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Brutal e cruel, “Um Lugar Silencioso 2” é um retrato do momento egoísta que vivemos


Imagine fazer todas as coisas que você faz normalmente em seu dia a dia, toda a sua rotina desde escovar os dentes até ir trabalhar, estudar, ou simplesmente ouvir música, tudo isso em completo silêncio. É quase impossível né? Essa era a trama de “Um Lugar Silencioso” – filme de 2018 dirigido por John Krasinski – que colocava a família Abbott no centro da ação, logo após um evento onde criaturas sensíveis ao som matam qualquer coisa que fizer barulho.

Se já era praticamente inviável habitar um mundo assim, adicione mais uma parcela de armadilhas, paranoia e acima de tudo, a maldade e porque não também, a inocência dos seres humanos. Pronto, esse é praticamente o plot de “Um Lugar Silencioso – Parte II”.

+++ Jordan Peele e John Krasinski: Da Comédia ao Terror

+++ Leia a crítica de “Um Lugar Silencioso”

um lugar silencioso 2

Foto: Divulgação Paramount

Mas, do que se trata Um Lugar Silencioso 2?

Logo após os acontecimentos mortais, até mesmo dentro de casa, a família Abbott (Evelyn, Regan, Marcus e o bebê) precisa agora encarar o terror mundo afora, continuando a lutar para sobreviver em silêncio.

Obrigados a se aventurar pelo desconhecido, eles rapidamente percebem que as criaturas que caçam pelo som não são as únicas ameaças que os observam pelo caminho de areia.

O que achamos do filme?

William Friedkin (apenas o diretor de “O Exorcista”), declarou em seu Twitter após assistir ao filme, que estava diante de um clássico filme de horror, e felizmente ele estava certo. “Um Lugar Silencioso – Parte II” (assim como o primeiro), é uma experiência para ser vista completamente nos cinemas, e é uma pena que a maioria deles ainda não estão funcionando, muito por conta do genocídio de nosso presidente (Usem máscaras!).

Quem verá em casa (e eu não tiro a razão de quem não irá as telonas), pode perder um pouco da grandiosidade do trabalho de som supervisionado por Erik Aadahl, e mais ainda a trilha grandiosa de Marco Beltrami, que precisa estar nas premiações ano que vem. Ao invés de teleguiar a emoção do espectador, Beltrami sintetiza aquilo que estamos sentindo naquele momento.

Foto: Divulgação Paramount

Escrito e dirigido por John Krasinski, a produção tem início no dia 1, quando as criaturas chegam a terra, e o caos se instaura. É bacana perceber as piscadelas que Krasinski dá ao primeiro filme, ao mesmo tempo em que subverte muitos dos conceitos aplicados lá em 2018.

Logo somo lançados no dia 474, exatamente onde paramos, numa rima visual muito bem realizada. Aliás, a direção de Krasinski evolui, seja nos planos longos e sequenciais, na câmera na mão, e nos jumpscares assustadores (eu caí em vários deles por sinal).

O texto também é bem empregado, redondo e torna o filme referencial a si mesmo a todo momento, por isso é importante se atentar aos detalhes desde o início. A família Abbott logo se encontra com Emmett, personagem de Cillian Murphy, amigo antigo da família, que no início apresenta certa dualidade, mas logo constrói uma relação paterna com Regan (Millicent Simmonds).

Aliás, Simmonds se mostra um achado ao carregar boa parte do filme nas costas – não que a obra precise – mas ela o faz com maestria, combinando pureza a um jeito mais badass, provindo da perda do pai. Emily Blunt continua maravilhosa, apesar de menor tempo de tela, e Noah Jupe destoa mais pela altura (como essas crianças crescem rápido), do que pela atuação, já que aqui continua com a personalidade medrosa, que evolui com o decorrer das circustâncias.

Foto: Divulgação Paramount

A trama agora se divide em dois núcleos (por vezes três), mas todos carregados de tensão. Há pouco espaço para a calmaria e muitos momentos de brutalidade, crueza, angústia e crueldade. Krasisnki opta por deixar sua trama mais enxuta, contida em seu próprio universo, ao mesmo tempo que no fim dá sinais de um “mundo maior”, algo que pode agradar uns e desagradar outros.

É impossível acompanhar um filme de terror sem sentir algo pelos personagens. Todo o sentimento construído no primeiro filme reflete nesta obra. Sensações que vão da simpatia a antipatia, e o perigo seria não sentir nada. Sendo assim, é como se acompanhássemos um recorte da vida daquela família, uma aventura episódica e competente, que pouco diz sobre aquele universo, mas diz muito sobre aqueles que amamos.


Ps: O terceiro filme já está confirmado, e não será sobre a família Abott. Apesar de ter o argumento de Krasinski, o filme será dirigido e escrito por Jeff Nichols (do ótimo, “Destino Especial”).


Um Lugar Silencioso – Parte II estreia no dia 22 de julho nos cinemas brasileiros

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Um Lugar Silencioso - Parte II

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Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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