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Todas as comédias brasileiras lançadas esse ano (De Pernas pro Ar 2, Totalmente Inocentes e Os Penetras) tinham duas coisas em comum: roteiros ruins e piadas sem graça. Nenhuma me surpreendeu e por isso não fui assistir “Vai Que Dá Certo” no cinema, mesmo gostando dos trabalhos de boa parte do elenco. E esse filme consegue consertar os erros dos outros e fazer a platéia rir durante boa parte do filme.

O filme segue um grupo de paulistanos (o sotaque falso é muito hilário) estereotipados que não tem nenhum dinheiro e por isso topam fazer parte de um assalto planejado pelo chefe de segurança de uma empresa que transporta dinheiro em carros-forte. Na verdade, nenhum deles sabe o que está fazendo e as possibilidades do assalto funcionar são muito pequenas.

O roteiro, que começou a ser pensado na década de 90, é simples e esse é seu maior mérito. A simplicidade da história aproxima o público dos personagens e suas trajetórias, que são previsíveis, mas engraçadas e funcionais. As reviravoltas são óbvias, entretanto são engraçadas e bem encaixadas na história. O roteiro, que tem como base aqueles assaltos que dão muito errado por causa da estupidez dos assaltantes, é trabalhado por Fábio Porchat e pelo diretor Maúricio Farias, sendo muito leve, interessante, além de cumprir o prometido, fazendo do filme uma sequência de erros hilários com consequências mais hilárias ainda.

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A direção é boa, apesar de não ser nada excepcional. O diretor deixa que o improviso do elenco tome conta do filme, fazendo com a direção fique em segundo plano. É um diretor de televisão e por isso as técnicas utilizadas lembram muito os seriados globais.

O elenco do filme é extremamente talentoso e toma a frente do filme. Mesmo aqueles atores que não foram formados na comédia fazem bem os seus papéis. Esse é o caso de Danton Mello e Natália Lage, atores que começaram a fazer comédia a pouco tempo, mas possuem um timing muito bom.

Felipe Abib (comediante que fez o caminho contrário ao estrelar “Faroeste Caboclo”) e Bruno Mazzeo (o mais famoso do time na época que o filme foi filmado) estão ótimos, apesar de Mazzeo não ter cenas muito engraçadas. Lúcio Mauro Filho (o Tuco da “Grande Família”) também está espetacular em um papel onde ele pode se soltar e mostrar todo o seu talento hereditário. Falando nisso, Lúcio Mauro Pai marca presença em uma ótima participação especial.

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Mesmo com todo o elenco arrebentando, Fábio Porchat e Gregório Duvivier se destacam dentro da comédia. O talento de Porchat para escrever e atuar é indiscutível (os melhores vídeos do “Porta dos Fundos” sempre tem o dedo dele) e todo esse talento foi utilizado com grande competência, principalmente nas cenas de humor físico e escrachado. Duvivier também é muito talentoso, mesmo sendo mais recatado do que Porchat. Ele se destaca com gags pontuais, que são engraçados sem serem forçados em nenhum momento (observem as cenas onde ele está “surdo”).

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Enfim, o filme é engraçado e divertido, mesmo tendo muitas partes bobas. Quem gosta dos esquetes do canal “Porta dos Fundos” vai gostar do filme e identificar o estilo similar nos dialógos escritos por Porchat. Um filme muito engraçado que foi idealizado como um filme para passar o tempo e só divertir, mas, felizmente, outros pontos importantes, como roteiro e elenco, não foram esquecidos. Pelo menos um comédia brasileira valeu a pena em 2013.

Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

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