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Filmes

Crítica: Truque de Mestre – O 2º Ato

10 de junho de 2016 - 11:00 - Tiago Soares

Mágicos e super-heróis


truquemestre2_-_20abrilSe em Truque de Mestre (Now You See Me, 2013), o absurdo causou espanto e se tornou frequente no decorrer do filme, nesse você deve aumentar bem mais sua suspensão de descrença. Apesar de gostar do primeiro longa, admito que as reviravoltas finais, jogadas gratuitamente na tela como “mágica” (perdão pelo trocadilho), são desnecessárias, algo que se repete aqui, com certos lapsos de loucura.

Truque de Mestre – o 2º Ato (Now You See Me 2) mostra que após enganarem o FBI, os cavaleiros Daniel Atlas, Merritt McKinney e Jack Wilder estão foragidos (com a ausência de Isla Fisher grávida). Eles seguem as ordens de Dylan Rhodes, que segue trabalhando no FBI impedindo os avanços na procura dos próprios cavaleiros. Paralelamente, o grupo planeja seu novo ato: desmascarar um jovem gênio da informática, cujo novo lançamento coleta dados pessoais dos usuários. Entretanto, durante a revelação da farsa, os próprios cavaleiros são vítimas de um contragolpe, vindo de um inimigo desconhecido.

Apesar de começar com um flashback desnecessário, que gera um drama paralelo para Dylan (Mark Ruffalo muito bem no papel) o filme começa muito parecido com o primeiro, inclusive em uma cena de recrutamento e em seguida uma apresentação. Os 4 cavaleiros continuam iguais, e não há nenhuma evolução de personagem, entenda, não falo de aprofundamento, até porque o filme não exige cargas dramáticas, só acredito que após 1 ano e meio foragidos, os personagens deveriam ter ganhado um up.

O Atlas de Jesse Eisenberg continua egocêntrico e não foge das atuações de Jesse. Woody Harrelson faz um Merritt que ainda contrapõe Atlas, mas tem um arco individual tão tosco, que chega a ser engraçado, é notável ver Woody se divertindo muito no papel. Dave Franco segue como personagem complementar, para finalmente chegar em um dos grandes acertos da produção: Lula (Lola aqui no Brasil), Lizzy Caplan linda e muito engraçada. Ela faz aquela personagem que seria eu, ou você entrando nos cavaleiros. Tudo é novidade, e a inocência/ignorância (não da mágica, ela é excelente), mas sim de participar de algo tão grande.

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Adicionado ao elenco temos Daniel Radcliffe como Walter, desperdiçado aqui, um personagem raso, que tem importante função na narrativa (mais que isso seria spoiler). O chinês Jay Chou parece estar no filme só para que o mesmo chegue na China (que está salvando alguns filmes em bilheteria), além dos retornos de Morgan Freeman (Deus/Conselheiro como sempre) e Michael Caine, que se tivesse sido revelado só no filme, teria um impacto maior.

Impactos que percorrem o filme inteiro, reviravoltas seguidas, dignas de novelas mexicanas. O diretor Jon M. Chu parece se divertir a cada plano/ofuscação/revelação de personagens e coisas. Que se faz necessário para revelar alguns truques, mas é usada em excesso devido a necessidade de chocar. As cenas de ação com câmera tremida se revelam outro erro, já que pouco se vê o que acontece, sendo mostradas com clareza apenas nos truques utilizados nas mesmas. Truques esses que são o segundo acerto do longa. Se já tínhamos coisas mirabolantes acontecendo em seu predecessor, prepare-se para truques incríveis aqui.

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As cenas de roubo e invasão continuam sendo as melhores do longa e muito bem dirigidas. Mas até agora na franquia (já que o 3º filme foi anunciado) nada superou a união de direção/fotografia/efeitos visuais da cena da chuva, protagonizada por Atlas (infelizmente já mostrada no trailer). O Olho continua sendo um mistério, mas tem partes de seus personagens revelada, mostrando realmente a que veio, unindo mais ainda os Cavaleiros e fincando o status de Robin Hood da atualidade.

Por isso a comparação: seriam os cavaleiros e o próprio Olho, super-heróis, pelo menos no cerne da palavra? Nenhum deles possui poderes, mas conquistam multidões e executam planos mirabolantes. Uma dica: Embarque nesse filme com o propósito de diversão, apesar de um roteiro fraco, e frases (principalmente envolvendo os vilões) patéticas, que geram um certo virar de olhos, Truque de Mestre – o 2º ato entrega um espetáculo empolgante.


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