras antagônicas da cidade.

Elas estão materializadas não apenas no sistema, que tenta engolir a simples e sensível garota, mas no confronto de gerações, que reluta em aceitar que alguém pode sim, ser quem quiser. Ironicamente, é nessa vilania que se encontra o ponto fraco do filme. Querendo ser didático e criar inimigos maiores do que as dificuldades da vida, “Valentina” apresenta adversários físicos caricatos e sem personalidade.

Foto: Divulgação

Mesmo com essa questão, é revoltante ver Valentina sempre andando com o pé atrás, pisando em ovos, com um estilo propositalmente passivo-agressivo, provindo das situações escrotas que passa. O pai, uma figura ausente, também não dá o suporte necessário, e o filme faz questão de deixar isso claro, ao filmá-los sempre distantes.

São poucos os momentos de afeto (com exceção da mãe vivida pela ótima Guta Stresser), além de festinhas, roles e conversas íntimas. É como se Valentina vivesse apenas para combater o mal, sem descanso. Vale lembrar que essa batalha não é apenas dela, mas de milhares de vozes silenciadas pelo preconceito.

A vida não acaba apenas na morte. Mas na proibição, no não “se permitir”, no impedimento de ir e vir, e na perda de privilégios, como o direito básico a educação. Valentina? Presente.


Filme visto no 28ª festival mix brasil. Saiba mais sobre o evento AQUI.

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Valentina

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Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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