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Um Espião e Meio (Central Intelligence) faz o feijão com arroz muito bem, praticamente todas as piadas funcionam, principalmente as que envolvem a cultura pop.


E se dois dos mais carismáticos atores da atualidade se unissem para fazer um filme que misturasse comédia e ação de primeira? Um é sem dúvida o melhor ator de comédia da atualidade, Kevin Hart está em vários filmes recentes, e por isso, gerou inúmeras piadas do seu amigo Chris Rock no Oscar 2016, o outro é Dwayne Johnson, o The Rock, um dos maiores astros de ação, está numa das maiores franquias do cinema (Velozes e Furiosos) e vem indo bem na TV com a série Ballers da HBO, essa é a fórmula de Um Espião e Meio.

The Rock vive Bob Stone, um homem que sofreu uma experiência traumática na juventude, algo já presente nos trailers, Bob, 20 anos depois procura Calvin Joyner, (Kevin Hart) o cara mais popular da escola, e o único que o ajudou de certa forma no passado. Hoje um contador (“em uma empresa que tem um macaco com uma banana na frente”, segundo o próprio Calvin), tem que lidar com a frustração de não ser o que era no colégio, já Bob, musculoso e aparentemente seguro de si, é um agente da CIA, e acaba se envolvendo em um caso, onde tem que enfrentar uma organização secreta, além de ser acusado de matar seu parceiro Phil (Aaron Paul).

um espião e meio

A comédia aborda assuntos sérios, como a já citada frustração por não conseguir ser aquilo que um dia fomos, e o bullying sofrido no passado, nos deixando traumatizados no presente e no futuro caso não seja trabalhado, passado que volta a vida de Bob na figura de Jason Bateman em incrível participação.

Mas como gosto de afirmar, uma comédia não precisa ser um poço de profundidade, ela tem que nos fazer rir, e isso Um Espião e Meio (Central Intelligence) faz muito bem, praticamente todas as piadas funcionam, principalmente as que envolvem a cultura pop, e são muitas, sobra até pra Vin Diesel (quem tá ligado nas notícias sabe). É interessante notar que muitos filmes tem se ancorado nessa muleta, e esta comédia faz isso muito bem.

CENTRAL INTELLIGENCE

A ação também é muito bem filmada e frenética, Rawson Marshall Thurber (dos bons “Com a Bola Toda” e “Família do Bagulho“) consegue imprimir sua marca, uma direção que dá espaço pra piadas improvisadas e planos fechados na reação de seus protagonistas que apresentam uma ótima química em cena.

É bom ver Kevin Hart um pouco fora da zona de conforto, não fazendo o idiota ou o policial novato, e sim um senhor frustrado com os rumos que a vida tomou, The Rock também está muito bem, tanto na ação quanto na comédia, entrega o carisma de um astro, mesmo com a dualidade que apresenta, continuando com suas atitudes da juventude, além da dúvida: Ele matou ou não seu parceiro? Amy Ryan e Ryan Hansen tem participações tímidas, mas pontuais.

Infelizmente todos os elementos apresentados já foram vistos em outros filmes de comédia, neste, misturando os de road movie/buddy cops (como em Dois Caras Legais), e comédias de superação. Isso não é um defeito, mas Um Espião e Meio poderia aprofundar mais certos assuntos, e ter um diferencial. Mesmo assim o filme é engraçado, muito em função de sua dupla e de sua trama simples, chamativa e atual.


Obs 1:  No fim temos uma participação muito especial da melhor comediante da atualidade.

Obs 2: A melhor piada do filme se encontra na sequência de “erros” dos créditos finais, é tão natural e você sente isso.

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Um Espião e Meio

7.5

Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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