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Critica: Uma Noite no Museu 3 – O Segredo da Tumba


8 de janeiro de 2015 - 12:00 - Flávio Pizzol

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Uma Noite no Museu nunca foi uma franquia espetacular, que trouxesse algo imperdível para o cinema. O primeiro ainda conseguiu trazer para os cinemas algo divertido e até inovador, misturando bem a comédia com uma grande quantidade de efeitos especiais. Mas esse frescor se perdeu facilmente na continuação. Pelo menos esse terceiro filme –  mesmo que ainda abuse de piadas fáceis e tenha uma direção estranha – tem o mérito de encerrar tudo de maneira pontual e divertida.

A história dessa segunda continuação segue o mesmo padrão das outras. Larry continua trabalhando como segurança noturno, mas agora ele também usa os elementos do museu para realizar um show dentro da instalação. A questão dessa vez é que a placa mágica está se corroendo e ele precisa ir – com alguns companheiros do museu – para o Museu Britânico com o objetivo de achar o faraó, que podeira salvar todos os personagens.

O roteiro é extremamente simples, mas consegue consertar alguns dos maiores problemas do segundo filme. Se o anterior chegou a causar uma grande confusão mental com sua quantidade exagerada de personalidades históricas, animais e monstros voltando à vida, esse aqui acerta ao focar em apenas alguns deles. Quando Larry vai para Londres, poucos personagens antigos o acompanham e só alguns de Londres tem real importância para a história. No caso de um filme assim, o roteiro simples ajuda, já que o exagero fica só por conta da chuva de efeitos especiais que vai aparecendo aos poucos.

E o roteiro também acerta ao focar todo o seu desenvolvimento em um tema: a relação paternal. Ela está ali no encontro entre Ahkmenrah e seu pai e, principalmente, na relação de Larry com os outros personagens. Ele precisa lidar com o drama bobinho do seu filho legítimo, com um homem das cavernas que o vê como pai e com a salvação dos seus amigos de cera, que ele trata como filhos. Esse desenvolvimento é raso e não tenho como negar, mas consegue ser interessante e trazer uma boa mensagem no final do filme.

Final esse que também é muito bem desenvolvido com o adicional inesperado e triste de ser o último filme lançado de Robin Williams e Mickey Rooney. A nostalgia criada em torno do filme me surpreendeu e as últimas falas de Robin como Teddy funcionam muito bem como uma despedida do ator. Chega a ser emocionante ver um dos grandes atores dessa geração dando suas últimas palavras. Essa despedida podia ser em um filme melhor, mas Uma Noite no Museu 3 cumpre bem esse papel, mesmo sem querer.

De resto, o roteiro se apoia em personagens fracos e piadas repetitivas na maioria das vezes. Nenhum dos personagens antigos tem grandes cenas  e nenhum dos novos tem grandes histórias. Merenhahre e Lancelot então são completamente sub desenvolvidos e tem poucos momentos de importância. Se Lancelot ainda aparece no centro da ação, o faraó só está ali para contar o grande segredo da tumba, que dá nome ao filme e não é nada demais.

O faraó também tem um diálogo espetacular sobre os judeus com Larry e Lancelot cumpre sua cote de humor bobo em uma cena relacionada ao seu nariz. A primeira funciona com os adultos e a segunda arranca gargalhadas das crianças, ou seja, missão cumprida nas piadas. Inclusive, Lancelot ainda tem uma cena no teatro que consegue funcionar para todos os públicos, principalmente por ter uma participação especial sensacional e fazer piada com um dos heróis mais famosos da Fox. Não vou falar muito para não estragar, mas esse momento fez o filme valer pra mim.

A direção do filme também ser muito mais do que básica. Shawn Levy parece estar perdido no meio dos personagens novos e dos efeitos especiais, sendo repetitivo na maioria dos seus movimentos de câmera. Mas ele não é mau diretor e, assim como o roteiro acerta em cheio em umas 3 cenas, Levy também garante seus momentos bons. O melhor deles é uma surpreendente cena dentro de um quadro de Escher, que usa muito bem a ilusão de ótica da pintura para criar uma boa cena cena de ação.

O elenco também não tem muita importância, mas tem um carisma imenso que salva alguns momentos do filme. Um bom exemplo é a cena em Pompéia, onde Owen Wilson e Steve Coogan (em um dos poucos momentos realmente interessantes dos dois) salvam um momento escatológico e sem graça com seu carisma. De resto, quem também tem algum destaque é Robin Williams por ter aqui seu último filme.

Ben Stiller só funciona em algumas piadas, principalmente quando contracena com ele mesmo. Ben Kingsley e Dan Stevens sofrem com seus personagens novos e simplórios, mas conseguem se garantir naqueles bons momentos que citei. Já o filho de Larry e os outros não tem grande importância ou bons momentos. Esse são bobos, chatos ou simplesmente inúteis, como no caso de Wilson e Coogan.

Entre erros e acertos, Uma Noite no Museu 3 é melhor que seu antecessor. É bobo e repetitivo, mas consegue ter momentos divertidos e até surpreendentes. Não é um filme espetacular, genial ou imperdível, mas cumpre seu objetivo, homenageia Robin Williams e Mickey Rooney e conclui a franquia com alguma dignidade.